Entrevista: Camila Pitanga fala sobre o visual de Isabel em Lado a Lado

Camila Pitanga com visual de Isabel em Lado a Lado

Foto: João Cotta / Rede Globo

 

 

Para ficar com o visual da Isabel de Lado a Lado, Camila Pitanga revela que demora duas horas para fazer toda a caracterização e ficar linda como a personagem. Na trama, ela é a responsável por dar vida a uma mulher de personalidade forte e que não se intimida com as dificuldades do dia a dia. Neste bate-papo, a atriz também comenta sobre o figuro e  fala da importância desta transformação para a criação da personagem. Camila também  revela adorar as produções de época e comenta a importância de trabalhar em uma novela que mostre a afirmação dos negros.  “Eu acho que o bacana é falar da afirmação do negro, muito mais do que falar sobre o preconceito”, afirma. Confira o bate-papo:

 

Guia da TV: Como é a preparação do visual da Isabel?
Camila: “Demoro duas horas para ficar com o visual da Isabel. Ou uma hora e meia com duas pessoas fazendo freneticamente.”

Guia da TV: E está sendo tranquilo lidar com o figurino, o gestual?
Camila: “Foi fácil me adaptar. Eu estou achando lindo.  E ajuda muito porque tem uma caracterização especial.  O fato de se distanciar do seu jeito de ser, da sua roupa ajuda a se aproximar mais do seu personagem.Toda caracterização, apesar de ser é longa e demorar, não deixa de ser um fator positivo para eu chegar perto do personagem.”

Guia da TV: É perceptível que a Isabel tem presença de espírito, tem raciocínio rápido. Como foi a criação da Isabel para ela ser assim hoje?
Camila: “A gente não sabe nada da história da mãe dela, mas ela tem um pai muito afetivo, que é um ex-escravo que conseguiu se emanciapar, conseguiu comprar sua liberdade e trabalha como barbeiro. Ao mesmo tempo, aos 14 anos, ela começa a trabalhar na casa de uma francesa. Então, ela tem conhecimentos de etiqueta, de como se portar. Ela tem uma patroa afetiva também, que de uma certa maneira traz para ela uma força. Ela sabe se colocar nesses dois mundos.”

Guia da TV: O que você acha que Lado a Lado vai mudar na vida das mulheres?
Camila: “Acho que a novela vai trazer um reflexão sobre aquela época. E a gente está falando do Rio de Janeiro, e eu acho interessante poder comparar o Rio de Janeiro daquela época com o de hoje. Se antes queriam fazer da cidade a nova Paris, a gente está também vivendo um momento de euforia por conta das Olimpíadas. Eu acho que tem paralelos possíveis.”

Guia da TV: Em Lado a Lado vamos perceber a dificuldade dos negros de se inserirem na sociedade depois que eles foram libertados. Que tipo preparação vocês tiveram?
Camila: ” Não houve nada específico sobre esse assunto. Eu acho que a amizade dessas mulheres, da Isabel e da Laura, é a melhor maneira de falar sobre isso de uma outra forma, de falar sobre o preconceito racial. Mas é claro, tem também a questão dos dois, do casal Zé Maria e Isabel. A gente vai ter alguns exemplos de cenas de preconceito, mas a diferença é que eles tem a dignidade e uma autoestima que normalmente em novelas de época a gente não vê tanto.”

Guia da TV: Mas serão cenas como dificuldade em se manter, em encontrar um emprego?
Camila: “Sim, de constrangimento. Terá, mas muito menos por esse lado e muito mais por serem pessoas que têm a autoestima de pé, que de fato se respeitam. Eles se respeitam acima de tudo.  Eu acho que o bacana é falar da afirmação do negro, muito mais do que falar sobre o preconceito. Acho que a novela fala também do negro se afirmando na sociedade, com todas as suas dificuldades, mas se afirmando.”

Guia da TV: Você acha que ainda existe esse preconceito, esse racismo?
Camila: “Eu acho que ainda existe preconceito.”

Guia da TV: A Isabel é muito amiga da Laura. Você tem alguma amiga que pense igual a você que tenha essa afinidade?
Camila: “Eu tenho. Graças a Deus tenho boas amigas. E nem é só uma. Mas eu nem posso falar de uma que fica chato com as outras. Eu tenho boas amizades. Amizades de longa duração. E no caso da Isabel e da Laura, eu acho bonito que nem sempre elas concordam. Porque eu acho que uma amizade verdadeira não é aquela em que uma adere a tudo o que a outra faz. E a que você critica, que você ajuda a regular a vida, num sentido de troca, de pensar junto. E a gente muda també, né?”

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