Entrevista com Marisa Orth e Jorge Fernando

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A dupla e os produtores conversaram sobre a cômica atração da Rede Globo, a série Macho Man

As confusões existenciais entre um ex-gay e uma ex-gorda colocam a trama de Macho Men, minissérie que vai ao ar na Rede Globo, entre as divertidas confusões dos personagens Zuzu e Valéria, vividos por Jorge Fernando e Marisa Orth. Compartilhando o ritmo das gravações, a dupla bateu um papo divertidíssimo com a gente, junto com a autora da série, Fernanda Young, José Alvarenga Jr., diretor e roteirista, e Alexandre Machado. Confira:

Entrevista com Marisa Orth e Jorge Fernando

Guia da TV: Jorge Fernando,conte sobre sua atuação como ator na TV.

Jorge Fernando: Na verdade, em televisão, como ator, eu nunca atuei. Eu sempre fiz participações. Fiz Ciranda Cirandinha, no início, que na verdade foi um trabalho… está em vídeo, está perpetuado isso. Fiz duas novelas, Pai-Herói e Água-Viva. O resto foram participaçõezinhas que eu mesmo me escalava. (risos)
Marisa Orth: Que filho da mãe! Eu nunca soube disso!

 

Guia da TV: Vocês pensaram imediatamente no Jorge Fernando quando escreveram o personagem “Zuzu”?

Alexandre Machado: Basicamente é assim, a dificuldade de encontrar um ator bom para o papel era de entender o papel dele. O que seria engraçado num ex-gay? É ele continuar assim, sendo o que ele é, com toda a tranquilidade que sempre foi, só que agora ele gosta de outra coisa. Eu vi que o Jorge Fernando era perfeito porque ele tem essa alegria de viver. Gay é alegre em inglês e os gays são realmente mais alegres. Eles dão uma animada no mundo que… sei lá! (risos) A verdade é que eles dão uma força de energia positiva na vida que a gente precisava no personagem. Ele vai encarar as dificuldades com ajuda de uma amiga que vai guiar ele, que também não entende muita coisa, porque a experiência dela é totalmente traumatizante, já que ela era uma gorda até pouco tempo, e achou que ia resolver a vida dela emagrecendo e, ao mesmo tempo em que ela está ajudando ele, ela está vendo que emagrecer não adiantou nada. Quer dizer, são duas pessoas se ajudando.

 

Guia da TV: Por que a temática do ex-gay é tratada na série?

Alexandre Machado: Na verdade, o seriado vive de grandes personagens, não vive de grandes assassinatos, de grandes cartas nas mangas. No seriado, você tem que renovar a história a cada semana e as pessoas têm que se ligar no programa através dessa ligação com o personagem. E a gente buscou personagens interessantes, não foi só o ex-gay e a ex-gorda, que são personagens que a gente buscou, porque todos nós fomos ex-alguma coisa em algum momento na nossa vida. E, na verdade, não adianta nada…
Marisa Orth: Ex-gótica!
Fernanda Young: Eu sou ex-punk.
Alexandre Machado: Na verdade, todo mundo é ex-alguma coisa. Eu sou ex-publicitário!

 

Guia da TV: E como foi a ideia da ex-gorda?

Alexandre Machado: A ideia do ex-gay surgiu primeiro. A gente só precisava de um contraponto forte. Quem é que vai ajudar ele nesse mundo hétero complicadíssimo? E, essa amiga, a gente pensou como a gente poderia fazer o personagem dela interessante e especial para ele, porque ela vai ter toda essa vivência de ser ex-alguma coisa.
Marisa Orth: E a loucura da mulherada hoje é essa. É uma loucura bem contemporânea.
Alexandre Machado: É. As pessoas acham que se elas emagrecerem a vida vai mudar. E, na verdade, não acontece nada. Piora, às vezes. Mas não depende do peso. O peso está na cabeça da pessoa.

Entrevista com Marisa Orth e Jorge Fernando

Marisa Orth e Jorge Fernando dão um show de comédia com suas confusões existenciais na série Macho Man. Na foto, os dois protagonistas com Fernanda Young, criadora da série.

 

Guia da TV: Com esse super alto astral que possuem, vocês já ficaram de mau-humor alguma vez?

Marisa Orth: “Ô!”
Jorge Fernando: “Se você continuar insistindo nessa pergunta, eu vou te dar uma demonstração prática! (risos). Acho que meu último ataque de mau-humor foi com o Vídeo Show. Fui gravar uma cena de Ti-ti-ti e eu posicionei uma câmera. E eu não queria cortadinho, editadinho. E eu queria um take inteiro do carro capotando porque eu sabia que ia ser espetacular. Então, marquei a câmera, marquei a outra câmera e fiquei no caminhão olhando. O carro veio, subiu, rodou, rodou, rodou e quando ele estava caindo, lá atrás, tem o Vídeo Show e a equipe que estava filmando! Ainda bem que eles foram embora! Eu gritei: “Vídeo Show!” porque eu tenho uma energia grande e eu era muito atacado. Eu dava muito piti. Foi um trabalho espiritual de anos! (risos) Eu tiro as joias, deixo a água cair no pulso, respiro 7 vezes e volto! Outra dica muito importante! Vou fazer um programa de dicas!
Marisa Orth: Gente, ele pode fazer um livro de autoajuda!

 

Guia da TV: Queria saber quantos episódios a série vai ter e se vocês já planejam outras temporadas?

Alvarenga: O seriado deve ter 14 episódios. Já existem sete escritos. Os Normais, que eram nove episódios, viraram três anos de temporada. Mas, como o Alexandre e a Fernanda falaram, é tudo em cima de muito trabalho. A gente não busca o sucesso, a gente busca a qualidade porque isso pode levar ao sucesso. Então, as piadas, as sacações, as escolhas, a direção, toda a equipe do programa está fissurada nesse momento, criando o figurino, o cenário e é disso que vem o sucesso.  A história é boa, tem tudo para acontecer e a gente está batalhando para que seja um bom programa.

Entrevista com Marisa Orth e Jorge Fernando

Na foto, Jorge Fernando, Jose Alvarenga Jr, Fernanda Young, Marisa Orth e Alexandre Machado durante a apresentação de “Macho Men”

 

Guia da TV: Fernanda, qual a dificuldade de fazer humor e como é a rotina criativa de vocês, que trabalham juntos desde “Os Normais”. Vocês falaram que são caseiros, mas, como funciona a logística? Porque vocês têm filhos e escrevem o programa…

Fernanda Young: Para mim, a grande dificuldade de fazer humor é quando eu estou triste porque chegam umas épocas que você não está bem. Fazer rir é cirúrgico, escrever comédia é uma coisa dificílima, mas o princípio está na sua existência que tem que estar minimamente agradável. Se você está numa má fase, então fica em casa. O Alexandre é um autor de comédia. Estrategicamente, o que acontece é que eu e o Alexandre somos muito caseiros, nós temos uma vida muito pacata, dormimos muito cedo, acordamos muito cedo, temos uma estrutura de trabalho intensa e realmente temos muitos filhos, muitos funcionários e é uma coisa meio alucinada. As crianças, às vezes não entendem que a gente está trabalhando porque a gente está em casa, somos muito incomodados, o tempo inteiro. Mas, no caos, como a coisa é feita com amor e com gratidão pela possibilidade de viver de arte, de viver do humor e sem fazer concessões, porque a gente trabalha com aquilo que a ge
nte acredita, tem dado certo. Obviamente, é exaustivo. Mas, isso se dá de forma harmoniosa. Nós estamos casados há 18 anos e há 18 anos escrevemos juntos. Então, é absolutamente orgânico. Quando eu preciso me ausentar, ele não dá bronca em mim.

 

Guia da TV: Alvarenga, você já pensa em bilheteria para cinema? Já vê um caminho para filme com “Macho Man”?

Alvarenga: Isso não existe! A gente não tem essa mídia. Talvez, no fundo da nossa vaidade, a gente possa brincar e desejar um sucesso enorme. Mas, o foco do trabalho é a qualidade. A gente busca a qualidade e a gente encontra a qualidade no desdobramento televisivo, que geralmente é bom. E pode ser que vire um trabalho, pode ser que vire um filme, pode ser que vire uma segunda temporada. A primeira ideia nossa é que vire uma segunda temporada. Mas, para isso acontecer, é audiência, é uma série de outras coisas. Agora, o resto é consequência. Agora, se virar filme… Tema tem, escritores temos, temos elenco, temos direção. Então, se vier, estamos preparados. Mas o foco não é esse.

 

Guia da TV: Os dois personagens, o Zuzu e a Valéria, que são tão amigos assim, poderão ter algo mais íntimo, já que ele é hétero e ela tão carente?

Alexandre Machado: Eu acho que eles vão descobrir que foram feitos um para o outro, de alguma maneira. Mas, como isso vai ser resolvido, porque, na verdade, essa intimidade que eles têm… Quando você é amigo e quando você vira amante da pessoa… Se você continua com a mesma sinceridade que você tinha com a pessoa quando você era amigo, as coisas complicam um pouco. Mas, é inevitável que eles percebam que eles não precisam de mais ninguém no mundo além deles. Vai demorar ainda. Não chegamos lá, mas, estamos torcendo.

 

Texto: Larissa Faria
Entrevista: Clayton Gallo/Colaborador
Foto: TV Globo/Marcio Nunes/Bob Paulino

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