Entrevista com Dudu Azevedo

Depois de Fina Estampa, seu último trabalho na tevê, o ator Dudu Azevedo está interpretando um piloto de caça em Flor do Caribe. “O Amadeu é um bom rapaz, centrado, sério na vida e na carreira militar. Não dá pra saber qual será o rumo do personagem, mas tudo me leva a crer que se trata de um herói”, disse o gato que ainda comentou sobre como lida com o ciúmes. “O ciúme é saudável, mas não pode sair do tom. Posse já é um problema! Procuro estar onde quero estar e com quem gosto de estar. Quando vira obrigação não é amor”, afirmou o ator. Confira a conversa da Guia da Tevê com Dudu:

 

Entrevista com Dudu Azevedo

Foto: João Miguel Júnior/Rede Globo

 

Guia da Tevê: Em Flor do Caribe você vive um piloto de caça. Como foi essa experiência? Você precisou fazer workshop para compor seu personagem?
Dudu: “Para compor o personagem costumo fazer alguma pesquisa, ora básica, ora profunda, dependendo do que cada um exige. Muitas vezes respeito também o lado intuitivo da descoberta , lendo, percebendo como o personagem se relaciona com os demais e com a sua realidade. No caso do Amadeu busquei referências em alguns filmes, em amigos e conhecidos que optaram pela vida militar. Tivemos também a oportunidade de conviver por um pequeno período com jovens que, assim como, o meu personagem se dedicam a vida a FAB, Força Aérea Brasileira. A Base Aérea de Natal nos acolheu para vivenciar a realidade de um “caçador”, como se auto-intitulam os pilotos de caça. E também para as gravações de cenas aéreas e terrestres da novela. Foi uma grande experiência! Daquelas que temos o privilégio de levar para sempre na memória.”

Guia da Tevê: Você estará no mesmo núcleo que o ator Thiago Martins. Mas seu personagem será vilão ou mocinho? Conte-me como será o Amadeu.
Dudu: “O Amadeu é um bom rapaz, centrado, sério na vida e na carreira militar. Seu pai, avô e bisavô também foram pilotos da FAB. E isso faz parecer que essa vocação e talento estão no sangue. Novela é obra aberta. Não dá pra saber qual será o rumo do personagem, mas tudo me leva a crer que se trata de um grande herói. Como muitos militares que fazem essa escolha no intuito de dedicar sua vida a zelar e defender o país.”

Guia da Tevê: Você já viveu algum personagem que fez com que você mudasse de opinião em relação alguma coisa?
Dudu: “Personagens são inevitavelmente transformadores. Temos a chance de amadurecer e viver experiências diferentes a cada nova história que contamos. Costumo me envolver e defender as causas de cada personagem. Todavia, fico atento para que não o permita invadir mais do que o necessário.”

 

Entrevista com Dudu Azevedo

Foto: João Miguel Junior/Rede Globo

Guia da Tevê: Homens fardados vêm tirando o sono das mulheres que acompanham Salve Jorge. Em Flor do Caribe não está diferente. Está preparado para as piadinhas? Você fica tímido quando recebe uma cantada?
Dudu: “Procuro não mitificar. A melhor forma de compreender e lidar com o meu trabalho é enxergando-o como trabalho mesmo. As consequências dele, sejam as boas, sejam as ruins, são inevitáveis e de responsabilidade minha. Procuro capitalizar as positivas, no sentido de absorver e potencializar. E superar, aprender com as negativas. Nem sempre é fácil. Mas aí está o desafio e o amadurecimento.”

Guia da Tevê: Normalmente os homens mudam pouco o visual. Desta vez você está de barba. Mas em qual look você se acha mais bonito?
Dudu: “Gosto das mudanças físicas para cada personagem. Acho que ajuda a criar identidade para eles. Quando não estou filmando ou gravando costumo deixar a barba e o cabelo um pouco maior, por costume e por preguiça também. Não sei em qual look fico mais bonito. Beleza é algo relativo. Na verdade acho que fico mais bonito quando estou feliz.”

Guia da Tevê: Você acabou de fazer um filme, no qual será um jogador de futebol. Como foi essa experiência, já que você filmou ao lado de atores estrangeiros?
Dudu: “Filmar o ‘Blue Lips’ em Pamplona, na Espanha, foi uma impagável experiência de vida pessoal e profissional. Trabalhar fora, com pessoas tão distintas, de culturas variadas, de diferentes países, que vivem dessa mesma arte, desse mesmo mercado, me ensinou muito e abriu novos horizontes. Minha vontade de viver outras experiências como essa só vem aumentando. São seis personagens de seis diferentes países, que vivem problemas distintos, e que, de alguma forma, transformam a história uns dos outros. Dramas paralelos e em comum, a busca por se reencontrar na vida. Falar outra língua no filme foi um desafio. Mas nada maior do que o esperado. Venho buscando isso há tempo e pra isso me preparo. Acredito muito no projeto e espero ansioso pelo momento de vê-lo na tela. Será incrível!”

Guia da Tevê: Após tantos trabalhos como você enxerga a sua carreira atualmente? Acha que melhorou muito profissionalmente nestes últimos anos? Você é muito autocrítico?
Dudu: “A autocrítica é parte fundamental do processo. Procuro estar atento ao resultado do meu trabalho e busco superar as dificuldades. Venho trabalhando bastante e é isso que desejo para os anos que seguem. Sempre buscando evoluir, amadurecer e apresentar resultados melhores. Estou feliz com tudo que tem acontecido. Mas tenho muitos objetivos a serem alcançados. Pontos a serem trabalhados, limitações a serem superadas. Quero corresponder dignamente a todas as oportunidades que me forem dadas.”

Guia da Tevê: Você sempre cuidou muito bem do seu corpo e até pratica alguns esportes, como MMA, por exemplo. Em algum momento se pegou preso a ditadura da beleza?
Dudu: “A rotina saudável, a boa alimentação e o esporte são escolhas minhas. Coisas que me fazem bem. Procuro ter relativa disciplina dentro dos meus objetivos e propósitos. Porém buscando não sofrer com isso. Tento conciliar tudo que faço com a minha satisfação, sobretudo, com a minha felicidade. Não justifica fazer nada disso pra ser escravo de um padrão estético. Cada um é o que escolhe ser. O importante é ser feliz.”

 

Entrevista com Dudu Azevedo

Foto: Renato Rocha Miranda/Rede Globo

Guia da Tevê: Numa entrevista você comentou que é ciumento, mas dentro do limite. Já namorou mulheres extremamente possessivas?
Dudu: “O ciúme é saudável, mas não pode sair do tom. Posse já é um problema! Procuro estar onde quero estar e com quem gosto de estar. Quando vira obrigação não é amor.”

Guia da Tevê: Como a Rafaela (Vidal) lida com as cenas mais calientes? Apesar de ser ficção, o contato físico acontece e às vezes os romances acabaram virando reais também. Como você passa segurança pra pessoa que está ao seu lado?
Dudu: “Trabalho é trabalho e deve ser entendido e respeitado como tal. O envolvimento ou o interesse por alguém pode acontecer com qualquer um, em qualquer lugar. Creio que, quando se está feliz, não há brechas para isso. Somos todos seres humanos em busca da felicidade. Nossa inquietude é movida por esse combustível. Quero ser feliz e fazer feliz quem está ao meu lado. Se não for assim, algo está errado.”

Guia da Tevê: Os homens são mais tranquilos em relação à idade. Mas já passou pela sua cabeça, casar, ter filhos, constituir família? É algo que você planeja pra daqui alguns anos?
Dudu: “Constituir família sempre foi um dos meus grandes sonhos. Claro que está nos meus planos!”

Guia da Tevê: Alguns atores gostam de cuidar da pele e do cabelo, usando hidratantes, cremes para pentear. No seu a dia a dia como é o seu cuidado?
Dudu: “Gosto de me sentir limpo. Tem dias em que tomo alguns banhos por conta disso. Mas não sou adepto dos cremes. Tenho mania de limpeza e uma atenção enorme à higiene. Mas escova de dente, creme dental, fio dental e sabão de coco são suficientes.”

Guia da Tevê: Você acha que através dos personagens que você interpreta, de alguma forma, exorciza suas vontades de fazer algo que normalmente não faria?
Dudu: “Meus personagens não são válvulas de escape. Não preciso deles pra realizar qualquer desejo meu. Assumo minhas vontades e procuro conciliá-las com o meu bom senso. Usar personagens como álibis pra fazer qualquer coisa que deseja na vida, me soa como covardia.”

Mais lidas