Entrevista com Ivete Sangalo

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A diva abre o coração após realizar o sonho de gravar um show em terras estrangeiras

Ivete Sangalo vive uma de suas melhores fases na carreira e, agora, a baiana é só sorrisos! Confira a entrevista a seguir, a cantora abriu o coração e fez um balanço da sua vida e carreira.

 

Entrevista com Ivete Sangalo

 

Guia da TV: Com o projeto de fazer um show fora, no Madison Square Garden, em Nova York, você queria colocar o pé na capital do mundo e mostrar para os americanos que o Brasil faz música de qualidade?

Ivete: “Quando eu liguei pra Jesus (irmão e empresário da cantora) falando sobre o Madison, foi muito bom pela alegria de estar em um lugar lindo, bom pra fazer um show. O que foi o movimento desse projeto, é que fez dele o que ele é. A ideia, no começo, era um show e a oportunidade de fazer um DVD. Então houve a ideia de dar aos brasileiros essa oportunidade, de fazer essa farra juntos e aí ser um cartão de visitas importante. Já tínhamos começado uma carreira internacional na Europa muito vencedora, tanto que de dois em dois anos eu volto à Europa em uma turnê muito legal.”

 

 

Guia da TV: Guia da TV: Depois de ver o DVD você pensou “tá tudo aqui” ou acha que faltou alguma coisa?

Ivete: “Não, muito pelo contrário, não faltou nada. Mas durante o show, quando está pronto e quando é realizado o que estava no papel, muita coisa era uma grande brincadeira de ilusão. Então quando eu subi naqueles balões, você não tem ideia do quando eu me diverti com aquilo.”

 

Guia da TV: Os balões foram ideia sua?

Ivete: “Não. Eu disse ao Alexandre: tenho que sair voando, nem que tenha uma bomba em mim pra explodir esse negócio! Aí, ele quebrou a cabeça e veio com esse projeto, porque a gente já tinha colocado os balõezinhos no Festival de Verão, em função dos meus fãs, que sempre vão aos shows e levam os balõezinhos de coração. Aí ele falou: você quer voar, então você vai voar agarrada nos balões, meio Mary Poppins. E eu sai de uma forma muito lúdica. E meus sobrinhos falaram assim: mas, Veveta, como é que você voltou?. Fomos pra Nova Iorque, chegamos no Madison e quando eu olhei, gente, era o triplo da altura. Aí eu falei: Alexandre, eu não vou subir, nesse negócio!. E ele disse: minha filha, você vai. Nem que eu tenha que te dar umas porradas, mas você vai, porque o que você me azucrinou com esse balões… Ou você sobe ou eu mando matar você. Aí eu fui, subi meio metro, depois mais meio metro. Fiquei lá meia hora subindo de meio em meio metro.  No final eu já estava lá fazendo pose e achando o máximo! Eu me senti realizada.”

 

Guia da TV: Você fez um intensivo de inglês antes de show?

Ivete: “Não!”

 

Guia da TV: E pra compor em inglês?

Ivete: “Cara de pau! (imitando um sotaque gringo). Foi o seguinte, eu não sei realmente quanto eu adquiri deste vocabulário, da língua norte-americana. Porque, realmente, brotou do nada (risos)! Porque eu viajo muito. Nas viagens eu aprendo muito, tenho uma leve facilidade para línguas. Então, o meu inglês hoje é tranquilo, eu me comunico bem, compreendo bem, mas eu não tive essa capacitação. Mas falar hoje o inglês e o espanhol foi uma consequência de muitos anos viajando e me interessando também.”

 

Guia da TV: E seus convidados falando português?

Ivete: “Adoro! O Diego, que é argentino, é uma figura boníssima, um superartista e ele queria aprender a falar as gírias da gente: é massa, é sucesso!. Eu falei pra ele: mas você tá aprendendo a falar as gírias de baiano. E a Nelly, o pai dela é português, então, ela fala umas palavras em português. E Juanes fala o espanhol que tem uma grande semelhança com a nossa língua, muitas palavras parecidas. E o Seu Jorge que fala português e como canta!”

 

Guia da TV: Ivete, a gente já assistiu vários artistas que gravaram DVD no Madison e a grande maioria deles fez uso de playback. O que você acha disso?

Ivete: “O New York Times falou exatamente isso, eles fizeram essa observação. Veja bem, o que não pode ser invalidado é o fato de eu ser uma cantora. Eu comecei minha carreira com esse propósito e continuo com ele. Então pra mim, ser ajudada pela tecnologia é uma afronta mesmo. Eu não admitiria isso nunca. E eu sei, por exemplo, com que qualidade que foi gravado o disco, a maneira como o Alexandre ou o Beto Neves tratam a minha voz. Eles sabem como eu canto, então o microfone já é montado com o meu timbre, com as frequências que eu gosto. Já tem todo um respaldo pra eu cantar, com os equipamentos que eu quero, que eu gosto. Pra fazer correções depois eu não gosto, mas eu também não tenho conhecimento se os artistas fazem playback. Isso também pode ser um mito, pode ser uma maneira deles gravarem, deles velarem a voz, né? Existem tantos métodos de tecnologia, mas eu, particularmente, não sou muito adepta dessas tecnologias de ajuda, de reparação.”

 

Guia da TV: Como é que você lidou com o inglês do Nick Wickham? (diretor inglês responsável pela filmagem do DVD, o mesmo responsável por DVDs de Beyoncé e Madonna, entre outros.)

Ivete: “Não, minha filha, era blá, blá, blá, together. Eu falava: Alexandre, você entendeu? Ele dizia: together. E o Ricardo? together. O Patrick, que é meu iluminador, entendeu o que? together. As pessoas não entendiam o inglês, mas entendiam o que ele queria.”

 

Guia da TV: E como é que você trabalhou a sua espontaneidade com ele?

“Mas ele é extremamente divertido. Aliás, uma equipe de profissionais tarimbados, mas de um humor e de uma diversão. Foi muito leve trabalhar com eles. Eu fiquei muito contente com a nossa escolha porque hoje, vendo o DVD pronto, eu vi a colaboração artística dele com o meu trabalho. A maneira como editou, a maneira como valorizou os meus músicos, os bailarinos, a cena. Porque essa visão de que o artista não está só executando aquele show, isso me agrada muito. Eu sou uma pessoa do coletivo, eu gosto de prestigiar o trabalho que eu tenho com todos ali. E eles são maravilhosos, ele me deixou assim muito confortável. E ele estava marcando com um xis no chão: Ivete você vai pra direita, você vai pra não sei onde… E eu só ouvindo. Aí eu: agora eu vou pra direita, aí ele marcou o xis. Agora eu vou pra passarela, e ele marcou o xis. Aí, acabou o ensaio e ele falou: mas você não foi pra nenhum xis?! Eu falei: mas, meu irmão, você pode marcar o alfabeto inteiro que eu não vou pisar em nenhuma letra! Então de cara ele falou: então, deixe comigo que eu vou atrás dessa sua energia, da sua alegria. Então é isso, é alegria, porque essa marcação… Eu ensaiei meses de dança e não fiz nenhuma dança. Na hora é vamos tirar o pé do chão! Mas eles são incríveis!”

 

Guia da TV: Você falou que o show levou oito meses pra ficar pronto e exigiu muito esforço físico também. Foi complicado voltar à boa forma depois de dar à luz a um bebê?

Ivete: “Você diz da pessoa perder o peso ou da pessoa se ruir e ficar arrasada porque tá gordinha? Porque do ponto de vista psicológico é preciso que a mulher entenda duas coisas: uma é uma questão genética, porque isso não pode virar também um mote, uma lei: toda a mulher tem que ficar gordinha. Não. Existem mulheres que emagrecem imediatamente depois do parto. Conheço algumas. Eu não sou desse quadro. E existem aquelas que a célula gostou. A célula diz: gostei e fiquei! (risos) E também t
em essa coisa, pra mulheres como eu, abrir mão da companhia do filho, do papel da maternidade em função do corpo, eu acho que não dá. Então eu preferi assumir e respeitar o meu tempo.”

 

Guia da TV: Quantos quilos você perdeu?

Ivete: “Não sei de verdade, mas foi coisa grande, viu?! Sabe aquele show de Natal (primeiro show pós-gravidez) que eu usei um vestido de abajour? Eu, felicíssima porque o corselete tinha entrado, aí eu fiz o showe o público de Natal me recebeu de braços abertos e gritavam que eu estava linda e eu pensava: ah, eu tô linda, que massa. Tava amarradona. O povo de Natal é muito carinhoso e eles me fizeram me sentir bem. Aí, chegou no carro, e o pessoal foi dar uma olhada nas fotos. Minha gente, eu falei: o que é isto? Quem é essa pessoa que estava no meu trio elétrico? Eu não quero mais essa pessoa cantando no meu lugar!. Eu parecia um abajour! A roupa era linda, mas…”

 

Guia da TV: Foram oito meses de preparativos e expectativas. Depois que rolou o show, como você se sentiu no dia seguinte?

Ivete: “Eu me lembro que no outro dia eu acordei e fui ao mercado passear. Não consegui falar com ninguém sobre o show, com a família e tal. Tava todo mundo estava acabado. O pessoal começou tipo um retiro espiritual, começou a se preocupar com outras coisas, consigo mesmo. Muita gente teve pesadelo com meu nome, porque a gente só falava disso. Então, no outro dia, eu fui relaxar, curtir, não, obviamente, que eu tivesse me esquecido, porque eu estava tomada por aquilo, mas eu não parei pra pensar na coisa da crítica, não mesmo”.

 

Guia da TV: Você gravou uma canção do Lionel Ritchie e fez ao piano (Easy). Foi a primeira vez que fez isso?

Ivete: “Eu adora essa música! Essa música é aquela que você liga o rádio de noite em casa e fica… (cantarola a canção de olhos fechados). E o piano é uma coisa que eu já tinha uma intimidade em casa, como uma brincadeira. E aí eu falei para os meninos: eu vou tocar piano! Vou dar de presente aos meus fãs essa coisa do piano. E resolvi tocar essa música do Lionel Ritchie no piano. Aí veio a ideia do presente, porque esse momento é um presente para os fãs. E também gravei Human Nature, porque a gente já tinha interpretado ela no balanço do samba-reggae e ficou muito legal. E Michael Jackson é Michael Jackson, né? Todo mundo regravaria ele.”

 

Guia da TV: Eu queria saber como é que você recebeu a noticia dessas 300 mil cópias vendidas. Você já sabia que tinha vendido tanto?

Ivete: “Não, eu recebi ontem essa notícia. Porque eu nem entendo dessa coisa de pré-venda. Os meus fãs ficaram falando de pré-venda, pré-venda, mas eu nunca soube da pré-venda. Eu achei que era uma coisa deles, que eles tinham inventado. E aí a Marcela falou: olha, Ivete, já vendeu na pré-venda 300 mil. Pré-venda pra mim era algo do tipo: olha, guarda um pra mim. Mas que não significava comprar. E aí hoje eu recebi essa chapoletada aqui e tô felicíssima. E eu fiquei muito contente, né? Porque isso já é um resultado importante de reconhecimento. E ainda mais nos tempos de hoje isso é um resultado muito positivo no nosso clima fonográfico.”

 

Guia da TV: E sua relação com a banda? Vocês parecem bem próximos.

Ivete: “A banda, gente, eu preciso dizer: vocês sabem o que é tocar no Madison Square Garden ao vivo, gravando um DVD e não errar nenhuma nota? Os caras merecem! É importante eu falar isso para sair na entrevista para a coisa não ficar totalmente sobre o prisma da minha responsabilidade do show. Tivemos toda uma produção. O Alexandre coordenou coisas, assim, impossíveis de coordenar ,e ele coordenou. Os meninos da Caco de Telha, todos imbuídos. Esse lance da banda e eu é uma sopa no mel. Foi um presente. A banda dos sonhos estar lá e pronta pra quebrar. Foi lindo, foi como mandava o figurino, não tivemos nenhum tipo de aborrecimento. Foi um casamento muito saudável. A Caco de Telha deu um show de empenho em todos os aspectos. Desde o momento que mentalizamos este show até a festa do pós-show, até o que foi feito pela família. O site, o resultado do disco, a capa. As fotos que são de Cacá Mangabeira, tudo, tudo! O figurino, tudo isso é muito importante.”

 

Guia da TV: Agora que você lançou o DVD, você vai sair com esse show por aqui, e como ele será para o público brasileiro?

Ivete: “Será esse show.”

 

Guia da TV: Igualzinho?

Ivete: “Se já tem até almofada, né, gente? (Ivete estava encostada em uma almofada com a capa do CD. Ela comentou que quando chegou ao Madison, estavam vendendo a tal almofada por lá). Olha, o que a gente combinou foi o seguinte, esse mês de dezembro é todo de divulgação do disco. Do ponto de vista de investimento para a gravadora, para a Caco de Telha, Caco Music, para o Multishow, é preciso uma divulgação. Você pode ver que essas 300 mil cópias já são reflexo da promoção deste disco”.

 

Guia da TV: Eu queria que você me falasse sobre a escolha dos convidados e também sobre o figurino. Pra mim pareceu que você vai matar de inveja Lady Gaga e Carlinhos Brown. Brown deve estar se matando uma hora dessas, né?

Ivete: “Ou seja, você quis dizer que é exótico o figurino, né? Lady Di, não, né? Lady Di, nem pensar… Veja bem, Lady Gaga e Carlinhos Brown. Eu sou muito fã de Brown, o mundo é Brown! E tem também a Gaga, lagosta, aquela coisa, né? Não tem como! Mas eu adoro, ela é muito talentosa, eu sou fã. Então, em relação a escolha dos convidados… Eu fui tendo encontros com esses artistas no meu caminho, na minha vida e por conta do projeto, dele ter um foco latino, calhou de eu ter Juanes e Diego. Nelly, nós nos encontramos no Rio de Janeiro, nos encontramos na Europa uma certa vez e no Rio de Janeiro a gente falou de fazer alguma coisa juntas e eu achei conveniente convidá-la  pra esse projeto ao vivo. Ela topou na hora . E o Seu Jorge que eu eu tô paquerando há muitos anos. E aí rolou. Eu convidei James Morrison, infelizmente hoje sabemos, na época ele pediu pra não falar, que o pai dele havia morrido dois dias antes do show acontecer, e Wisin y Yandel que não conseguiram deixar Porto Rico por conta de furacões. Enfim, não era pra ser.”

 

Guia da TV: Na gravação do seu show no Maracanã, que é um show de grande porte também, tiveram histórias mais tensas, como da queda de energia e etc. Nesse show, teve alguma coisa que foi curiosa que você se lembre?

Ivete: “Não. Na época que a gente estava provando o show, a minha maior preocupação era atrasar por conta de troca de roupa. Eu troco 20 vezes de roupa, contanto que ela não atrapalhe a proposta do show que é música. Tudo bem que tenha roupa, é lindo, é maravilhoso, mas nada que saia do musical pode me atrapalhar. Então assim, foi uma coisa que a gente ficou muito dedicado, tinha cinco pessoas pra ajudar na troca de roupa porque o tempo maior que eu troquei de roupa foram dois minutos e meio que foi a troca de roupa pra Human Nature porque tinha aquela cabeça de tigre e demorava muito pra eu botar. Mas não teve nenhum empecilho, absolutamente nada, tudo funcionou muitíssimo bem, graças a Deus.”

 

Guia da TV: A gravação desse DVD e show foi a realização de um sonho pra você. É difícil imaginar qual é o seu sonho agora. Eu queria que você falasse sobre isso e também qual é a sua base? O que te mantém no chão diante de tanta fama, de tanto sucesso? O que te faz não pirar?

Ivete: “Essa coisa de pirar é muito da conveniência de cada um. Eu acho estranho essa coisa de pirar por causa do sucesso, eu acho que até é contraditório porque se você sente o gosto dele, a tendência é que você queira manter. Existem casos de sucesso em qualquer
profissão, e existem pequenas regras que são comuns a todas as pessoas. Se você dá uma desleixada no seu trabalho, você perde com isso. Se você é desorganizado, você perde com isso. Se você não reconhece as pessoas ao seu lado, tanto pelo seus talento quanto pela forma como lhe ajudam ou até mesmo por reconhecer, por já ter conhecido um dia, isso é uma grande tolice, então… Eu não sei como lhe dizer, é uma pergunta que até me deixa um pouco constrangida porque eu estou lhe respondendo e validando o fato de eu ter os pés no chão. Ter os pés no chão é você amarrar uma corda no chão e faz isso, aquilo… E acho que está dentro do seu histórico também, a minha família, a maneira como meus pais lidavam com certas situações. Eu sou uma mulher muito simples na minha maneira de viver, o melhor da vida está na simplicidade das coisas.”

 

Guia da TV: Você é uma mãe muito orgulhosa e você vai ter um filho muito orgulhoso também. Como você pretende descrever para ele o que foi gravar um DVD em Nova Iorque?

Ivete: “Ah, não dessa maneira como eu conto hoje pra você porque teremos mais tempo pra detalhes. Então, a gente vai ter tempo e eu vou ter assim o registro em mãos. Não só esse registro, mas de toda uma carreira e aí eu vou me exibir muito! Quando ele quiser sair com os amigos aos 17 anos eu vou falar: mas você não quer ver o DVD da mamãe? Vamos é mais legal! Aí ele quer ir pra um churrasco: que tal o DVD do Maracanã? Que tal a mamãe fazer um show pra você aqui? Chama os seus amigos! (risos)”

 

Guia da TV: Você tem uma relação muito boa com seus fãs, conhece muitos pelo nome e tal. Qual a sensação de tirar muitos aqui do Brasil e levá-los pra Nova Iorque só pra assistir seu show?

Ivete: “Então, os que não puderam ir por falta de dinheiro e tal me mandaram muitas vibrações positivas, fizerem corrente de oração, fizeram muita coisa. E os que puderam ir, me deixaram muito honrada. Mas o que coroou assim a situação toda foi a maneira como eu cheguei lá e me senti tão prestigiada, antes mesmo de o show acontecer. Foi muito bom. E isso se estende pra vocês também, cada um à sua maneira. E olha, obrigada por terem vindo, obrigada pela importância que dão ao meu trabalho. Eu fico muito feliz! E eu espero que vocês ganhem da Universal o CD e o DVD para toda a família! Que ganhem viagens da TAM e sejam muito felizes. Obrigada!”

 

Entrevista: Thaís Coimbra
Texto: Larissa Faria

Foto: Divulgação/Cacau Mangabeira

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