Cauã Reymod revela: ”Eu amadureci muito em treze anos de carreira”

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O taurino Cauã Reymond contou tudo sobre suas expectativas para ”A Regra do Jogo”. Com 35 anos e pai de Sofia, Cauã se preparou para a novela sentindo a realidade do seu personagem. O gato, que já está acostumado a fazer mocinhos nas novelas da Globo, disse que dessa vez fará um galã diferente. Sem se esquivar de perguntas sobre sua ex, Grazi Massafera, Cauã foi bem simpático e otimista em entrevista para a Guia Astral!

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Foto: Ellen Soares/Gshow

Guia Astral: João Emanuel e Amora Mautner fizeram grande sucesso em “Avenida Brasil”. E agora eles voltam a formar parceria em a “A Regra do Jogo”. A expectativa de um novo sucesso é grande?
Cauã Reymond: Para nós, atores, a expectativa grande e aqui temos uma dupla que dá muito certo que é a Amora (Mautner) e o João Emanuel, uma dupla das melhores na TV. Eles fazem parte dessa nova era, do momento de renovação da nossa dramaturgia. E é muito cruel a gente criar uma expectativa de um sucesso de como se fosse uma segunda “Avenida Brasil”. Esse tipo de sucesso, dessa envergadura que foi “Avenida Brasil”, não tem uma matemática para você fazer as contas e tudo dar certo. Mas espero entreter o Brasil com essa novela. Aqui temos atores como o Alexandre Nero com um papel lindo, a Giovanna (Antonelli), a Vanessa (Giácomo), está todo mundo torcendo para fazer uma novela bem bonita.

Guia Astral: Fale um pouco do Juliano?
Cauã Reymond: Ele é um cara que tem muita esperança. Ele tem honra e hombridade que são, de certa forma, características cada vez mais raras na dramaturgia. Mas ele carrega uma revolta com todas as injustiças de que foi vítima.

GA: A cenografia da novela ajuda você a ‘entrar’ no personagem?
Cauã Reymond: A gente está com uma cenografia incrível, na minha opinião. Já em Avenida Brasil tínhamos uma cenografia maravilhosa, com o lixão. E eu acho que a Favela da Macaca também está incrível. É bem mais fácil você filmar e gravar, porque a gente se identifica e sente que está em  um lugar muito próximo à realidade daquele personagem.

GA: Juliano foi criado na comunidade da Macaca. Você já visitou algumas comunidades no Rio?
Cauã Reymond: Eu fui criado no bairro da Gávea, estudei num colégio que fica ao lado do Parque da Cidade, da Rocinha. E tive vários amigos que eram da Rocinha. Infelizmente, alguns foram para outro lugar. Eu fui criado bem ali, no limite da Gávea e Rocinha. Eu me preparei para o personagem e andei em algumas em comunidades na cidade. Eu tenho muitos amigos no Vidigal. Este final de semana eu fui curtir uma festa no Vidigal e adorei. Eu sou muito amigo do pessoal do Projeto Nós do Morro, e temos atores deles aqui e tenho uma relação boa e me identifico com eles.

GA: Esse seu visual é completamente diferente do Jorginho de Avenida Brasil, né?
Cauã Reymond: É sim. O Jorginho tinha barba e esse personagem, não. Eu tenho 13 anos de carreira e milhares de personagens. Daqui a pouco, só pintando o cabelo de vermelho (risos). Não tem muito o que fazer, é difícil. O que aconteceu comigo foi que no final de “Dois Irmãos” rasparam a minha cabeça a zero. E eu tinha muito pouco tempo por conta desse momento que Babilônia chegou um pouco para a frente e nós tivemos que adiantar a nossa novela. Por mim, eu tinha deixado o meu cabelo crescer um pouco mais.

GA: E as tatuagens do personagem? O processo é demorado para colocá-las?
Cauã Reymond: É um processo que vai ficando cada vez mais rápido. Você vai ficando parceiro do cara que está ali. Daqui a pouco, você chega atrasado e com pressa, e diz ‘vai, vai, irmão, que eu estou atrasado’.

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Foto: Reprodução/TV Globo

GA: E os retoques?
Cauã Reymond: De dois em dois dias, porque eu cuido bem dela. Não faço todo dia. Tento cuidar dela.

GA: Você tem alguma tattoo verdadeira?
Cauã Reymond: Não tenho tatuagem verdadeira.

GA: Você estreou em novelas com o João Emanuel, e também em um personagem de luta. Naquela época, você usou seu conhecimento de jiu jitsu (ele é faixa preta de jiu jitsu)?
Cauã Reymond: Não, porque jiu jitsu não tinha nada a ver com o que a gente apresentava na família Sardinha (Da Cor do Pecado). Lá, fizemos muita aula de kung fu. Esse personagem tem mais a ver com o jiu jitsu.

GA: Nessa trama tem alguma cena de luta?
Cauã Reymond: Não tem cenas. Ele é um líder comunitário que usa a luta para tirar os meninos do tráfico de drogas. Ele não é um lutador profissional. Tem mais a ver com a filosofia por trás da luta. Na verdade, ele se aproxima até mais da filosofia do judô, que é uma coisa mais estabelecida, se podemos dizer assim.

GA: Ele é mais esportista?
Cauã Reymond: De certa forma, ele é um professor, não um atleta. Isso muda muito. Eu sei que para as pessoas de fora parece que é apenas o esportista, mas não.

GA: Você acabou virando o ”pé de coelho” do João Emanuel?
Cauã Reymond: Eu fico lisonjeado quando vocês dizem isso. Eu gosto muito. Eu e o João temos uma química muito grande no texto. Me sinto superconfortável em tirar ou colocar uma frase, e isso desde o começo. Acho que ele é responsável por uma grande virada na minha carreira como ator, aqui dentro. Principalmente, dentro da televisão, que foi “A Favorita”. Foi um personagem superimportante, que tinha um arco super bonito. ”Avenida Brasil” me fez conhecido na América Latina inteira, inclusive de férias, para surfar. Eu fiquei muito surpreso com a repercussão e com o assédio, principalmente na Argentina, quando fomos eu, a Débora, o Caruso e o Alexandre Borges. Fiquei muito surpreso com o evento feito para isso. Eu fico lisonjeado, mas se sou ”pé de coelho”, acho que você tem que perguntar para ele.

GA: Você pensa em uma carreira internacional?
Cauã Reymond: Eu já recebi alguns convites. Mas, cara de alguns anos pra cá, venho trabalhando com alguns profissionais que são extremamente talentosos e, na minha opinião, não deixam a desejar a nenhum profissional internacional. Isso me faz continuar aqui. Eu pude trabalhar com o Villamarin, com o Alvarenga, com o Luiz Fernando Carvalho, com vários diretores de cinema de renome também. Isso me deixa em um lugar onde eu sempre tenho um projeto quando acaba o outro. Quando acabar a novela, eu já tenho um filme superbacana para fazer. Então, se a carreira internacional acontecer, algum desses filmes ganhar um festival importante e os convites pintarem, não vou ter nenhum problema em analisar isso. Mas ir para os Estados Unidos e ficar batendo nas portas, não. Eu tenho uma filha, né?

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Foto: Divulgação/Tv Globo

GA: Como você concilia o seu tempo para ficar mais tempo com ela?
Cauã Reymond: Está tudo ótimo. Com a novela, o tempo diminui um pouco, mas o importante é a qualidade do tempo que você tem com ela.

GA: Ela já te assiste?
Cauã Reymond: Ela pergunta por que querem tirar tanta foto comigo. Eu respondo que é o porque ‘o papai trabalha na televisão’. As pessoas assistem o papai. Normal.

GA: O Juliano tem um quê do seu personagem de ‘O Caçador’?
Cauã Reymond: Não. É muito diferente como a trama se desenvolve. No início, quando você olha, você até acha que é parecido. Mas a forma como a coisa acontece é diferente. E os personagens também são muito diferentes. O personagem do caçador era um personagem autodestrutivo, o que o Juliano não é. São traços de personalidade que diferenciam muito os dois. O cara do Caçador fumava, bebia, o Juliano não. Ele é um cara mais ligado à saúde, em prol do resgate de jovens. É um cara agregador, o que eu acho importantíssimo. O personagem do Caçador era um guerreiro solitário, tinha dificuldade de estabelecer relacionamentos, principalmente relações estáveis com mulheres.

GA: É verdade que você se inspirou em um amigo para compor o Juliano?
Cauã Reymond: É uma coisa muito bonita, quando você vê que a pessoa entende que a missão dela é essa na vida. Meu amigo entendeu isso: que ele tem uma missão e a missão dele é ajudar os outros. Me inspirei em um amigo próximo, um professor de luta. Mas, não vou dizer quem é, porque não falei nem pra ele ainda. Vai que ele não gosta? Ele é professor de várias comunidades, treina atletas muito pobres, ajuda esses atletas. Eu faço aulas com ele sempre e já fui na comunidade também.

GA: Você se identifica com o personagem?
Cauã Reymond: Eu acho que me identifico com ele em vários lugares sim. Mas, ficar dizendo para você quais, eu perco a magia do que eu faço.

GA: Para ‘Dois Irmãos’, você teve que emagrecer. E agora?
Cauã Reymond: “Eu deixei de fazer musculação durante um ano. Agora, eu voltei e intensifiquei um pouquinho. Porque eu fiquei muito tempo sem fazer nada para a série. Meu corpo é muito normal.”

GA: Viciado em musculação?
Cauã Reymond: Não. Sou viciado em endorfina. Quando eu fiz o Danilo, que era dependente químico e  eu tive que operar o quadril, me lembro que eu fiquei muito mal humorado. E um dia, um amigo me disse que eu estava tendo uma crise de abstinência de endorfina. Era verdade. Não faço dieta. Sempre comi bem.

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GA: Hoje, você se considera um cara mais maduro?
Cauã Reymond: Eu percebo isso, graças a Deus, e fui amadurecendo na frente do público. Eu comecei muito verde, tenho treze anos de carreira e consigo perceber esse crescimento.

GA:  Por conta da fraca audiência de “Babilônia”, você sente uma pressão maior para que “A Regra do Jogo” seja um grande sucesso para o horário nobre?
Cauã Reymond: A responsabilidade já vem do grande sucesso de “Avenida Brasil”. É uma pena “Babilônia” não dar certo porque a gente vê um trabalho tão bonito dos atores e, às vezes, não emplaca. Nem sei como explicar direito o que acontece com essa novela. Mas aconteceu… Agora, nós estamos chegando com um time forte, com um a proposta de trabalho boa, com um texto que abre muitas portas para serem trabalhadas, e estamos com a responsabilidade de estarmos trabalhando numa obra aberta e que eu acho que o público vai gostar.

GA: Qual o balanço que você faz dessa sua nova fase profissional?
Cauã Reymond: Eu estou em uma fase boa, graças a Deus. Tem muita coisa legal acontecendo. Estou em um momento profissional tanto aqui dentro quanto fora, com os filmes que eu estou produzindo e com os que eu participei na produção. Acho que estou vivendo um momento especial, tenho uma filha maravilhosa, incrível, linda. Está tudo certo. As dificuldades, a gente tenta enfrentar de frente e não fazer um grande drama sobre tudo o que acontece.

GA: Você é o pai que você queria ser?
Cauã Reymond: Ah sou! Graças a Deus. Queria ter mais tempo, queria trabalhar menos. Mas, daqui a pouco, começo a trabalhar um pouco menos.

GA: Tem acompanhado a ex-mulher em ‘Verdades Secretas’?
Cauã Reymond: Tenho acompanhado a novela e estou gostando. Ela está muito bem! Falei com ela e dei os parabéns pelo telefone. Tenho ouvido muitos elogios e estou feliz por ela. Mas a Grazi sempre foi uma grande atriz e uma grande profissional. Ela veio de muitas mocinhas e, agora, pegou uma personagem muito diferente.

GA: Como você encara a cobrança da imprensa em relação a sua vida amorosa?
Cauã Reymond: Sabe que há muito tempo não arrumam mais namoradas para mim?  A última foi até uma colega de trabalho, mas não tinha nada mesmo e por isso não fiquei e nem fico chateado. Estou solteiro.

Entrevista: André Romano e Márcio Gomes/Colaboradores

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