Entrevista com Daisy Lucidi

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Entrevista com Daisy Lucidi 

  

A atriz fala da sua carreira e da experiência em interpretar a malvada Valentina

 

Guia da TV: Onde você achou as referências para essa composição?

Daisy: Esse elementos eu busquei comigo mesma. As primeiras fotografias que tirei o Silvio achou que eu estava muito arrumada, alinhada, ele queira uma mulher mais despojada, ai fui procurar. Ela é dissimulada, ela se finge de doente, mas ela é mau caráter mesmo. Quando a gente vai fazer uma novela, porque a televisão engorda uns quilos, faz uma dietinha antes de começar, para aparecer bem na tela. Eu fiz ao contrário, quis aumentar o peso para dar esse ar bonachão, arrastando o chinelo e consegui.

 

Guia da TV: Como você ingressou na novela?

Daisy: O convite partiu do Silvio, mas foi o Gilberto Braga que me indicou. Antes de Paraíso Tropical eu estava há 30 anos sem fazer novelas. Estava fazendo política, fui vereadora e deputada estadual. Fazer novela hoje é muito diferente. Tecnicamente é mais apurado, é quase um cinema, a gente faz várias tomadas de outros ângulos, mais trabalhoso, mais técnico e mais bonito.
 
 

Guia da TV: E o que te fez voltar à tevê?

Daisy: Eu sempre fui muito amiga do Gilberto e ele me ligou perguntando se eu queria fazer. Eu disse: “Ah, faz 30 anos que não faço, nem sei mais”. Ele disse: “que bobagem, é igual a andar de bicicleta, a gente nunca esquece. Passa aqui em casa no arpoador para gente conversar”. Eu fui lá e ele disse: “eu quero você”. E o papel da sindica foi um sucesso. Me surpreendi, a atriz quer o resultado, quer ser conhecida, estava há tanto tempo sem fazer nada… Fazer uma mocinha, é uma coisa, fazer uma senhora é outra, fazer uma vilã é outra, tem que compor o tipo. Meus filhos e meus netos perguntam onde eu arrumo aquelas caras que eu faço como Valentina, porque eles quase não me viram representar, estão vendo agora. Outro dia meu neto veio me beijar e ele disse não sei nem se eu vou te beijar, porque eu já estou ficando com raiva de você. 
 
 

Guia da TV: E você tem preferência por algum estilo?

Daisy: Não tenho preferência, mas também não quero ficar estigmatizada, não quero fazer vilã a vida inteira! Quero diversificar, fazer uma mulher alinhada, bem vestida, bem penteada. Gostaria de fazer outro tipo.
 
 

Guia da TV: Você pode fazer um balanço da sua carreira?

Daisy: A primeira coisa que eu fiz foi teatro, estreei em um concursos de teatro amador, eu tinha seis anos, fui convidada para fazer teatro para menores, tinham 150 crianças representando. A primeira peça foi “A Gata Borralheira”, entrava no final do primeiro ato e ganhei o título de melhor atriz infantil. Quem estava na comissão julgadora era um diretor da radio tupi e me convidou para ir para o radio. Nunca mais larguei o rádio. Em 71 comecei a fazer um programa de prestação de serviços, o programa cresceu muito porque não tinha, era na época da ditadura. Seis anos depois fui fazer política, me elegi vereadora, o primeiro mandato era de seis anos, depois me elegi como deputada. Eu só sei fazer as coisas entrando de cabeça, procuro fazer o melhor que eu puder. Lá também é um grande teatro, é uma representação, representava a comunidade, defendia os interesses. Depois voltei para a televisão e agora estou apaixonada pela televisão. Sobretudo o Projac, é uma Hollywood. Aqueles cenários me encantam. A Toscana é divina. A rua que eu moro na novela é igual a Tatuapé de São Paulo. 
 
 

Guia da TV: O que foi mais difícil durante a mudança de visual para interpretar a “Valentina”?

Daisy: Esse esmalte tinha que ser a cor da “Valentina”, na hora eu pensei que esmalte horroroso, porque eu só usava branco, mas agora me acostumei, já gosto (ela estava usando um esmalte escuro). O cabelo mudou, está mais desarrumado, a maquiagem não tem sombra. Eu sou muito vaidosa, não é um tormento aparecer enfeitada, eu sou muito vaidosa, mas tive que enfrentar no personagem, espera ter a oportunidade de um dia aparecer bem.

 

Guia da TV: Quais são os seus planos para o próximo ano?

Daisy: Continuo no rádio, com o meu programa que está a 39 anos no ar e que presta serviços a comunidade. Continuo fazer radio mesmo fazendo televisão. E espero que me chamem mais pois quero continuar na tevê.

Entrevista: Manu Machado/Colaboradora
Foto: TV Globo/Bob Paulino

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