Síndrome do pânico: entenda essa doença e saiba como tratá-la

Mulher triste deitada

Foto: Thinkstock/Getty Images

“Até eu me sentar na frente da psiquiatra foram horas intermináveis. Tomei muito chá de erva-cidreira, achando que iria aquietar os sintomas. Isso aconteceu em 1988, no auge da minha juventude e tomar remédio não estava nos meus planos. Nos primeiros 20 dias de tratamento eu pirei, pois o medicamento potencializava tudo o que eu estava sentindo. Eu que adorava dirigir, fiquei oito meses sem pegar no carro. Para ir ao trabalho, ou me levavam de carro, ou eu ia de táxi, de moto ou de ônibus, mas sempre em companhia de uma pessoa, nunca sozinha. Esse processo durou uns seis meses”.

Esse é o relato de Sonia de Pieri, assessora de imprensa que passou por uma das doenças psiquiátricas mais comuns: a síndrome do pânico. Coração acelerado, problemas para respirar e tontura estão entre os sintomas mais conhecidos da doença, que pode transformar a vida de uma pessoa em um sufoco interminável.

A Professora Ana Maria Ferreira, coordenadora do curso de Psicologia na Anhanguera UNIBAN, explica quais são os principais sintomas da doença e o tratamento adequado para quem sofre com o transtorno:

Como acontece?

A especialista explica que a doença atinge principalmente adultos na faixa dos 30 anos, em sua maioria, mulheres: “Geralmente o pânico acomete o sujeito durante atividades rotineiras, como ler um livro, dirigir um carro ou durante um voo”.

Ela ainda aponta o que caracteriza um ataque de pânico: “Durante esses ataques estão presentes os seguintes sintomas: falta de ar, palpitações, dor ou desconforto no peito, sensação de sufocamento e medo de enlouquecer ou de perder o controle”.

Sintomas que caracterizam o pânico

Existem pelo menos 13 sintomas que caracterizam a síndrome do pânico. Para o paciente ser diagnosticado com a doença, ele precisa ter passado por pelo menos quatro, entre eles:

-Palpitações

-Sudorese (intenso suor)

-Tremores ou abalos

-Sensação de falta de ar ou sufocamento

-Dor ou desconforto no peito

-Náusea ou desconforto abdominal

-Tontura ou vertigem

-Estranhamento sobre si próprio (despersonalização)

-Medo de “enlouquecer”, de perder o controle

-Medo de morrer

-Calafrios ou ondas de calor

-Formigações ou entorpecimento

 

“O ataque tem um início súbito e atinge um pico, num período de aproximadamente 10 minutos”, explica a professora.

 Principais causas

A professora também afirma que existem alguns fatores precipitadores que devem ser considerados: “Pessoas que vivenciaram doenças ou acidente graves; perda de uma relação interpessoal íntima; separação da família; início de faculdade; emprego fora da cidade natal; hipertireoidismo; pós-parto ou uso de drogas psicoativas são mais vulneráveis à doença”.

É importante frisar que a doença pode atingir qualquer pessoa: “Deve-se levar em conta sempre a história de vida do indivíduo e a cultura na qual está inserido”, pontua Ana Maria.

Origem do transtorno

Os pacientes que apresentam a síndrome do pânico geralmente se descrevem na infância como crianças tímidas, nervosas e medrosas.“Pode-se considerar que do ponto de vista emocional, os ataques de pânico têm, na sua base inconsciente, vivências de separação, experimentadas com grande sofrimento, principalmente na infância e adolescência. Essa separação pode ser entendida dentro de um grande espectro, incluindo a separação no desmame do bebê, na entrada para a escola, divórcio dos pais, etc. Situações que provocam grande medo de desamparo e que são retomados na vida adulta”, conta a coordenadora da Anhanguera.

Porém, ela ainda complementa que eventos estressantes na vida adulta também estão relacionados com a síndrome: “Pesquisas apontam vivências estressantes em um período de 12 meses antes do aparecimento da síndrome”.

Tratamento

“Tendo em vista os componentes emocionais envolvidos, faz-se necessário o acompanhamento psicoterápico, no sentido de o sujeito aprender a lidar com suas angústias, de modo a não ficar à mercê delas. Os antidepressivos também têm sido efetivos no bloqueio do ataque de pânico espontâneo”, revela Ana Maria.

Se não for tratado corretamente, o quadro pode agravar-se – e muito! “Indivíduos que sofrem de pânico, sem diagnóstico, podem passar grande parte da vida acreditando que tem uma doença grave que não foi detectada, levando a uma ansiedade debilitante e crônica, podendo levar ao uso de substâncias para aliviar os sintomas. Mas quando o diagnóstico de pânico é feito e tratado, isso fica amenizado”, explica a psicóloga.

A assessora de imprensa Sonia, que passou por um grande sofrimento na luta contra o transtorno, aconselha: “A melhor lição que tive de tudo isso foi de que somos capazes de superar qualquer adversidade. O importante é não desistir, ter fé, acreditar e nunca deixar de procurar um especialista, pois só ele irá dar a orientação correta”.

 

Consultoria: Professora Ana Maria Ferreira, coordenadora do curso de Psicologia na Anhanguera UNIBAN – Morumbi

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