Entrevista com Edson & Hudson

Entrevista com Edson e Hudson

Foto: Divulgação / Assessoria de Imprensa

Edson & Hudson abriram o coração e bateram um superpapo com a Guia da TV. Após dois anos de separação, a dupla está de volta e prepara um  show com os antigos sucessos e muitas novidades para o público. Os irmãos falaram sobre a briga, alcoolismo e até  depressão. Agradecidos, os dois acreditam que só estão vivos graças a força de Deus: “Se não fosse Deus, a gente estava ferrado” – confirma Edson. A dupla, que está comemorando 32 anos de carreira, ainda falou sobre a infância difícil e o pai rigoroso: “Nosso pai foi meio pai no Michael Jackson profissionalmente falando, de chegar e falar que ‘se não cantar direito, é tapa na orelha’ ” – lembra o caçula da família.  Confira este bate-papo revelador:

 

GTV: Quando e por que vocês decidiram voltar com a dupla Edson & Hudson?
Hudson: “O lance da volta é uma coisa que a gente já cogitava. Nestes dois anos em que estivemos separados, eu já falei isso para meu irmão várias vezes: todos os dias, quando acordava, a primeira pessoa que vinha na minha cabeça era o Edson. A gente baixou a poeira e conversamos bastante. Nós sentimos muita falta e foi uma coisa terrível para mim e para meu irmão também”.

Edson: “Foi melhor assim. A prova é este carinho e esta energia tão positiva que os ingressos para os shows se esgotaram pela internet. A gente não liga e para dinheiro porque a gente ganhou muito dinheiro. Era a paz espiritual que a gente buscava e nós encontramos. Então, para nós, o importante é estar um do lado do outro, com ou sem dinheiro. A maior riqueza que a gente tem na vida da gente hoje é paz e isso, você não compra com dinheiro nenhum. Só com arrependimento e com perdão. É isso que acontece com a gente”.

 

GTV: O que o público pode esperar deste show de volta?
Edson: “O show vai ser totalmente diferente! O que o público pode esperar? Espere! Porque vai ter muitas surpresas. Cada minuto que passa antes do show, para mim, está sendo uma emoção. Não é nervoso, mas estou preocupado em fazer um show para as pessoas acharem que pagaram um preço justo e que saiam do nosso show satisfeito.”

Hudson: As pessoas podem esperar um show com músicas inéditas, arranjos maravilhosos, a banda está super bem e eu estou muito feliz em estar de volta com essa banda que tem pessoas que passaram fome com a gente. Estamos de volta com o nosso empresário, o Vagner Mendes, que foi quem nos descobriu e nós vamos considerá-lo pelo resto da vida. O diferencial de Edson e Hudson no Brasil foi justamente isso. A gente é um sertanejo, mas com um estilo meio diferente. Graças a Deus, as pessoas sempre gostaram muito dos nossos shows porque a gente interage com as pessoas, a molecada adora guitarra, a mulherada adora o Edson. Foi uma junção de coisas que a gente fez.”

 

Entrevista com Edson e Hudson

Foto: Carlos Hinke / Colaborador

GTV: Qual a garantia que os fãs terão de que vocês não irão se separar novamente?
Edson: “Nem isso dá para garantir. A única coisa que nos separa hoje é a morte. Então, é até difícil dizer sobre o que iria separar a dupla. Erramos e os maiores culpados de tudo o que aconteceu na nossa carreira somos nós mesmos e a gente não quer errar mais. Porque quando você vai para o inferno, você não quer voltar mais. Isso é óbvio. Isso tem mudado as atitudes no coração de muita gente que não perdoa pai, irmão, mãe. A gente tem que se perdoar. E fizemos aquilo tudo porque estávamos doentes, tanto psicologicamente como espiritualmente. Hoje, a gente está superpreparado. Não tem como separar. Acho importante você perguntar porque dá segurança a quem vai ler a matéria”.

 

GTV: Mesmo com todo o aprendizado, quais os problemas de convivência que vocês têm como irmãos?
Hudson: “A dificuldade maior era pelo fato de a gente estar junto todos os dias o tempo todo. 24 horas por dia, avião, carro, van, aeroporto… E, quando você está muito acostumado com uma pessoa, você sente liberdade de poder falar qualquer coisa. É aí que está o erro. Eu acho que foi exatamente o limite que cada um não respeitou do outro. Hoje, eu enxergo muita coisa que o Edson falava para mim e que ele tinha razão e só o tempo provou que ele estava certo e o o Edson viu que outras coisas que eu falei para o meu irmão e também estava certo. Tudo o que eu tenho, que eu construí para mim, se não fosse o meu irmão, eu não teria”.

Edson: A gente vive muito num mundo muito capitalista onde as pessoas pensam muito no dinheiro em primeiro lugar. Eu não critico porque eu também fui assim. Quando você é assim, você não tem o direito de criticar. Se você atirar a primeira pedra, pode voltar um paralelepípedo na cabeça da gente. Teve uma época que a gente ficou embriagado com tudo isso: pelo dinheiro, pelo sucesso. Depois, fomos pra o whisky. Não porque isso é ruim. Tudo é lícito, mas nem tudo pode fazer. Você tomar uma cerveja é uma coisa e você tomar um engradado de cerveja é outra. Isso atrapalhou a gente pra caramba e fez as nossas emoções ficarem adormecidas. Infelizmente, o artista não pode sentir isso porque ele passa para o público. Muita gente pergunta se isso foi uma jogada de marketing e foi. De Deus. Esse tempo, a gente parou para a gente sofrer para caramba um longe do outro e aprender a dar valor. Porque não tem jeito. A gente nasceu grudado e vai morrer grudado se Deus quiser.

 

GTV: De quem foi a iniciativa, quem deu o primeiro passo para voltar a dupla?
Edson: “Voltamos e estamos felizes para caramba. Descobrimos a paz e a energia do show vai ser uma coisa incrível. Eu era uma pessoa muito ansiosa. Tudo fica pequeno perto da história que eu tenho com o Hudson. A história que a gente construiu juntos. Hoje, consigo ver o nosso tamanho com muita simplicidade e com muito orgulho, ao mesmo tempo, de Deus ter dado oportunidade de a gente chegar onde chegou. A prova é que em todo lugar que anuncia que Edson e Hudson vão voltar, é casa cheia. Sucesso. Não tem jeito. As pessoas estão com saudades”.

 

Entrevista com Edson e Hudson

Foto: Fabio Nunes / Colaborador

GTV: Qual o lado bom e o lado ruim deste período de carreira solo?
Edson: “Não teve muito lado bom, não, para ser sincero. Só teve lado ruim. Eu só me enganei. O Hudson com a bebida e eu com os remédios contra depressão e bebi pra caramba. Se vocês estão vendo a gente vivo aqui, é por obra de Deus. Isso é libertação. A verdadeira conversão. Não é o fato de você ir ou não na igreja. Respeito todas as religiões. Foi Deus quem levantou a gente. Eu nunca vou ter vergonha de falar de Deus. Acredite quem quiser”.

Hudson: “Na verdade, é o seguinte: o Edson estava dizendo isso e realmente a gente ficou muito doente mesmo. O médico falou que se eu pesasse trinta quilos a mais, eu teria morrido porque o meu coração inchou de tanta bebida e estresse. O médico falou para mim ‘ou você para ou você morre'”.

 

GTV: Vocês falaram sobre os problemas com bebidas e comprimidos para depressão. Vocês não acham que isso poderia trazer algo de negativo associado a vocês?
Edson: “Não tenho medo de nada disso e nem o Hudson. Sabe por quê? É porque nós somos verdadeiros. A gente não tem papas na língua. A gente fala o que sente e o que está pensando. Uma das grandes coisas que existem no nosso meio artístico é a falsidade, de as pessoas quererem se esconder atrás de uma personalidade que elas não tem. Então, quando você assume que está ciente e que se curou da doença, muito pelo contrário. Você vai passar a ser exemplo para as pessoas. Se as pessoas forem ver pelo lado negativo, elas vão estar apontando uma culpa para elas mesmas. A nossa parte, a gente já fez. Do nosso inferno, nós saímos. Nós queremos ajudar a tirar as pessoas que estão entrando ou que estão vivendo este inferno.”

 

GTV: De onde vocês tiraram forças? Porque vocês falaram bastante em religião…
Edson: “Aí, é Deus. Não é religião. Essa força vem de Deus. Se não fosse Deus, a gente estava ferrado”.

 

GTV: Qual a importância da família na vida de vocês nestes dois anos que vocês ficaram separados?
Hudson: “Olha, a família nossa sofreu pra caramba. Nosso pai nunca chegou pra gente e falou algo. Eu senti o nosso pai sem graça. Na verdade, a atitude de voltar foi muito natural. Eu senti o que o Edson também sentiu. Naquele momento, a gente já tinha passado por todas as coisas ruins. Foi algo natural que aconteceu. O Edson estava com o DVD pronto para lançar no mês seguinte. Voltamos simplesmente por amor a profissão. Não foi porque um ou outro estava ferrado. Foi por amor à profissão e o amor um ao outro.”

Edson: “Esse lance de estar ferrado é muito louco. A primeira vez que o Hudson precisou de mim, eu ajudei e quando eu precisei de algo, foi ele quem me ajudou. Foram os dois irmãos. Ninguém ajudou não.  Por isso que eu falo: unam-se, perdoem-se. Busque uma vida nova. Isso cura a alma. Às vezes, a pessoa tem uma doença que ela mesma construiu essa doença nela por não perdoar, por ter angústia… Mas, tudo na vida é equilíbrio. A bebida fez muito mal para mim e pode fazer mal para muitas pessoas se não souberem usar. Eu não sou contra a pessoa tomar um cálice de vinho, uma cerveja. É que, para mim, a cota já deu. Mas, eu acho que a meninada tem que se preocupar em cuidar da saúde.  Nosso pai, que é uma pessoa que a gente ama demais, foi meio pai no Michael Jackson profissionalmente falando, de chegar e falar que ‘se não cantar direito, é tapa na orelha’. A gente praticamente sustentou a nossa casa dos 5 anos até agora. Então, nós temos 32 anos de carreira. Isso não é brincadeira. E, mesmo sendo amadores, porque não tínhamos disco gravado, nós sempre nos consideramos profissionais porque verdadeiro o profissional é aquele que vive daquilo que ele faz. Então, são muitos anos e a gente tem alguma coisa para ensinar para as pessoas e, se elas puderem ouvir, vai ser muito bom para a gente.

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