Mudança de escola no meio do ano

Mudança de escola no meio do ano

Foto: Thinkstock/Getty Images

Mudar de escola pode ser um processo difícil para as crianças e adolescentes, principalmente se essa mudança ocorre no mês de julho, interrompendo o ano letivo. Por isso, algumas situações como bullying ou até problemas de aprendizado e adaptação podem levar os pais a buscarem uma escola mais condizente com as necessidades dos filhos. O que fazer para que os jovens não sofram durante este processo? O Papo Feminino entrevistou três especialistas na área que explicam como amenizar as ansiedades provocadas pela mudança de colégio:

Rendimento escolar

Antes de mudar o filho de escola, é preciso analisar com calma que tipos de problemas podem surgir durante este processo. Segundo o professor José Carlos Pomarico, diretor-geral do colégio Joana D’arc, mudar o filho de escola pode prejudicar o rendimento escolar, dependendo do motivo da mudança: “A mudança de escola tem que ter sempre como sustentáculo uma razão muito forte. A própria escolha de uma escola é algo forte. Mudar significa a falha em uma antiga escolha e a necessidade de se fazer uma nova. Acontece quando a escola não atendeu a todos os requisitos que o aluno precisava”. De acordo com Maria Amélia Cupertino, coordenadora pedagógica do colégio Viver, os motivos para a mudança não devem ser ligados à dificuldades com notas: “No caso de resultado escolar em termos de notas, sou claramente contra a mudança de escola no meio do ano. Não se deve ensinar uma criança/adolescente que há uma saída fácil para o descompromisso ou para a superação de dificuldades”.

Diálogo com os filhos

Antes de mudar de escola, os pais precisam orientar os filhos da melhor maneira possível, tranquilizando-os e conversando abertamente. “É importante que os pais estejam seguros ao realizar esta troca. Quando isto ocorre, consequentemente, os filhos sentem esta segurança. A orientação seria dizer que estão tranquilos no que se refere à escolha que fizeram, pois têm certeza que esta mudança será o melhor para a criança ou adolescente”, explica Elisabete da Silva Duarte, educadora e assistente de coordenação do Colégio Nossa Senhora do Morumbi. A educadora Maria Amélia complementa: “Os pais devem orientá-los a não se afobar com as diferenças. Eles precisam dar tempo para fazer novas amizades e a transição para novas demandas, sejam elas em termos de conteúdos, estilo de avaliação e de aprendizagem”.

Escola ideal

Antes de procurar uma nova escola, surgem muitas dúvidas na mente dos pais. O que deve ser levado em conta para que o filho se adapte no colégio e receba a melhor educação possível? É uma avaliação complicada, mas que deve ser feita com calma e atenção. Veja a dica dos educadores e saiba os itens que devem ser analisados:

– A proposta da escola deve estar de acordo com a proposta dos pais: “o que eu quero que meu filho seja é o mesmo que a escola quer que ele seja?” Deve existir harmonia, caso contrário, haverá uma disfunção muito grande entre a escola e os pais, resultando em prejuízo para o aluno;

– Levar em conta o espaço e a utilização do mesmo a favor da aprendizagem;

– Observar a forma como seu filho e família são recebidos na instituição;

– Observar os outros alunos, se estão felizes e circulam pelos espaços de forma tranqüila e segura;

– Como a escola realiza a avaliação de seus alunos e se respeita a individualidade e o processo de aprendizagem de cada um;

– Descobrir se existem projetos desenvolvidos na escola que colocam seus alunos para participar como protagonistas na comunidade escolar;

– Em termos de estrutura, é importante que a escola tenha alguém para ser a referência dessa transição, seja ela a orientadora, diretora ou um professor designado para isso;

“Todas estas questões são indícios de que a escola não está somente preocupada em conteúdos, mas além deles, mostra um envolvimento com a formação do aluno como cidadão”, explica Elisabete Silva.
Dificuldade de adaptação

Muitas crianças e adolescentes sofrem com o processo de adaptação: não é fácil sair de um lugar conhecido e passar para outro cheio de novidades e pessoas diferentes. Porém, eles precisam compreender que mudanças fazem parte da vida. “Essas dificuldades podem ser geradas por vários aspectos, principalmente pelo caráter da criança, muitas vezes insegura. Os pais devem buscar ajuda com a escola para resolver melhor isso, dando todo o suporte necessário”, conta José Carlos. “Se a dificuldade está mais na questão social, os pais podem ao mesmo tempo incentivar a relação com os novos amigos, convidando-os para passeios ou para vir em casa, ao mesmo tempo que permite a manutenção de amizades importantes da escola anterior. A sensação de perder os amigos e a saudade podem ser responsáveis por uma antipatia com a nova escola”, explica a coordenadora do colégio Viver.

 

Consultoria: Maria Amélia Marcondes Cupertino – coordenadora pedagógica do colégio Viver. Tel: (11)  4616-9475

Elisabete da Silva Duarte – Educadora e Assistente de Coordenação do Colégio Nossa Senhora do Morumbi. Site: www.nsmorumbi.com.br 

José Carlos Pomarico, diretor-geral do colégio Joana D’arc – Site: www.colegiojoanadarc.com.br

 

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