Entrevista com Nico Puig

Avalie

O ator garante as cenas mais fortes da telinha na pele do militar Filinto Guerra

Nico Puig já tem muita experiência para viver vilões: na década de 90, em Olho no Olho e Malhação, da Rede Globo, ele interpretou papéis que tiraram o sono de muitos protagonistas. Mas, na novela Amor e Revolução, do SBT, ele está mostrando que ainda pode se superar quando o assunto é maldade. Seu personagem, Filinto Guerra, é um torturador sádico e abusivo que foi capaz matar a própria esposa. O papel, é um dos mais desafiadores de sua carreira.

Entrevista com Nico PuigGuia da TV: Fale sobre a viagem que fez para a Colômbia.

Nico: “É óbvio que eu agreguei a coisa de fazer a construção do personagem, mas também aproveitei pra dar uma relaxada, dar um mergulho no mar do Caribe pra depois chegar e fazer minhas maldades todas. Porque eita personagenzinho ruim, o bicho não é fácil não!” (risos)

Guia da TV: Fala um pouco dele… Que maldades ele faz?

Nico: “O Filinto é um major, um sociopata, ele defende com unhas e dentes a ideia do País, da extrama-direita, mas a bem da verdade, ele é um pouco descompensado. Ele perde o discernimento, ele é muito catequisado pelo pai, que é um militar também linha dura. É um personagem muito multifacetado.”

Guia da TV: Como é a relação dele com a mulher, personagem de Patricia de Sabrit, que veio a falecer pelas mãos do vilão?

Nico: “Eu tive o prazer de contracenar de novo com Patricia de Sabrit, quem eu namorei quando adolescente, e agora a gente se reencontrou, e ela está mais linda do que nunca, e coitada: sofre na minha mão, viu? Ele começa primeiro com uns tapinhas leves, uma coisa mais sutil, mas com o passar do tempo, a violência vai aumentando.”

Guia da TV: Quando veremos um lado humano de seu personagem?

Nico: “Existe um subtexto que mostra que muita coisa é em função da herança que ele tem e acabou absorvendo e digerindo ao longo da vida em função da relação com o pai e com a mãe, e ele tem uma ótica em relação ao mundo que é distorcida. E qualquer humano está sujeito a isso, cada qual no seu grau. Tem gente que realmente surta, e tem pessoas que conseguem coordenar os seus problemas, suas falhas e consegue tornar aquilo natural de um ser humano.”

Guia da TV: Como é resgatar uma história tão sofrida que foi verdadeira pra muitos brasileiros?

Nico: “A gente não pode esquecer que os mais jovens, muitos, não tiveram acesso, não tomaram conhecimento dessa história, e a gente não pode deixar cair no esquecimento. A gente tem que resgatar isso pra gente, de certa forma, ter sua própria opinião. Eu não estou aqui pra defender militares, ou militantes, nem nada… Sou apenas uma ferramenta, enquanto ator, que vou passar um fragmento da nossa história que não pode cair no esquecimento. O SBT teve muita coragem de tocar nesse assunto. Não é uma novela pra passar desapercebida! Não é porque teve a anistia de 79, que muita gente está por aí circulando, seja bons ou não, que estão livres, que a gente tem que achar que porque deram liberdade a eles que podemos abafar o caso e esquecer o que aconteceu.”

Guia da TV: Na novela, você está revivendo essa história, não é mesmo?

Nico: “Não é uma história tão antiga. O povo do nosso país tem uma coisa maravilhosa: a gente não guarda mágoas, mas desculpa, e a gente também não pode emburrecer.”

Guia da TV: O que você pensa dessa época?

Nico: “Eu não quero voltar a viver um momento que eu não posso escutar a música que eu quero escutar, que eu não possa levantar a bandeira que eu quero levantar. Hoje cada um tem o direito de fazer o que quer, e cada um responde pelo que faz.”

Guia da TV: Sua caracterização é natural? O bigode, por exemplo, é verdadeiro?

Nico: “Mas tá na moda o bigode! Eu também fiz uma rinsagem no cabelo (risos). Brincadeira, não dá nem pra falar que é isso, porque os pêlos brancos já estão na barba, no corpo. Mas eu não sou mais um garoto, sou um homem de 38 anos de idade, e eu estou feliz porque não estou tendo que me mascarar pra fazer o personagem.”

Texto: Denise Galvão
Entrevista: Eliane Calixto
Foto: Lourival Ribeiro/Divulgação/SBT

Mais lidas