Sexo com o ex

A psicóloga Lizandra Arita é categórica: “nessa loucura do mundo moderno em que vivemos existem muitas relações ‘entre tapas e beijos’. Porém, chegará um momento em que um dos dois não suportará mais essa condição e partirá para cobranças”.

Se você e o ex ainda transam, está segura de que essa relação é apenas sexual? Ou, pelo contrário, conscientemente procura as carícias da antiga paixão para obter, também, amor e cumplicidade? Avalie sua postura e cuidado para não cair em uma armadilha, desrespeitando seus próprios limites.

Só sexo, é possível?

“Durante um tempo, é possível sim. Já acompanhei situações em que após a separação, a relação sexual do casal melhorou. É como se cada um não se sentisse tão responsável pelo outro e então, relaxasse exclusivamente para o ato, sem as preocupações que dizem respeito ao dia a dia do relacionamento estável”, explica a especialista.

Sabe qual é o segredo para não acabar confundindo as coisas? Ter exatamente em mente o que quer e não investir em uma relação de sexo casual na tentativa de obter algo mais. “O autoconhecimento é imprescindível nessas situações para que não ocorram enganos emocionais por parte daquele que se sente prejudicado”, diz Lizandra. Isso significa que, se para você, é só uma questão de pele, os perigos de magoar o coração são bem menores.

 

Casal abraçado

Foto: Thinkstock/Getty Images

O ex certo

Enquanto os sentimentos de algumas mulheres se confundem diante da possibilidade de retomar o relacionamento sexual com alguém do passado, muitas acabam correndo o risco e tentam reconquistar o ex na cama. “A condição emocional de uma mulher é diferente da condição do homem e, apesar das exceções, em geral a mulher mantém uma relação principalmente por questões afetivas. Por isso, o envolvimento sexual com um ex pode ser baseado na tentativa de uma reconstrução”, comenta Lizandra.

Uma carência momentânea ou a autoestima enfraquecida também podem levá-la a cair em tentação e acabar telefonando para ele. “Mas, detalhe: não é com qualquer ex. A tendência é a mulher procurar um de quem ela conheça os pontos fracos e os pontos fortes, na esperança de suprir suas necessidades sem se machucar ou ainda com a esperança de que um dia a relação dê certo”, argumenta.

Consenso

Para a psicóloga, o certo e o errado devem nascer de um acordo entre ambas as partes. A situação está confortável para você e para ele? Então, não há motivos para não se divertirem entre quatro paredes. “É mais comum do que pensamos casais se darem melhor em um relacionamento como namorados do que com o compromisso do casamento. O ‘peso’ da rotina acaba estragando a relação”, comenta.

Essa situação é familiar para você? Em caso afirmativo, pense na possibilidade de reconstruir um vínculo afetivo – se houver sentimento, claro – mas em uma nova estrutura. Lizandra reforça que para tomar essas e outras decisões é preciso ter firmeza e fazer valer o ditado: ninguém deve meter a colher! Se retomar a relação como um namoro é a vontade dos dois, ignore as opiniões de amigos, parentes e vizinhos.

Nem bom, nem ruim

Critérios para estabelecer uma boa relação baseada no sexo não existem. Isso vai depender de você e do ex-parceiro.

Ao longo de sua experiência, a terapeuta relata que, em um dos casos, atendeu um casal que optou pela separação depois de muitos anos de união. “Apesar disso, o respeito entre os dois prevaleceu e, passado alguns anos, eles se reencontraram. Mais amadurecidos, decidiram retomar a relação partindo de novos critérios e nível de comprometimento”, relembra.

Na contramão, há muitos outros casais que não conseguem respeitar os limites do outro, e depois de cada recaída, a ferida vai ficando maior. Contanto que haja satisfação, sem aquela sensação de vazio após a transa, o envolvimento sexual pode ser muito prazeroso. Mas vale o aviso: respeite os sentimentos alheios. Se para você a situação está confortável e o ex está em busca de mais, será que vale a pena seguir com essa aventura?

Fator “ex”

• Não há como pontuar fatores para a recaída com um amor que já passou.

• A carência, a saudade, a incerteza da decisão tomada, o fato de sentir-se rejeitada, o comodismo e o medo de enfrentar o novo e iniciar outra relação podem influenciar o envolvimento com alguém do passado.

• Mas é preciso considerar que existem pessoas que provocam uma recaída por vingança, por orgulho ferido, por raiva e até para fazer com que o outro sofra mais.

• Essas últimas possibilidades podem ser encaradas como uma forma destrutiva de enfrentar uma separação e, muitas vezes, até como ausência de habilidade para encarar um sofrimento.

Duas palavras são o segredo para decifrar o enigma do sexo com o ex: comprometimento emocional. Se ele é nulo entre os envolvidos, ótimo, o sexo pode ser maravilhoso. Mas quando apenas um se envolve emocionalmente, é hora de dar um basta.

 

Consultoria: Lizandra Arita, psicóloga da Arita Treinamentos. Site www.arita.com.br

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