Entrevista: Antonia Fontenelle fala sobre a relação com Marcos Paulo

Antônia Fontenelle de vestido vermelho

Foto: Felipe Assumpção / AgNews

 

Esposa do ator e diretor Marcos Paulo, que faleceu na noite de domingo (11/11), Antônia Fontenelle afirma ter recebido apoio do marido para assinar contrato com a Record. Com uma infância difícil, a atriz garante que lutou muito para chegar onde está hoje. Atualmente, Antônia integra o elenco da novela Balacobaco e afirma não ter pedido favor a ninguém para estar na tevê. Polêmica e sem papas na língua, a atriz comenta sobre a relação com a Internet e as redes sociais e ainda afirma: “Vou pagar assessoria de imprensa para desmentir boatos? Não sou mulher disso. Eu mesma passo a mão no telefone e questiono”. Confira o bate-papo que a Guia da TV teve com a atriz em setembro deste ano:

 

Guia da TV: Você é uma mulher de quem as pessoas gostam de falar. A que você atribui isso?
Antonia: “Nunca fui de correr atrás de diretores pedindo emprego ou de bajular ninguém. Acho que é essa coisa de falar de onde eu vim, de mostrar onde quero chegar através do meu trabalho e ir na contramão de tudo que esperam, é que incomoda as pessoas. E as pessoas sabem que a minha relação com Marcos Paulo não é para fazer novela. Estudei para isso e sou boa no que eu faço.”

Guia da TV: O Marcos aconselhou você a assinar com a Record?
Antonia: “Ele adorou. Se antes, nenhuma mulher do Marcos Paulo fazia o que eu faço, não tenho nada a ver com isso. Mas não fiz nada para agredi-lo. Um monte de amigas minhas me falaram para não aceitar. Que as atrizes da Record não aparecem, não são chamadas para fazerem campanhas, capas de revistas. Ah, eu falei: ‘bicha, que cabeça é essa de vocês? Escolher canal? Se eu quisesse estar na vitrine, ia trabalhar como prostituta no exterior'”.

Guia da TV: E como se sente contratada pela Record?
Antonia:
“Estou muito orgulhosa. É uma conquista, uma travessia de um mar revolto. Vim para um lugar onde as pessoas jamais imaginaram que eu fosse chegar. E vim bem, não pedi nada a ninguém. Eu não gosto de pedir, prefiro dar. Por isso que nunca bati na porta de ninguém. Fui uma vez na Globo levar meu material, a produtora de elenco ficou mexendo no celular e mandou eu jogar numa pilha. Perguntei se ela conhecia meu trabalho, mas ela disse: ‘eu sei quem você é’.  Ela nem olhou na minha cara. Nunca mais procurei ninguém. Não preciso disso.”

Guia da TV: O que mais incomoda você?
Antonia:
“O que me incomoda são os julgamentos precipitados. Atire a primeira pedra quem não tem telhado de vidro. De onde vim, a palavra vale mais do que qualquer coisa. Sou filha adotiva de um casal do cerrado. Outro dia entrou uma mulher do Piauí que se diz advogada e jornalista na internet e me disse que eu nunca vou conhecer a sociedade teresinense porque vim do mangue e da lama. E eu falei: ‘querida, você está louca, eu vim do cerrado, lá é seco! Eu não estou interessada na sociedade teresinense’. Conheço a de Paris, a de Nova Iorque, e daí? E conheço mesmo. Aprendi que ter amigos é o mais importante. Não tenho dinheiro, mas tenho amigos. Minha mãe, uma mulher ignorante, me ensinou que ter amigos é melhor que ter dinheiro. Vivi ouvindo vários chavões que são certos. Já perdi muito.”

Guia da TV: De alguma forma, o Twitter ajudou você?
Antonia:
“Eu não acho. Acho que não vem nada positivo dali. Na verdade, não fico pensando no que vou escrever. Eu sinto e escrevo. Eu só tenho a mim para me defender. Vou pagar assessoria de imprensa para desmentir boatos? Não sou mulher disso. Eu mesma passo a mão no telefone e questiono.”

Guia da TV: Você se considera uma artista polêmica?
Antônia: “As pessoas dizem que sou polêmica, mas não acho isso. Se eu parar para pensar se as pessoas gostam ou não de mim e do que escrevo, vou passar mal. Eu penso em quem sou eu, o que eu quero para minha vida, como quero trilhar meu caminho. E aí sim, o que você quer de mim? Se me atacar, me defendo. Se vier com gentileza, vou retribuir. A vida é assim. Essa coisa de você não ter vergonha de dizer de onde você é, de onde veio… Quando o Marcos estava na UTI, por exemplo, tinham dias em que a gente achava que ele ia morrer. Eu pedia socorro. [choro] Eu estou chorando porque foi barra pesada mesmo. Eu dividia a minha dor com as pessoas. Mas tem gente que não faz isso. Tem gente que é do Maranhão, mas diz que é de Curitiba porque tem vergonha de ser nordestino.”

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