Entrevista com Rodrigo Lombardi, o Theo de Salve Jorge

Rodrigo Lombardi de camisa azul

Foto: João Miguel Júnior / Rede Globo

 

Mais um protagonista em uma uma novela de Glória Perez. Apesar de repetir a dose,  Rodrigo Lombardi garante que Theo é um personagem totalmente diferente de seus outros trabalhos e não está preocupado com possíveis comparações. Para compor o capitão da cavalaria de Salve Jorge, Rodrigo fez laboratório no exército e ficou atento aos costumes e jeitos dos soldados. Além desse desafio, o ator comenta ainda a alegria de poder participar da campanha contra o tráfico de mulheres, fala sobre os colegas de elenco e não deixa de elogiar a autora Glória Perez. “A Glória é um furacão, uma mulher que escreve sozinha para 96 atores!”. Confira o bate-papo completo com o ator:

Guia da TV: Como é seu personagem?
Rodrigo: “Ele vai conhecer a Morena durante uma ronda de pacificação. Esse amor vai começar, mas é cortado porque ela tem um sonho de sair daquela realidade e enxerga na proposta de emprego essa possibilidade. Então, como ela já tem um amor frustrado, ela decide apostar nessa nova história, para sair daquela realidade. Ela pensa que o amor não é pra ela. Aí a gente começa a entrar na trama principal da novela.”

Guia da TV: Seu personagem se envolverá com várias histórias de amor?
Rodrigo: “Agora a gente tem essa missão de reencontrar o verdadeiro amor. O Theo é apaixonado pela Morena, que será traficada. E a novela se trata desse assunto também: o tráfico de pessoas. Só movimenta menos dinheiro do que o tráfico de drogas. E isso está muito mais perto do que a gente imagina.”

Guia da TV: E quando a Morena ficar fora, ele vai voltar com a Érica?
Rodrigo: “Rolam idas e vindas, como uma pessoa normal que tem seu sonho cortado, os desenganos comuns. O amor é da Morena, mas ele vai ter esse sonho interrompido e vai pensar que acabou ali, porque a garota foi para o outro lado do mundo e não volta mais. Esses são os conflitos desse personagem.”

Guia da TV: Você fez alguma composição especial para viver um militar?
Rodrigo: “Existe um comando de voz no exército. Você identifica um militar pelo jeito de falar. A gente mesclou um pouco isso pelo jeito de falar normal para não ficar caricato. À medida que a gente for tendo certeza do que estiver fazendo, vamos colocar isso mais forte. Mas isso não é relevante para história no momento. Numa composição, menos é mais. Quanto menos você faz, mais resultados você tem. A gente já tem tanta coisa para se basear, para se preocupar, que isso não é uma das prioridades na composição do personagem.”

Guia da TV: Você já havia tido contato com o exército?
Rodrigo: “Não, nunca tive. Mas sempre tive uma admiração muito grande por essas pessoas. Não cheguei nem a prestar o alistamento militar. Eu morava num sítio e na cidade não tinha exército. O máximo que eu fiz foi jurar a bandeira (risos).”

Rodrigo Lombardi em Salve Jorge

Foto: João Miguel Júnior / Rede Globo

Guia da TV: Você teve contato com pessoas que foram traficadas?
Rodrigo: “Tivemos no workshop. Tivemos contato com pessoas que foram traficadas, com famílias que perderam familiares nessa história toda. ”

Guia da TV: Você se emocionou?
Rodrigo: “Muito! A gente teve relatos horrorosos, de pais que perderam suas filhas e até hoje, 10, 15 anos depois, ainda recebem ameaças a respeito desse assunto. Pessoas que falaram pra gente: ‘essa novela está começando e estamos de olho em você ainda, cuidado’. Isso é muito ruim. A gente está mexendo num terreno que não é só um folhetim para agradar as pessoas, é também para alertar as pessoas. E isso é uma campanha delicada, perigosa. Estamos aqui pra isso, é função do artista levantar a poeira para que as autoridades possam fazer o que devem.”

Guia da TV: Você se sente mais realizado como ator por poder levantar essa bandeira?
Rodrigo: “Muito! É muito cômodo você pensar que está na Globo, que faz uma novela atrás da outra. Mas ainda falta um alguma coisa. Quando chega um assunto desse, uma novela dessa, você pensa: ‘ah, era isso o que faltava’. Invariavelmente, você se apega a esse tipo de campanha. Às vezes, você até quer abraçar uma campanha ou outra, mas não dá tempo, porque a gente está aqui o tempo todo. Mas a partir do momento que nosso trabalho é abraçar uma campanha, isso completa a gente muito mais.”

Guia da TV: Como é trabalhar com a Glória novamente?
Rodrigo: “É incrível! A Glória é um furacão, uma mulher que escreve sozinha para 96 atores! Tem que ter assunto para todo mundo. É uma hora de arte, de capítulo real no ar todos os dias. Ela vai escrever 200 e tantas horas. Ela escreve três longas-metragem por semana.”

Guia da TV: Você teve alguma dificuldade em compor o Theo? Ficou com medo de ser comparado com outros personagens?
Rodrigo: “Diferente do outro sempre vai ser. O universo é outro, o tema é outro, a música é outra, a roupa é outra, o cenário é outro, os atores em volta são outros. Então, a gente não tem essa preocupação. Mas dificuldade sempre tem, porque você precisa garimpar as informações sobre esse personagem. Como a questão da cavalaria, do hipismo, do militar, que são informações que não estão no nosso dia a dia, então pra gente assimilar, é difícil. Mas é muito prazeroso também. ”

Guia da TV: Você tem preocupação em fazer um mocinho tão bem aceito como o Raj, de Caminho das Índias?
Rodrigo: “Não, eu não tive essa preocupação quando eu fiz o Raj. Então, não me cabe tê-la na hora de fazer o Theo. Eu acredito que sou escolhido para fazer os papéis que eu fiz porque eu me entrego 100% para aquilo que eu faço. E isso vai dando experiência, habilidade, certezas… Então, não existe a preocupação de ser bem aceito. Tem que se divertir. O que tem que ser, vai ser. Vamos esperar e tomara que o personagem seja tão agradável pra mim quanto eu tento ser pra ele.”

Guia da TV: Você se considera um galã?
Rodrigo: “Não sou galã (risos). Isso são vocês que falam pra gente! O Zé Mayer é um galã! Eu posso falar que ele é um galã, mas ele não pode falar que eu sou um.”

Mais lidas