Entrevista com Mateus Solano

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O ator fala do seu personagem, um cientista apaixonado, e o que rola na trama de Morde & Assopra

Ícaro, personagem de Mateus Solano em Morde & Assopra, é um cientista inteligente, curioso e ousado, mas muito maior que suas invenções é a paixão que o move. Sem limites no amor, ele foi capaz de criar um robô idêntico à sua falecida mulher, Naomi (Flávia Alessandra), na tentativa de trazê-la de volta. Assim como seu papel na novela, Mateus é um cara apaixonante: pai dedicado, marido carinhoso e ator exemplar. Pelo visto, qualidades não lhe faltam, né?!

Entrevista com Mateus SolanoGuia da TV: Onde você buscou referências para criar esse personagem?

Mateus: “A minha maior referência foi o livro que estou lendo, que é “A Era das Máquinas Espirituais”. Um livro que demorou dez anos para chegar ao Brasil e tem várias previsões do que seria a robótica dali a dez anos, ou seja, quando o livro chegou aqui. Em várias coisas ele acerta, em outras não. Mas ele vai pensando e escrevendo para daqui a algumas décadas que o robô pode chegar para a gente e falar “estou triste, me consola” e você ficar meio “ah, será? Mas é um robô. Será que tem sentimentos? Será que fez conexões por conta própria?”. Acho que o grande pulo do gato da robótica, que eu comecei a ver nesse livro, é que se parou de pensar no robô como uma criatura que nem um computador, que tem tudo, todas as informações. Não! Agora, o robô tem um software de aprendizagem. Então, o próprio robô aprende por conta própria com as experiência que ele vai tendo. Esse robô é um pequeno protótipo dele. Se você coloca um objeto na frente dele e que ele nunca viu na vida, ele não saberá o que é. Mas se você coloca na frente dele e fala “gravador”, ele vai e computa aquilo. Daqui a pouco, ele vai aprender uma coisa, aprender outra, juntar tudo e tirar uma conclusão disso. Enfim, eu acho que esse é o grande pulo do gato, se podemos dizer, assim, da robótica hoje em dia. Esse livro me deixou muito impressionado.”

Guia da TV: O que essa relação com a tecnologia pode trazer de bom para “Morde & Assopra”?

Mateus: “Acho que essa trama tem um apelo muito bacana com as crianças por causa do robô, do cientista um pouco amalucado. Acho que temos essa identificação desde criança. “O Professor Pardal”, o próprio “Doctor Brown” do “De Volta Para O Futuro”. É uma coisa instigante que pega a nossa imaginação de criança. Acho que é por aí que estou indo. Todos os mistérios e mágicas são interessantes e o Walcyr vai aproveitar para tentar também conquistar o público infantil.”

Guia da TV: Como foi gravar no Japão?

Mateus: “Fiquei nove ou dez dias no Japão. Sofri muito por ficar longe do bebê e também pela sensação de estar do outro lado do mundo. São 24 horas de viagem, 12 horas de fuso. Por mais que você ajuste o seu relógio, o seu corpo não entende. O seu corpo não entende que é meia-noite, mas está um sol de meio-dia. Ânsia de vômito o dia inteiro, taquicardias ao contrário, tudo isso eu passei, mas nada disso apagou o encanto que foi conhecer o povo, a cultura, o outro lado do mundo. Realmente o Michel Bercovitch falou muito bem em uma reportagem que ele deu: “O Japão me virou do avesso!”. Tenho muita vontade de voltar para lá com a minha família. Me impressionou muito uma sociedade onde as coisas funcionam e as regras são respeitadas.”

Guia da TV: O Ícaro cria um “monstro”?

Mateus: “Monstro acho uma palavra muito forte, mas ele não perde a paixão por essa referência que ele tem da mulher e que colocou na robô. É muito complicado isso. Mas acho que ele vai percebendo várias mancadas, várias coisas que diferenciam, que fogem ao controle. Coisas que ele achava que seriam vantagem, mas que acabam sendo desvantagens. Ele começa dizendo “eu vou criar a mulher perfeita, a mulher que vai me amar para sempre”. Essa é a expectativa dele, então, terá muita decepção porque é uma robô. Por mais que ela tenha gravado dentro dela as memórias deles dois, ela está aqui para aprender de novo. De certa forma, ela teria de aprender a gostar dele.”

Guia da TV: Você vê o que o Ícaro se sente no trabalho como amor ou obsessão?

Mateus: “Ele tem uma coisa muito fixa com o trabalho dele, tem muita fé no trabalho. Ele, realmente, acredita que possam existir máquinas que tirem suas próprias conclusões e, por que não, sintam, amem e sejam amadas?! Essa obsessão fica diluída por causa do foco dele no trabalho. Ele sempre acreditou que era possível construir máquinas que desenvolvessem seus sentimentos, então, passou cinco anos tentando esquecer essa mulher e não conseguiu. O Zariguim, por exemplo, ele começou a construir nestes cinco anos e que já deu um feedback para ele de que era possível dar certo, porque é um robô incrível que vai aprendendo coisas.”

Guia da TV: Você volta mais uma vez na posição de galã à telinha.

Mateus: “No caso de ser uma comédia, acho muito bacana, abre mais possibilidades. Por mais que sejam bons moços que eu ando fazendo, tirando o Bôscoli, que de bom moço não tinha nada, ele era charmoso, tinha esse apelo sexual, acho que o Ícaro é muito mais um cara querido do que com um apelo sexual, por exemplo. Miguel, Jorge, Ícaro, Bôscoli são diferentes e diferentes de cada personagem que fiz no teatro nestes 13 anos.”

 

Texto: Mayara Tolotti
Entrevista: Marvio Gonçalves/Colaborador
Foto: Ricardo Leal/Colaborador

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