Pablo Morais confessa já ter sido convidado para fazer 'book azul'

Pablo Morais conversou com nossa reportagem e falou um pouco de Cícero, personagem que interpreta na segunda fase de ‘Velho Chico’. O novato falou de sua carreira como modelo e relatou que no inicio de carreira foi convidado para participar do famoso book azul. Confira o papo:

Como surgiu o convite para participar dessa trama?
Eu estava em ‘Totalmente Demais’ e um dia antes da coletiva de imprensa o Luiz Fernando Carvalho me chamou para uma conversa. Saí da novela das sete e vim para o ‘Velho Chico’. Foi tudo muito rápido. Saí de um processo e entrei em outro completamente diferente. Foi impactante!

Fale um pouco do personagem
O Cícero é visceral, passional. Mata, ama, chora, sofre e vive a incógnita do amor. Que nós vivemos. É a carência que todo mundo tem do amor: o olhar, um beijo, um abraço. Ele valoriza esses sentimentos. É um cara rural, sertanejo. E o especial para ele é isso: o amor, o olhar, o contato. A Maria Tereza (Julia Dallavia) é o amor maior, mas ela acaba se apaixonando pelo Santo dos Anjos (Renato Góes), e tudo acaba virando uma guerra.

Foto: Caiuá Franco/Globo

Foto: Caiuá Franco/Globo

E a composição do Cícero?
Eu leio muito Monteiro Lobato. Leio muitos contos também, escrevo músicas… Eu tento buscar muitas inspirações, principalmente nacionais. Eu quero e busco a coisa mais grossa do Cícero, que são os trejeitos, a coisa rústica daquele cara que não tem inteligência emocional. O que acontece com ele é isso. A falta de inteligência emocional ferra com ele. Eu estou trabalhando nisso.

Você é um ator novato. Como está sendo interpretar um texto de Benedito Ruy Barbosa?
Eu trabalhei uma vez com o Luiz Fernando Carvalho em ‘Subúrbia’, um seriado que eu interpretava o vilão e onde aprendi muito. O que eu tenho na minha concepção é que o Luiz me ensinou muito. Sou muito grato por isso.

Marcos Palmeira comentou que você está arrebentando como o Cícero. Como está sendo entregar esse personagem para ele?
A palavra é dádiva. Eu acho que como profissional e ser humano ele me agrada e é um ídolo para mim. Estou muito feliz! A gente tem trocado muito sobre o personagem. Ele é muito generoso, muito educado. Um cara totalmente gentleman.

Como foi o encontro com ele?
“Quando eu o vi pela primeira vez a gente falou muito sobre o personagem. Tem uma frase do Cícero que é: ‘se você não ficar comigo, você não fica com mais ninguém nessa vida’. Essa é uma frase chave que a gente usa para a conexão de gerações do personagem. Toda vez que nos encontramos falamos essa frase, é uma coisa que conecta a gente. O personagem não tem inteligência do amor. Ele é passional, só ama e ponto. E vai lutar por isso até o fim. Esse é o grande conflito da trama.

Foto: Reprodução/Instagram

Foto: Reprodução/Instagram

Você está preparado para as críticas?
Crítica não é nada mais que a opinião de uma pessoa que você não conhece. Se a pessoa não lhe conhece, ela não sabe qual é a relevância na sua vida. Ela não sabe o quanto você batalhou para chegar onde está, não sabe o que você deixou de lado para construir a carreira. A critica no meu ponto de vista é relativa. Eu não me conecto com a crítica. Eu quero implantar a arte e seguir o meu caminho. É isso que verdadeiramente importa. O meu ponto de vista artístico é esse.

Você tem um pouco do Cícero dentro de si?
Eu sou totalmente passional. Até me ferro com as mulheres por causa disso (risos). Mas eu sou de antigamente, bem romântico.

Você foi modelo, né?
Eu sou modelo até hoje! Nunca vou deixar de ser. Eu amo publicidade e vou até o fim. A modelagem me dá dinheiro e alegria.

O bonito sofre preconceito?

Sofre muito! Até no elenco teve gente que me tratou como o modelo que virou ator. Quero que se dane. Vou fazer o meu e a gente vai vivendo.

Foto: Reprodução/Instagram

Foto: Reprodução/Instagram

Você está preparado para o assédio que surgirá entre os homens e as mulheres, já que o personagem é o famoso ‘cabra macho’?
Eu não sei se eu estou preparado para o assédio. Mas eu estou preparado para o respeito que eles terão pelo meu artista. Eu respeito muito o meu artista. Quando chega um certo ponto em que a galera começa perceber o seu artista, é muito legal. Eu tenho 23 anos, sou de Goiânia, minha família não tem artista. Minha mãe é funcionária de hospital, meu o irmão é bombeiro. Não tenho pai. O meu pai era mecânico e bateu em minha mãe. Ele morreu. Nunca mais soube dele. Eu não tenho vergonha de falar disso, é minha história. Nasci prematuro de seis meses, com 800 gramas no Hospital Monte Sinai, em Goiânia. Fui desenganado pelo mesmo médico duas vezes. Eu falo porque eu estou aqui seguindo uma profissão que não era para ser minha. E hoje estou aqui falando de coisas que nem eu imaginava.

Você veio da moda. Na sua época, você foi convidado para participar do book azul?
Óbvio que eu fui convidado! Eu só comentei que não era a minha pegada, mas tenho o maior respeito por todos.

Para o personagem é zero vaidade, né?

Eu fiquei dois meses sem lavar o cabelo e três meses sem cortar a unha. Fiquei assim para o Cícero. Me entreguei.

SAIBA MAIS
Velho Chico: entrevista com o elenco da primeira fase
Julio Machado fala sobre Velho Chico, nova novela das 21h 

Mais lidas