Estresse no trabalho

Estresse no trabalho

Foto: Thinkstock/Getty Images

Falta de motivação, dúvidas sobre a própria capacidade e pessimismo, além de gastrite, dores de cabeça e corpo tensionado: esses são os sintomas de cerca de 70% da população economicamente ativa no Brasil, segundo estudo da International Stress Management Association (Isma-BR), associação voltada à prevenção e ao tratamento de estresse.

Todo esse desconforto é causado pelo estresse ligado ao trabalho. No primeiro semestre de 2011, 109 mil trabalhadores receberam afastamento com auxílio-doença devido a sequelas do estresse. O número é 28% maior do que no mesmo período de 2010. “Os casos de estresse no trabalho vêm aumentando porque as empresas estão exigindo mais das pessoas. Muitas estão otimizando os custos com funcionários e os que permanecem acabam sobrecarregados”, explica o psiquiatra Leonard Verea, diretor do Instituto Verea, em São Paulo (SP).

A pressão por melhores resultados, a competição com outros funcionários e o medo constante da demissão leva o trabalhador ao esgotamento físico e mental. Se não forem tomadas as medidas necessárias para minimizar as consequências, o afastamento do trabalho é inevitável.

Tempo: é preciso administrá-lo

Separar algumas horas todos os dias para o lazer e não levar trabalho para a casa é o conselho básico para não se sobrecarregar, mas que muita gente não consegue seguir por comprometimento próprio ou por exigência do empregador ou, ainda, por não saber como organizar suas horas.

“É preciso dividir o tempo em quatro momentos fundamentais: trabalho, família, lazer e ‘eu’. As pessoas confundem o tempo da família com o do lazer e acabam se dividindo entre trabalho e família”, revela o psiquiatra. Às vezes, essas divisões se misturam – é possível, por exemplo, ter um momento de lazer junto com a família. “Mas deve-se ter consciência de que aquele é um momento de diversão. Porque, para muitos trabalhadores, estar com a família pode significar cuidar de crianças, fazer compras, limpar a casa, lavar o carro – e isso não é lazer. E aí, eles deixam de ver os amigos, de ir ao cinema, de levar os filhos ao parque, pois não conseguem separar os tempos”, explica.

Mas, antes de pegar a agenda e marcar os horários para cada momento, seja de trabalho ou de lazer, vá com calma: tentar respeitar rigidamente as horas de diversão também pode impedir o relaxamento. O ideal é que elas venham naturalmente. Os filhos dormiram mais cedo hoje? Então, aproveite para cuidar de si mesmo, não deixando escapar o tempo para o “eu”. Ler, ver televisão, cuidar da pele, tanto faz: o importante é fazer aquilo de que mais gosta.

Antes da explosão

O estresse é uma das causas mais comuns de afastamento do trabalho por longos períodos. No entanto, é possível evitar que isso aconteça se funcionário e empregador trabalharem juntos por isso. “Antes de ser afastado, o funcionário pode tirar um fim de semana prolongado ou mesmo umas férias. Seus hábitos devem ser revistos: melhorar a alimentação, começar a praticar uma atividade física e ter momentos de lazer. Se essas atitudes não resolverem o problema, o empregador deve orientar o trabalhador a procurar ajuda de um médico e só depois deve haver o afastamento”, informa o especialista.

No ambiente de trabalho, a liderança deve ficar sempre atenta às reações de seus funcionários e perceber quando algum está demonstrando sintomas de estresse. “Oferecer um psicólogo e reavaliar as tarefas do colaborador podem melhorar o desempenho dele”, destaca Leonard.

Com o afastamento, os custos serão maiores tanto para a empresa quanto para o trabalhador, que sofre com as consequências na saúde. “O sistema imunológico enfraquece, podem ocorrer mais episódios de gripes e outras infecções, a capacidade de decisão e o equilíbrio dos sentimentos ficam prejudicados”, lista o psiquiatra. Assim, a melhor opção é sempre prevenir ou combater o problema logo no começo.

Dicas para relaxar:

– Checar e-mails constantemente, situação permitida pelo fácil acesso a smartphones, tablets e computadores, piora os níveis de estresse dos trabalhadores, segundo estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Na pesquisa, 13 funcionários de uma empresa passaram cinco dias sem verificar os e-mails e os níveis de estresse, medidos com monitores de frequência cardíaca, reduziram. Que tal chegar em casa e deixar o computador desligado?

– Demorar horas para chegar ao trabalho por causa de trânsito ou enfrentar meios de transporte lotados é uma situação comum em grandes cidades. “Nesses casos, o trabalhador pode fazer algo que minimize a situação desconfortante. Por exemplo, ir trabalhar com uma companhia agradável, escutar uma boa música no caminho, etc.”, recomenda o especialista.

– Trabalhar ao lado do animalzinho de estimação pode ser mais satisfatório e aumentar a produtividade, segundo estudo da Virginia Commonwealth University, nos Estados Unidos. A pesquisa foi feita com 76 trabalhadores e os que levaram seus cães ao emprego tiveram níveis de estresse bem menores do que aqueles que não o fizeram. A ideia pode ser difícil de ser praticada em ambientes comuns, mas quem trabalha em casa pode ter o animal sempre por perto, dentro do escritório, por exemplo. Cuidar de uma planta no trabalho também pode ser relaxante.


Consultoria: Leonard Verea, psiquiatra e diretor do Instituto Verea, em São Paulo (SP) / Fonte: Como enfrentar o stress, de Marilda Novaes Lipp e colaboradores, Ícone Editora

 

Sua saúde

 

 

Para conferir mais dicas de como evitar o estresse, adquira a revista Sua Saúde – já nas bancas!

 

 

 

 

 

Mais lidas