Excesso de remédios pode prejudicar a saúde das crianças

Se a automedicação é perigosa, imagine quando se trata de crianças. O maior risco é usar um remédio inadequado que não vai melhorar o quadro, podendo, em alguns casos, até piorá-lo, alerta a pediatra Isabel Rey Madeira, destacando que o efeito colateral de uma substância empregada de forma indiscriminada pode ser predominante à ação benéfica. Outro fato preocupante é a superdosagem, que pode provocar uma intoxicação medicamentosa com conseqüências imprevisíveis. Além disso, nem sempre o principal cuidado deve ser um medicamento: pode ser carinho, repouso e alimentação saudável, ítens em que os pais são especiais, ompleta. Saiba o que fazer em algumas situações.

Dor de cabeça
Mesmo no caso de uma queixa aparentemente tão comum, é preciso procurar a orientação de um pediatra, pois a causa da dor e os sintomas que a acompanham devem ser investigados antes de qualquer medicação ser consumida. Esse é um bom exemplo para a necessidade de cada caso ser visto individualmente. Já atendi crianças com dores de cabeça que justificaram uma tomografia computadorizada com urgência e outras que nem medicação receberam, uma boa conversa foi suficiente, comenta a especialista.

Suplementos alimentares
Se forem à base de vitamina ou de proteína, devem ser encarados como remédio, já que também apresentam efeitos colaterais graves quando usados indiscriminadamente. A maioria das pessoas acha que quanto mais, melhor, mas vitaminas em doses altas podem até levar à morte e devem ser prescritas sempre por profissionais capacitados, avisa Isabel. A mesma orientação vale para as substâncias que prometem aumentar o apetite das crianças. Segundo a especialista, eles não resolvem o problema e podem ter efeitos adversos.

Gripes e resfriados
Os remédios usados para este fim podem mascarar os sintomas e atrapalhar o tratamento. De acordo com Isabel, o uso contínuo de anti-inflamatório em crianças com infecção das vias aéreas, por exemplo, esconde a febre e não é possível saber se a doença está regredindo. Alguns anti-inflamatórios provocam lesão hepática ou renal, alergia e hemorragia digestiva grave, com acometimentos que podem ser irreversíveis, frisa.

Outro exemplo é o descongestionante nasal, que costuma ressecar as secreções e impedir que elas sejam eliminadas. Os xaropes e antitussígenos, por sua vez, bloqueiam a tosse que é, muitas vezes, o meio para expelir o catarro. O uso desses medicamentos tem que ser muito particularizado e não é necessário na maioria das vezes, afirma a médica. Já o antitérmico pode ser utilizado quando a febre é alta, mas sua causa deve logo ser investigada. Nesse caso, além do remédio, deixe a criança febril com roupa fresca, em ambiente arejado, e dê bastante líquidos, orienta.

Orientações importantes
Os remédios para emagrecer só devem ser utilizados, sob prescrição médica, em adolescentes, nunca em crianças. O recomendado na infância é a mudança no estilo de vida, principalmente em relação à atividade física. Até a restrição calórica só deve ser feita em alguns casos e sempre com a orientação de um pediatra ou nutricionista especializado, sugere Isabel.

A preocupação com os desconfortos dos bebês é grande, mas nem sempre é preciso medicá-los. Nos primeiros meses, a criança golfa com frequência, o que pode ser normal. Quanto ao choro, essa é sua forma de se comunicar e os pais devem procurar o médico sempre que notarem mudanças no comportamento ou que surgirem dúvidas, recomenda.

É preciso mudar, desde a infância, a ideia de que há uma fórmula mágica contra a dor. Quem busca solução para tudo em remédios pode ter a tendência a usar drogas para alívio de sofrimentos, o que é ruim em qualquer idade, opina a médica.

Se houver a suspeita de que a criança ingeriu uma dose excessiva de qualquer medicamento, leve-a imediatamente ao pronto-socorro mais próximo. Nessa situação, nada de ficar observando o quadro melhorar em casa, ressalta a especialista.

Consultora: Isabel Rey Madeira, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Texto: Aline Mendes

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