Filhos na puberdade

Filhos na puberdade

Foto: Thinkstock/Getty Images

A puberdade traz um mundo de novidades para as crianças. O corpo passa por diversas mudanças hormonais, influenciando no comportamento e no desenvolvimento dos órgãos sexuais. Para lidar com os filhos nesta idade, é preciso compreender que eles precisam de seu próprio espaço e que é imprescindível ter paciência. A educadora Maria Edna Scorcia explica qual o papel dos pais neste processo e como enfrentar os dilemas da puberdade:

Principais transformações

Físicas: as mudanças ocorrem principalmente nos órgãos sexuais, tanto das meninas quanto dos meninos. “As mudanças são físicas e emocionais. As transformações do corpo aparecem no desenvolvimento dos órgãos sexuais, o pênis dos meninos, o aumento do quadril e dos seios nas meninas, o aparecimento dos pêlos, e, principalmente o desejo, que começa a despertar”, explica a especialista.

Emocionais: o mais difícil nessa fase é o quesito emocional, já que o adolescente não consegue se sentir criança nem adulto. “Os pais dizem ‘você não vai sair porque ainda é criança’, mas depois falam ‘arruma sua cama porque você já é moço’. É comum ficar meio perdido com isso. É também nessa idade que eles se revoltam com a vida, isso é normal. Essas mudanças causam efeitos no rendimento escolar e a família precisa acompanhar isso de perto, respeitando a individualidade dele, sem intromissões”, complementa.

Paciência é uma virtude

Os pais precisam ter em mente que os filhos já não são mais os mesmos e estão passando por uma fase conturbada. “Para lidar com o adolescente, a família tem que se reinventar. Não adianta achar que é o mesmo filho que eles tinham, com as mesmas condutas. A história agora é outra. Tem que ter muito diálogo, desprendimento e bom humor. Os pais devem perceber que toda contrariedade é normal, que é uma questão psicológica”, revela Maria Edna.

Respeitando a individualidade

Nada mais comum do que adolescentes se trancarem no quarto e passarem mais tempo sozinhos. “Os adolescentes precisam ter a individualidade deles. A questão do quarto trancado, do celular com senha, os pais devem deixar. O comportamento que se deve evitar é a invasão. O bebê agora cresceu e está passando por um momento de transição, em que ele quer mostrar a sua individualidade. Os pais não devem ficar se descabelando, achando que erraram na criação, porque isso é completamente normal”, afirma a educadora.

Mudança de humor

Segundo a especialista, o filho na puberdade é como uma mulher que vive na TPM: “Os pais devem entender que é uma disfunção hormonal e que isso vai passar. É preciso relaxar e deixar os filhos bravos, ‘não dar bola’ para isso. Ficar discutindo relação com eles também é muito chato. É como se eles tivessem o tempo inteiro com TPM. É preciso ser flexível e saber lidar com isso”.

Sexo sem pudor

A conversa sobre sexo com os filhos deve ser feita desde a infância, aos poucos e com muita tranquilidade. “Os pais devem esperar que os filhos deem sinais de que estão prontos para falar abertamente sobre o assunto. Além disso, meninos e meninas devem ser tratados igualmente quando o assunto é iniciação sexual. Os pais precisam saber conversar e falar o que é verdadeiro, porque assim eles tomam confiança na sua fala e na sua orientação, ao invés de confiar nos colegas, que têm as mesmas dúvidas”, aponta Maria Edna. Ela também afirma que a masturbação é natural e que os pais devem deixar o filho descobrir o próprio corpo: “Na adolescência, eles descobrem o potencial de prazer dessa manipulação. Os pais só devem interferir se isso for excessivo ou for feito em público. A masturbação deve ser encarada com naturalidade, porque no fundo isso ainda é inocente. É importante orientar para que isso seja íntimo, um momento só dele, até para que ele possa descobrir o próprio corpo”.

 

Consultoria: Maria Edna Scorcia – diretora pedagógica do Colégio Joana Darc

Site: www.colegiojoanadarc.com.br

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