Exercícios na gravidez

Exercícios na gravidez

Foto: Thinkstock/Getty Images

A gravidez é uma fase especial na vida das mulheres, mas as mudanças são tantas que tudo parece proibido ou, no mínimo, precisa ser aprovado pelo obstetra. Quanto ao Pilates, não há dúvidas: grávidas não só podem como devem praticá-lo. A melhora na respiração e na postura, proporciona uma sensação de bem-estar essencial tanto para a mãe quanto para o bebê. Isso, aliado à sensibilidade naturalmente elevada da mulher durante a gravidez, ajuda a gestante a sentir e compreender os limites de cada parte de seu corpo.

Coluna ereta

Um dos princípios fundamentais do Pilates é o fortalecimento da musculatura do abdômen, responsável pela sustentação da coluna vertebral. Como no período da gestação essa é a parte do corpo mais exigida, o método é capaz de diminuir bastante a sensação de desconforto, comum nesse período. “Com o desenvolvimento do bebê, o centro de gravidade da gestante se desloca para a frente e, para compensar o peso, ela tende a se curvar para trás, aumentando a curvatura lombar. Atividades do dia a dia passam a ser feitas de forma diferente e a gestante precisa de um preparo muscular adequado para não sobrecarregar a coluna”, afirma a fisioterapeuta Vania Aparecida Pellicciotti.

Os exercícios também reforçam a musculatura do assoalho pélvico, um conjunto de músculos, nervos e tecidos que fica na base do osso da bacia. Juntas, essas partes do corpo ajudarão bastante no parto natural, bem como na recuperação após o nascimento do bebê.

A ênfase no alongamento é mais uma vantagem, segundo Vania. “Uma pesquisa divulgada pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, sugere que o alongamento seria mais eficaz na prevenção da pré-eclâmpsia do que a própria atividade física. Isso porque favorece a produção de transferrina, uma proteína presente no plasma para auxiliar o transporte de ferro na circulação sanguínea. O ferro protege o organismo materno do estresse oxidativo, que causa danos na parte interna das artérias pela agressão por peróxidos lipídicos. Assim, segundo essa hipótese médica, quanto mais alongamento, mais ferro plasmático e menos danos arteriais”, explica a fisioterapeuta.

Química perfeita

A principal alteração fisiológica da gravidez é a produção hormonal. O organismo aumenta o volume de estrogênio e de progesterona e também passa a fabricar outros hormônios que ainda pouco se sabe para que servem. Ou seja, o equilíbrio hormonal se altera nesse período mudando, inclusive a quantidade de hormônios que dizem respeito ao humor, como o cortisol, responsável pelo estresse. O Pilates como técnica de relaxamento evitará que a produção de cortisol se acelere. Também o controle da respiração exigido no método proporciona uma sensação de relaxamento e bem-estar.

Na maioria das mulheres grávidas, o volume sanguíneo tem um aumento entre 30 e 40% até o final da gestação. Com isso, o coração precisa trabalhar mais para dar conta de bombear tudo isso. Essa é uma das razões que tornam muitos exercícios físicos desaconselháveis na gravidez, uma vez que podem acelerar exageradamente o músculo cardíaco. Com o Pilates esse perigo é bem reduzido, pois a maioria dos exercícios não eleva a frequência cardíaca.

Vantagens da prática

– Elimina o cansaço muscular e as inflamações na região dos ombros e nos braços.

– Aumenta o poder de concentração e relaxamento, proporcionando um sono mais tranquilo.

– Melhora a oxigenação do sangue, beneficiando também o bebê.

– Previne uma separação exagerada dos músculos da parede abdominal, comum na maioria das grávidas.

– Prepara o corpo para um trabalho de parto mais tranquilo e acelera a recuperação pós-parto.

Precauções

– Apesar de ser considerado bastante seguro tanto para a mãe como para o bebê, a prática do Pilates não é diferente das demais atividades físicas quanto a alguns cuidados básicos.

– Antes de começar as aulas, converse com um médico obstetra, uma vez que cada gravidez tem suas particularidades.

– Só faça aulas com um profissional capacitado e experiente em Pilates, que tenha boas e seguras referências.

– Nos três primeiros meses da gestação, o risco de aborto é mais acentuado. Para quem já faz Pilates, o ideal é sempre optar pelos exercícios mais suaves. Para quem está iniciando. é aconselhável que espere até o quarto mês para começar, quando a gestação estará bem consolidada.

– Diante de qualquer sinal de cansaço, dor, falta de ar ou tensão acentuada, o exercício deve ser interrompido imediatamente.

 

Consultoria: Vania Aparecida Pellicciotti, Renata Veríssimo Moreria e Andressa C. Massaroli Bosco, fisioterapeutas do Pro Corpore Instituto de Fisioterapia e Estética Ltda.

Fonte: Pilates para grávidas, Jan Endacott (Editora Manole)

 

 

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