Entrevista com Nando Cunha, o Pescoço de Salve Jorge

O ator Nando Cunha tem provocado muitas risadas nos telespectadores, apesar de seu personagem em Salve Jorge, o Pescoço, ter traído a mulher que tanto confia nele, a Delzuite. O Papo Feminino conversou com Nando, que falou sobre o futuro do personagem e também sobre traição, devoção e sua peça de teatro. Confira a entrevista:

 

Entrevista com Nando Cunha, o Pescoço de Salve Jorge

Foto: Alex Carvalho/Rede Globo

Guia da Tevê: Qual será o futuro do Pescoço, depois que a Delzuite descobriu que ele trai ela?
Nando: “Agora a meta dele é tentar aliviar a barra, e provar pra Delzuite que ele a ama. Esse será seu grande desafio. Acho que vai dar resultado. Mas ficar com a Vanúbia será muito difícil, porque ela não tem o perfil que quer ficar com alguém. Ela não tem sentimento por ninguém. Quer apenas provar que é poderosa, maravilhosa e gostosa. Quer provar isso pras esposas e maridos… E depois abandonar a pessoa… E não quer mais nada!”

 

Guia da Tevê: Mas o Pescoço também não é assim?
Nando: “Não! Ele gosta de Delzuite. O Pescoço é quase igual a todos os homens na vida. Mas ele tem um sentimento pela Delzuite. Já a Vanúbia não tem sentimentos por ninguém. O sentimento do Pescoço é verdadeiro, mas ele é safado, assim como 99% da maioria dos homens. Mas esse é um problema cultural e não fomos nós quem criou isso. Isso acontece desde a Coroa Real, os homens desta época tinham esposas, mas gostavam de ir pra cama, com as escravas… Os que os homens fazem hoje é reflexo do que se fazia há anos… E isso não é só do latino. O meu personagem tem os meios dele, dentro da classe dele. Mas na classe média, a galera tem celular, computador e a partir daí surge nova maneira de trair também… O Pescoço fica na laje, mas ele é um homem corajoso. O fascino que os homens têm por ele, é porque gostariam de estar no lugar dele, e fazer o que ele faz. Mas na verdade, quem perturba mais é a Maria Vanúbia. Se ela não ficasse provocando tanto, talvez ele ficasse apenas ali, olhando e só mexendo… E não chegaria ao fato. Mas ela perturbou tanto que acabou acontecendo. E como todo ser humano é fraco, ele não conseguiu resistir. Ainda mais um tipo daquele, uma morena bonita, gostosa. Qualquer vizinha desse tipo…”

 

Guia da Tevê: Pelo o que você está me contando, você gostaria que o Pescoço ficasse com a Delzuite?
Nando: “Não é que eu gostaria que ele ficasse com a Delzuite. Mas na verdade, gostaria e que seria engraçado, é que ele fosse substituir o Russo com as traficadas. Seria a Disneylândia pra ele. Cheio de mulher, e ele dono delas todas. Seria muito engraçado. Mas quando nós construímos os nossos personagens, eu e a Solange (Badim), a nossa relação era desenvolvida em cima de uma paixão muito forte. Tanto que ela teve os filhos com diferentes maridos, mas o Pescoço não a largou de jeito nenhum. Ele esteve presente desde que as meninas eram pequeninhas. E cadê os pais dessas crianças? Ele tem uma paixão forte por ela. O ideal, dramaturgicamente seria eles casarem na igreja de São Jorge. Ele dar a felicidade a ela de poder casar de vestido de noiva na igreja. Com o jeito malandro dela, mas com ela.”

 

Guia da Tevê: Muitos não admitem, mas você já traiu alguém e se arrependeu depois?
Nando: “A gente quando trai fica com a consciência pesada, não dorme direito e às vezes não consegue olhar pra pessoa. Mas depende muito. Porque às vezes é uma coisa leve. Acho que nem tudo na vida, podemos ter a culpa católica. Fez-se? Vai fazer novamente? Porque você está com essa pessoa? Às vezes você está com uma pessoa que te preenche e não há necessidade em fazer isso. Ou de repente, alguma coisa está errada na relação. Ai é bom sentar e conversar, ou terminar a relação, ou verificar o que está dando errado. Eu já traí sim! Acho que até por imaturidade ou falta de algo que não existia na minha relação. Ou por inexperiência ou aventura. Já traí e já fui traído. Mas acho que já fui mais traído do que traí. Fui cego, apaixonado, das pessoas chegarem pra mim, e disserem que a pessoa não prestava. Mas eu não acreditava. Descobri e depois perdoei, descobri novamente e perdoei outra vez… Mas chega um momento em que precisamos aprender a buscar a gostar de nós mesmos. E reaprender a gostar de alguém novamente, mas com maturidade. Hoje estou muito feliz. Tenho uma esposa maravilhosa que é parceira e que me acompanha, me ajuda. Isso vem com a maturidade. Assim, como é bacana administrar o sucesso, por conta da minha maturidade. Acho que se estivesse numa outra novela, talvez não soubesse lidar com tudo isso. Tenho pés no chão, e sei que daqui a pouco haverá outra novela das nove. E que haverá outros personagens de sucesso, outro Pescoço da vida. Assim como há pouco havia a Carminha, havia o personagem do Marcos Caruso, que eu adorava. O sucesso é efêmero, é cítrico. Vai ficar apenas na história e na memória das pessoas. A única coisa que quero de tudo isso, com o sucesso do meu personagem, que eu seja uma escolha para os outros diretores. Que não fique apenas num perfil. Quero que me escolham pelo meu trabalho de ator e pela minha capacidade de fazer. Quero criar o meu filho pela minha arte. Quero estabilizar a minha carreira. Não quero ser sucesso e nem capa de revista. Quero a minha parte em dinheiro. Sei que tenho que fazer acontecer. Nós que somos um pouco mais ‘escurinhos’, temos que matar uns três leões por dia. E vamos em frente! Mas quando olhamos pra trás tem aqueles dois que sobraram. Que na verdade, é essencial da novela. Nós não fugimos da luta, da correria e não podemos baixar a cabeça. Acho que seguindo essa máxima, de São Jorge, de matar o dragão, o seu inimigo… Sou devoto dele desde criança. Minha avó nasceu no dia 23 de abril que é o dia de São Jorge. E faremos uma feijoada em comemoração nesta data. Adoro cozinhar! Eu, meus irmãos e minha mãe vamos pra cozinhar pra fazer essa feijoada. E não vamos cobrar nada de ninguém. Entrada franca, como sempre fizemos. Será no Clube do América, no bairro da Tijuca, a partir das 13 horas, como roda de samba, convidados… Vai ser uma coisa bem bacana.”

 

Guia da Tevê: O Pescoço é preguiçoso e malandro, você já teve um dia de Pescoço na vida?
Nando: “Desse jeito não, porque sempre fui muito batalhador. Nunca tive grana, e trabalho desde moleque com os meus pais. Na verdade, desde os meus doze anos estou ralando. Apesar, de não ser legal trabalhar desde criança, mas precisava pra sobreviver, e ajudar os meus pais. Neste sentido, nunca fui igual ao Pescoço não. Até hoje é uma luta muito grande. Ainda mais pela carreira que escolhi. É muita luta e é uma vida dura. Quero que minha carreira se estabeleça e espero conseguir criar o meu filho com a minha arte. Espero não ter que trabalhar em outras coisas. Antes tinha um emprego, e depois tinha que ir pro teatro à noite. Tinha que ensaiar, era uma loucura. E neste momento estou envolvido com uma peça de teatro também. Está sendo um pouco corrido, mas está gostoso. Foi um presente de São Jorge e da Glória Peres. Que aconteceu na hora que eu mais precisava, porque foi num momento em que eu estava ‘grávido’. Na verdade, nem ia fazer o Pescoço. O personagem tinha outro nome, que se chamava José Biscateiro. E não tinha quase nada, nem família… Nada! Graça a Deus quando ela criou o Pescoço, ela me escolheu pra fazer. E tudo isso, atribuo ao São Jorge. Ele me concedeu essas graças. Essa é uma prova de que minha fé nele é incrível e verdadeira. As graças vieram! Nasceu o meu filho e aconteceu a novela. Com certeza essa feijoada será a mais grandiosa e maravilhosa de todas. Tenho muito que agradecer a ele e a grande família que é a novela. Que não é só a gente. Algumas pessoas só tem relação com o diretor e o autor. Mas não, tem o camareiro, maquiadora, cabeleireiro, câmera, contra-regra. Todo mundo acorda no mesmo horário que a gente. E rala todo mundo igual. A novela e o sucesso vem dessa parceria.”

 

Guia da Tevê: Você comentou sobre a peça de teatro que está ensaiando. O que você pode adiantar sobre esse assunto?
Nando: “Essa peça fala sobre o Lima Barreto, e se chama Lima Barreto – Ao Terceiro Dia. Em que farei o personagem principal mais novo. A peça retrata as lembranças dele quando jovem. Na época em que trabalhava no jornal, com as ideais reacionárias, visionárias. Durante o espetáculo ele dialoga com seus próprios personagens. É um barato. Essa peça está sendo dirigida por Luiz Antônio Pilar. Até hoje a Academia Brasileira, não fez uma reparação ao autor, e suas obras, que são riquíssimas. Vamos estrear no dia do final da novela, dezessete de maio. Espero poder participar da festa de encerramento.”

 

Guia da Tevê: Você é muito vaidoso na hora de se arrumar?
Nando: “Muito! Demoro até mais que a minha esposa. É a camisa que não está combinando com a calça, ou a calça que não combinou com o tênis, ou a camisa que está deixando a barriga aparecer… Daí vou trocando tudo! O Pescoço não tem essa vaidade. Ele é meio barrigudo, encostado… Eu também não sou galã, sou ator. Mas sou vaidoso! Gosto de andar cheiroso, e bem arrumado. Mas às vezes relaxo um pouquinho. Coloco uma bermuda e um chinelo… As pessoas de vez em quando, me dão um toque, avisando pra eu me vestir melhor, porque sou ator. E que as pessoas vão querer tirar fotos… A gente tem que estar bem arrumado, porque estamos representando uma novela, uma indústria.”

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