Gagueira tem solução?

Tenham paciência. Esse é um dos principais conselhos para os pais de crianças que gaguejam. Só que existem outras orientações importantes que ajudam muito no tratamento e tranqüilizam a família. Até porque o problema pode desaparecer sozinho. Como a gagueira é involuntária, ou seja, não depende da vontade ou do controle da pessoa, e intermitente, pois vai e volta em diversas situações e pode ficar um período sem aparecer, é importante que os pais fiquem alertas e procurarem um especialista para diagnóstico e conduta  adequados em no máximo um ano após o aparecimento dos primeiros sintomas, afirma a fonoaudióloga Ignês Maia Ribeiro.

O que é
Trata-se de um distúrbio na fluência da fala e se caracteriza por interrupções atípicas e involuntárias no fluxo da comunicação oral, tais como repetições, hesitações, bloqueios, prolongamentos e tensões corporais. A gagueira atinge cerca 5% da população infantil, principalmente entre 2 e 3 anos, afetando 4 vezes mais meninos do que meninas. Para a maioria dessas crianças, a gagueira desaparecerá espontaneamente, porém 1% poderá se tornar gago crônico se não for diagnosticado e atendido adequadamente e em tempo hábil, alerta.

Causas
Embora não haja uma razão decisiva, alguns aspectos influenciam o surgimento da gagueira. De acordo com Ignês, o fator hereditário é responsável por cerca de 55% dos casos. As dificuldades comuns da aquisição da linguagem também contribuem para o seu surgimento. Vale lembrar que questões psicológicas, traumas, sustos ou ansiedade não causam gagueira. As emoções podem, apenas, desencadeá-la em alguém que já carrega consigo essa predisposição orgânica. O mais comum é o indivíduo ter um problema emocional porque gagueja e não o inverso, destaca.

Tratamento
O primeiro profissional que deve ser consultado é um fonoaudiólogo especializado no assunto. O acompanhamento de um neurologista e de um psicológico também colabora no tratamento. As alternativas disponíveis promovem uma diminuição significativa do problema, embora a pessoa precise continuar cuidando da sua fala e possam restar alguns resquícios, ainda que sutis, explica Ignês. A família tem um papel de destaque na superação do distúrbio e, por isso, não deve forçar a criança a repetir as frases, pedir para falar com calma, interrompê-la ou completar o que ela iria dizer.

7 conselhos para os pais
1-
Fale com a criança sem pressa e com pausas frequentes.
2- Reduza o número de perguntas ao seu filho, deixe ele expressar suas próprias idéias.
3- Utilize expressões faciais e linguagem corporal para demonstrar que você está mais atenta ao conteúdo da mensagem do que à sua forma de falar.
4- Deixe que a criança escolha o que gostaria de fazer e dirija as atividades, decidindo se quer falar ou não. Este momento pode aumentar a autoconfiança dos pequenos
5- Auxilie todos os membros da família a aprenderem a escutar e esperar sua vez de falar.
6- Procure evitar a crítica, o falar rápido, as interrupções e as perguntas frequentes.
7- Acima de tudo, faça seu filho saber que você o aceita como ele é.

Texto: Aline Mendes

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