Sexo entre amigos

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Diversão ou roubada? Três mulheres respondem a essa questão bem atual – e especialistas dão as dicas para você curtir ou correr da amizade colorida

Se você nunca transou com um amigo, pergunte para suas amigas se alguma delas já passou pela experiência. É bem provável que a resposta seja surpreendente. Segundo pesquisa do jornal inglês Daily Mail, 34% de um total de 2.168 entrevistados entre os dois sexos admitiram ter “amigos com benefícios”, como é chamado esse tipo de amizade por lá.

Ou seja, amigos e amigas – livres, leves e soltos – de vez em quando ou por um período de tempo, geralmente na época da “seca”, decidem incrementar a amizade e encaixar o sexo na relação. Detalhe: continuam amigos.

casal-se-beijando-debaixo-aguaOu seja, não há cobrança, ciúme e muito menos compromisso. As regras são bem claras. A estudante de direito Denise Freitas, 22 anos, é uma das adeptas de sexo entre amigos.

Com um amigão desde 2008 – daqueles de conversar horas sobre tudo –, ela diz que nunca havia sentido atração pelo amigo, até um outro amigo gay cobri-lo de elogios e ela pensar: “Hummm, até que eu poderia dar um beijo nele”. Logo em seguida, o destino deu uma ajudinha e o amigo passou a ser seu vizinho.

Em uma das frequentes sessões de filme no escurinho da sala, os dois acabaram que nem um casal de pombinhos numa típica noite de sábado: filme, pipoca e sexo. Para Denise, se tivesse passado antes pela cabeça que poderia transar com o amigo, não teria ficado tanto tempo sem transar.

Eu estava sentindo falta de sexo, e comigo não rola em balada. Já com o meu amigo tenho intimidade em ir para a cama. Foi até melhor, porque não tive nenhuma encanação com o corpo, rolou superlegal. Depois da cama, a gente volta a ser amigo. Conversamos o de sempre, sem constrangimentos. Nenhum dos dois tem intenção de virar um casal. Está legal desse jeito, enquanto ninguém arrumar namorado”, conta ela.

 

Sexo de um lado, afeto do outro

Denise se encaixa nos 19% da pesquisa(citada no início), ou seja, mulheres que fazem sexo com amigo por pura diversão. Nada surpreendente, já que os homens estão acostumados a isso há muito tempo.

“Eles aprenderam a privilegiar o prazer e separar sexo de afeto. Antigamente, existia a mulher para casar e outra para se divertir, era uma herança cultural. Hoje, as amigas são mulheres com quem podem se divertir e compartilhar amor fraterno e ter intimidade, sem cair na conotação da ‘mulher prostituta, ou vagabunda’”, explica a sexóloga Ana Canosa, diretora da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH).

Para o sexo feminino, essa distinção ainda é recente. ”Com essa maior liberdade, algumas conseguem separar sexo de afeto de uma maneira correta. São mais objetivas e mantêm a relação no âmbito sexual e não no emocional”, explica Maria Claudia Lordello, psicóloga e sexóloga da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

 

Confusão de sentimentos

Mas há quem ainda não consiga separar o joio do trigo. E, de acordo com os especialistas, são a maioria. Muitas acabam se machucando emocionalmente e até cortando os laços de amizade. Uma roubada, como o caso da professora Maria Lúcia Serrano, 26 anos. Saindo de um relacionamento desastroso, ela estava um poço de carência quando passou a sair direto com um amigo. Ficou chorando no ombro dele até que pintou o clima.

“Tenho amigas que transam com amigos e achei que ia conseguir também. Logo me apaixonei e me peguei, sem querer, cobrando coisas e me comportando como namorada. Ele ouviu meu desabafo, mas foi bem sincero e disse que era só transa de amigo. Inclusive queria continuar no esquema amizade e sexo. Dei um basta e não consegui manter o arranjo e muito menos a amizade. Foi uma situação bem chata, aprendi a lição”, desabafa.

Em casos assim, quando um dos dois se envolve emocionalmente, a amizade tem tudo para se abalar. Se for um amigo importante, vale a pena conversar sobre o conflito e tentar pelo menos salvar a relação. A psicóloga Maria Claudia indica um afastamento temporário nesse caso. “Para que a amizade não se perca, o ideal é a pessoa interessada dar um tempo para trabalhar as emoções. Com o distanciamento, será possível entender os sentimentos e acalmar os ânimos”, aconselha.

Os homens parecem estar sempre dispostos a dividir os lençóis com a amiga, já as mulheres costumam recorrer ao sexo com o amigo por carência afetiva, enquanto a cara-metade não dá as caras. É o caso da relações-públicas Rafaella Ferreira, 25 anos, que já fez sexo com alguns deles. Na primeira vez, quase se apaixonou, mas ele logo viajou para o exterior a trabalho e só restou esquecê-lo.

Nas outras vezes, reconhece que só aconteceu o sexo por pura carência e vontade. Exceto por uma vez, não estava a fim de namoro em nenhuma das situações. “Gosto apenas de ter essa opção quando sinto vontade de fazer sexo e estou carente. É uma forma de aplacar a ansiedade”, afirma Rafaella.

 

O que eles dizem…

“No meu caso, é sempre bom, porque já rola uma intimidade. E quando arranjo uma namorada, elas sempre torcem pela minha felicidade.”
Fernando Garcia, 23 anos, personal trainer

“Homem solteiro está sempre disposto a transar. E sempre acabam rolando situações que favorecem, como uma festa, um show, uma viagem. Já fiquei com várias amigas minhas e, no dia seguinte, a amizade continuou. Sem complicações.”
Sergio Cabral, 27 anos, empresário

“Já fiquei com algumas amigas, mas o problema é que elas começam com um discurso e terminam com outro. Sempre querem compromisso. Algumas viraram a cara para mim e acabou a amizade.”
Carlos Alberto Soares, 28 anos, professor de judô

 

 

Texto: Daniela Venerando

Foto: Thinkstock/GettyImages

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