Em entrevista, Malvino Salvador fala sobre seu personagem em “Amor à Vida”

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Malvino Salvador nasceu em Manaus e se mudou para São Paulo para seguir carreira de modelo. Em 2004, estreou na televisão com a novela Cabocla interpretando Tobias, um dos co-protagonistas da história. Hoje, aos 37 anos, Malvino está no elenco da nova atração das nove, Amor à Vida, que substituirá Salve Jorge. Na trama, o ator irá interpretar Bruno, um homem de classe média que perde sua esposa e filho devido à complicações no parto, mas que, logo depois, encontra uma criança abandonada e resolve criá-la como sua. O que ele não sabe é que a bebê havia sido roubada da mãe biológica. Em entrevista, Malvino Salvador contou tudo sobre seu personagem e o desenrolar dessa história. Confira!

Malvino Salvador fala sobre seu personagem em Amor à Vida

Foto: Estevam Avellar / TV Globo

Guia Astral – O que você acha que é necessário para ser um bom pai?
Malvino – Você tem que ser maleável na hora certa e cobrar na hora que tem que cobrar. Não é fácil educar uma criança. Para ser um bom pai, você tem que ler a respeito. Tem muitos livros bons que falam sobre educação. A criança tem que ser educada para o mundo. Ela precisa saber respeitar os outros, amar o próximo, saber lutar pelas coisas. São muitos pontos, poderíamos falar horas e horas sobre educação.

Guia Astral – Na novela Amor à Vida, depois da morte da sua esposa e da sua filha, encontrar Paula e adotá-la será uma nova chance de Bruno ser feliz?
Malvino – Eu acho que a Paula é a única coisa que ele vai se apegar na vida depois da tragédia. Imagina, tragédia é o sentimento mais profundo de dor que um ser humano pode sentir. E no mesmo dia que ele experimenta essa dor, ele também encontra a possibilidade de sentir amor. Mas ele nunca vai deixar de carregar essa dor, pois a esposa e a filha vão estar presente na vida desse cara.

Guia Astral – Como será o envolvimento dele com a Paloma?
Malvino – Então, ele vai conseguir abrir o coração para uma nova mulher 12 anos depois, que é a Paloma. E isso é o mais interessante, pois o destino prega peças. Ele vai estar com a mãe da menina que ele pegou para criar como filha, mas não sabe. Seria tudo maravilhoso. Mas, se isso acontecesse na trama, a história dos nossos personagens iria acabar, né? Então, o autor vai colocar a questão social, de ele ser de classe média e ela ser rica. E também tem a questão do meu personagem mentir para ela. Aliás, ele não mente, ele omite. Ela vai desconfiar dele e, depois de saber a verdade, vai achar que foi ele quem roubou a criança. Eles vão se separar depois disso, e ela vai brigar na justiça pela filha. Mas aí vem uma outra questão, que é a relação da Paula com a mãe que ela não conheceu. São muitas coisas bacanas e contundentes na novela. Estou maravilhado com o texto.

Guia Astral – Mas essa relação dos dois não será à primeira vista?
Malvino – Não será um encantamento de forma usual. Eles vão se conhecer no hospital. A Paloma vai ver os bebês no berçário e meu personagem vai estar lá. Ou seja, ela terá o primeiro contato com a filha recém-nascida, sem saber que a filha é dela. Vai ter uma cena maravilhosa. Porém, nesse momento, não será interesse entre homem e mulher, é um sentimento de cumplicidade, pois os dois passaram por uma perda. Aí, 12 anos depois, eles irão se reencontrar, pois a criança terá que se tratar. Eles vão se aproximar e começar a namorar. Aí, sim, ele vai se apaixonar. E ela percebe que ele tem um bom caráter. O Bruno só fez o que fez por causa do amor.

Guia Astral – O Bruno nunca teve medo de esconder esse segredo?
Malvino – Pelos olhos na lei, ele agiu errado. Ele deveria pegar a criança e levar para as autoridades. Mas, num país que acontece inúmeros casos de abandono, passou pela cabeça dele que foi a mãe que deixou a criança ali, na caçamba. E o sistema de adoção no Brasil é muito complicado, existe muita burocracia. Outra coisa, no momento em que ele pegou a Paula, ele só queria ter o coração amparado, não levou em consideração que poderia estar fazendo algo de errado. Doze anos mais tarde, ele vai perceber que, se ele tivesse entregue a criança às autoridades, a mãe poderia tê-la encontrado. E a Glauce, a médica que mudou a documentação, também vai se meter numa enrascada, pode até perder o direito de exercer a profissão. É um caso complicado que envolve ética e valores. Mas ética e valores não é o mais importante no Brasil, os políticos provam isso por aí.

Guia Astral – Você fez algum laboratório ou está fazendo tudo com o seu coração?
Malvino – Esses casos a gente vê sempre, toda hora. Por isso que eu acho que essa história vai se conectar com o público muito facilmente, pois isso acontece cotidianamente. Então, não precisei fazer uma pesquisa. Já tive pessoas próximas que perderam entes queridos, pude observar a reação dessas pessoas. E através dessas experiências, estou compondo o personagem.

Guia Astral – Você teve alguma preparação de elenco?
Malvino – Nós temos um preparador de elenco, o Sérgio Pena, que é maravilhoso. Já estamos trabalhando com ele há uns quatro meses. E nesse tempo, fizemos reuniões e nos encontramos para discutir o personagem. Minha família na trama, por exemplo, nós fizemos leitura, discutimos a relação que cada personagem tinha. Muitas vezes isso não acontece, mas a preparação é mais importante que a gravação em si. Ela dá a base.

Guia Astral – Nessa briga pela guarda da Paula, com quem você acha que ela deve ficar?
Malvino – É difícil, não sei nem te dizer. Nesse caso, acho que tem que pensar na criança, no que ela quer. Mas acho que tem que dar o direito da mãe estar presente e se aproximar também. É um tema muito complicado, mas é interessante e pode gerar muitas discussões. Mas, cada caso é um caso e não tem uma razão definida. Até em sociedades diferentes pode haver divergências: aqui no Brasil as pessoas pensam de um jeito, na Índia as pessoas pensam de outra. É uma questão cultural. É delicado o tema.

Guia Astral – Você parece bem empolgado com o personagem. O que o Bruno significa pra você
Malvino – Não dá pra dizer que é minha maior empolgação, mas é uma das maiores. Porém, já tive bons personagens. Meu primeiro trabalho, por exemplo, o Tobias, de Cabocla, não dá pra esquecer, foi importantíssimo na minha carreira. Já o Vitório, de Alma Gêmea, foi uma comédia que eu me diverti muito, aprendi bastante, trabalhei com uma parceira maravilhosa, que foi a Drica Moraes. Tem o Régis também, de Sete Pecados, que eu me diverti muito e até pratico esporte hoje porque aprendi com ele. Mas o Bruno tem uma potência maior de ganhar as pessoas, pois o sentimento é mais profundo. Então eu sinto que é uma oportunidade de as pessoas compartilharem dessa emoção e questionarem a respeito do ato dele, de pegar a criança… Enfim, estou muito empolgado com a potência do personagem.

Guia Astral – Ainda tem algum papel especial que você gostaria de fazer na TV?
Malvino – Ah, tem tantos personagens! Gostaria de fazer uma série de ação e quero fazer meu filme com o José Aldo, que é uma história que fala sobre superação. Mas o mais importante é ter uma boa história. E eu acredito também que não é você que pega o personagem. É o personagem que te escolhe.

Guia Astral – Você teve contato com alguém que já adotou uma criança?
Malvino – Já tive, sim. E é engraçado, porque, às vezes, uma criança adotada é mais querida que um filho biológico.

Guia Astral – Qual é a importância que você dá a esse assunto em uma novela das nove?
Malvino – Acho que é abordar essa questão da ética, dos valores… O eixo da trama é uma criança, aí entra a questão do que vale mais: as regras, a vontade da mãe, do pai, enfim, tem muito pano para discussão. E também tem a questão da demora da adoção.

Guia Astral – Como é sua relação com a Klara Castanho, a intérprete de Paula, nos bastidores?
Malvino – Ela é maravilhosa, uma princesa, uma menina inteligentíssima, amorosa, carinhosa. Estou apaixonada por ela!

Guia Astral – E você também é paizão na vida real?
Malvino – Aqui a gente está falando da novela (risos).

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