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Na Malu 399 você confere uma matéria que vai ajudar muitos pais que enfrentam o problema de filhos envolvidos com drogas, que aborda os principais sinais, o passo a passo da recuperação e a participação da família neste período. Aqui no Papo Feminino trazemos um tira-dúvidas com o psicanalista Olivan Liger sobre o tratamento e drogas mais comuns.

Quais são os tipos de drogas mais comuns (inclusive aquelas mais modernas, em comprimidos)?

Na nossa sociedade, percebemos que o álcool é a droga lícita causadora do maior índice de dependência química entre adolescentes, servindo como portal para o uso da maconha. Como é comum no abuso de drogas, o fenômeno de tolerância ocorre sempre que é necessário aumentar a quantidade de droga usada para obter o mesmo prazer. Com isto, facilmente se salta da maconha para a cocaína ou crack (derivado da cocaína). Nas raves, baladas da moda e casas noturnas, há a oferta dos comprimidos de ecstasy, uma droga sintetizada em laboratório, altamente psicoativa e neurotóxica, que proporciona uma sensação de euforia, de potência física e bem estar, porém causadora de danos irreversíveis ao sistema nervoso central. Os inalantes, usados principalmente por moradores de ruas e pessoas de baixo poder aquisitivo, abrangem uma gama de produtos, que vai desde gasolina, querosene, cola de aeromodelismo, cola de sapateiro a removedores de tinta. São altamente nocivos ao sistema nervoso central e funcionam como relaxantes e depressores do sistema nervoso.

O que fazer quando o jovem não aceita o tratamento?

O usuário de drogas raramente aceita de forma espontânea o tratamento, principalmente num estágio avançado de dependência. Nesse caso, mediante um laudo psiquiátrico, é possível a internação involuntária. Sempre que o usuário oferecer perigo a si mesmo e ao seu meio, a internação involuntária se faz necessária. Cabe à instituição a comunicação legal da internação ao ministério público e o cumprimento das ações legais para a permanência do paciente na clínica.

Como saber se o tratamento foi bem-sucedido?

Um tratamento bem sucedido implica em mudanças comportamentais e psíquicas não só no usuário como em toda a família. Implica no restabelecimento dos vínculos afetivos e na possibilidade de expressão de pensamentos e sentimentos de forma espontânea. Implica ainda na conscientização do dependente e da família de que o usuário de drogas é portador de uma doença crônica e que será sempre um usuário em recuperação, devendo sempre afastar-se de ambientes propícios ao uso da droga, adquirindo novos hábitos que proporcionem o seu fortalecimento. Recaídas podem acontecer, mas dentro de um ambiente saudável, elas tendem a reduzir-se gradativamente.

Texto: Aline Mendes
Consultoria: Olivan Liger de Oliveira é psicanalista, especializado no tratamento de dependência clínica, sócio diretor da SOMA Reabilitação e Consultoria em Dependência Química, em Ribeirão Pires (SP).

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