Quando a separação afeta os filhos

"Ele me proibiu de ver meus filhos" - Como lidar?

Foto: Divulgação/Rede Globo

Os personagens de Caco Ciocler e Letícia Spiller em Salve Jorge têm mostrado um problema constante e muito grave: o fim do casamento e a relação de pais e filhos depois da separação. Na trama, Celso e Antônia puseram um ponto final no matrimônio e, agora, estão com dificuldades para cuidar da filha Raíssa.

Para esclarecer a melhor forma de lidar com esta situação, o Papo Feminino conversou sobre o assunto com o psicanalista e vice-presidente do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Psicanálise de Belo Horizonte, Carlos Ávila. Ele conta, que no caso de “Salve Jorge”, o comportamento dos personagens Celso e Antônia é conhecido como SAP (Síndrome de Alienação Parental), em que os pais preparam a criança para romper o laço afetivo com outro genitor, geralmente, para se vingar do ex-parceiro. Porém, é preciso ficar atento, pois, atitudes como essa, segundo Carlos, podem provocar danos irreversíveis na criança.

O psicanalista aconselha que, quando os pais se separam e não conseguem mais conviver tranquilamente, a melhor opção para amenizar os danos psicológicos em todos os envolvidos é poupar acusações e agressões. Ele afirma que pessoas egoístas, criadas sem limites e com uma superproteção paterna dificilmente conseguem isso e acabam criando um sentimento de vingança cega e crescente. “Recebendo esta educação, [elas] geralmente não se preocupam com os sentimentos de outras pessoas e não medem consequências de seus atos. O importante é satisfazer o seu desejo, independentemente do meio”, caracteriza ele.

Carlos, que também é autor do livro Pai, Estou te Observando, diz que se houver alienação à criança por parte de um dos pais, é importante um acompanhamento psicológico e jurídico, para evitar distúrbios na criança como depressão, ansiedade, pânico, insegurança, isolamento, agressividade e passividade. Ele conta ainda que filhos que sofrem alienação têm mais chances de utilizar drogas e álcool como forma de aliviar a culpa, já que eles pensam ser os culpados do fim do relacionamento dos pais.

Segundo o psicanalista, a verdade é sempre o melhor remédio, ou seja, não adianta omitir a separação para os filhos. O amor dos dois deve continuar o mesmo para eles e isso não deve ficar só no discurso. É importante também nunca denegrir a imagem do ex-cônjuge e seu novo parceiro para a criança, além de não colocá-la na posição de para escolher entre pai ou mãe.

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