Medo sem controle? Entenda a síndrome do pânico

Avalie

Incapacitante, é o pavor que se instala na vida de quem sofre com a síndrome do pânico. O problema deve ser encarado como doença, pois compromete (em níveis críticos) a vida de quem dela sofre

Quando a insegurança, o medo e a depressão alcançam níveis insustentáveis na vida de um indivíduo é porque já se instalou um quadro de síndrome do pânico, doença psíquica que atinge de 2% a 4% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A ansiedade e a sensação de morte iminente geram pavor, que resulta em isolamento e vários sintomas físicos.

menina com medo

Foto: Thinkstock/Getty Images

Tortura emocional

Tremor, taquicardia, tontura e muito suor são apenas alguns dos sintomas que afligem a pessoa que sente como se fosse morrer ou enlouquecer em questão de segundos. “A síndrome do pânico é um quadro de extrema ansiedade, insegurança e fobia.

A intensidade desses sentimentos é tão forte que a impressão que se tem é de ter chegado ao fim da linha”, descreve o psiquiatra Leonard Verea, especialista em medicina psicossomática e hipnose dinâmica.

As crises são imprevisíveis e não dependem, exclusivamente, de situações determinadas, como ambientes com aglomeração de pessoas ou cobranças profissionais. Por todos esses medos, o portador da síndrome tende a se isolar, acreditando se defender de possíveis agressões.

 

Gota d’água

“Embora na maior parte das vezes não haja causas definidas – as crises aparecem de modo inesperado –, acredita-se que o pânico surja em decorrência de situações mal ou não resolvidas acumuladas ao longo dos anos”, compartilha o psiquiatra. Como uma gota num copo cheio ao limite, as emoções transbordam, especialmente a ansiedade.

Também deve-se considerar as demandas da vida moderna, que exigem cada vez mais das pessoas. Casa, família, trabalho, estudo, excesso de informação, apelos tecnológicos, imediatismo… O enorme fluxo de informações pode levar o indivíduo à sensação de desamparo, incapacitado-o de fazer tarefas simples e cotidianas.

 

Excesso de cobrança

Você é do tipo que acumula funções, nunca diz não para os outros, encara qualquer responsabilidade, sempre com muito perfeccionismo e recusando qualquer possibilidade de erro ou imprevisto? Cuidado! É exatamente esse o perfil das pessoas mais suscetíveis ao pânico.

“Indivíduos que precisam sempre do lugar de destaque são sensíveis, primeiro por não admitirem um resultado abaixo do 100% e depois pela pressão de querer corresponder às expectativas alheias”, diz Verea. Mesmo não havendo um consenso, acredita-se que a doença emocional afete de duas a quatro vezes mais mulheres que homem.

 

Baixe a guarda

Mas mesmo que alguém tenha propensão à síndrome do pânico, é possível prevenir o mal. O primeiro passo para isso é a aceitação. “Logo que a pessoa começa a apresentar sinais de depressão, ansiedade, picos de altos e baixos de insegurança e indecisão precisa aceitar sua fragilidade. Só a ajuda terapêutica pode amenizar os conflitos internos, evitando que eles se exteriorizem”, diz o especialista.

Buscar ter mais tolerância consigo também é fundamental no processo de cura. Afinal, estar na média, alcançar resultados semelhantes aos da maioria não é humilhante ou ruim. E mediocridade não precisa ser uma característica pejorativa, desde que você entenda o valor e os benefícios do equilíbrio.

 

Raiz do problema

“Em quadro de síndrome já instalada, é possível que o paciente se cure de seis meses a um ano com tratamento. Mas é bastante difícil definir um prognóstico, já que a solução depende da complexidade de cada caso e da disponibilidade de cada pessoa para enfrentar sua resistência e autodefesa”, explica Verea.

Geralmente, associa-se terapia a medicamentos, que dão um suporte na correção de alterações bioquímicas. É importante que o paciente amadureça ao longo da terapia, compreendendo as causas e os efeitos de suas aflições. De acordo com o psiquiatra, o método da hipnose é bastante eficiente, por buscar no inconsciente as razões para a fobia.

Além dos prejuízos sociais, o pânico pode evoluir, levando o indivíduo a situação extrema de isolamento.

 

Depressão ou síndrome do pânico?

Essas duas doenças psíquicas podem estar associadas e acontecer em função uma da outra. Porém, tratam-se de coisas diferentes. A depressão caracteriza-se pela sensação de impotência múltipla. Já o pânico é a sensação de morte repentina. As crises desse último mal aparecem subitamente e duram de 10 a 20 minutos.

 

Texto: Marcella Pacheli
Consultoria: Leonard Verea, psiquiatra especialista em medicina psicossomática e hipnose dinâmica

Mais lidas