Dia de Conscientização Do Autismo: a história de uma mãe que convive com a doença

 

Dia da conscientização do autismo

Dia 2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo – transtorno que tem como características principais problemas de relacionamento, dificuldade para se comunicar e responder aos estímulos do ambiente (conheça outros sintomas do autismo). Muitas mães passam pelo desafio de criar filhos autistas e não sabem como começar o tratamento. Lisandra Regina de Carvalho Oliveira descobriu que seu filho Otavio, aos dois anos de idade, apresentava características diferentes das outras crianças. Agora com sete anos e ajuda de profissionais especializados, Lisandra conta a história do filho e dá conselhos para as mães que ainda se sentem perdidas e precisam de ajuda:

– Quando você descobriu que ele era autista?

“O Otavio tinha dois anos. Eu percebi pelas pessoas comentando que ele era diferente: bagunceiro, não parava quieto, tinha problemas de audição, não prestava atenção em nada, não olha para ninguém, não gostava de beijos e abraços e só queria ficar comigo. Depois de levá-lo em psicólogas e fonoaudiólogas, elas notaram anormalidades e o enviaram para um neurologista. O médico achou que ele era hiperativo e começou o tratamento, mas,  depois de um tempo, começou a desconfiar que poderia ser autismo. Eu o levei na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e lá ele foi diagnosticado com o transtorno. Agora ele faz tratamento na APAE e com fonoaudiólogas na USP. Hoje ele é outra pessoa: uma criança que assimila o que falamos e aprende bastante.”

– Como é a vida escolar do Otavio?

“Ele estuda numa escola regular da prefeitura. Nessa escola ainda não tem professora especial, mas estão avaliando essa proposta. Nas outras escolas que ele estudou, todas forneceram professoras especiais para ele. Mesmo assim, o Otavio é tratado igual às outras crianças. Ele precisa de mais atenção do que os demais, então a professora sempre me escreve e a gente conversa bastante. Ele vai superbem nos estudos!”

– Como é o comportamento dele?

“Ele era agressivo: mordia todas as crianças no parquinho e batia em todo mundo. Depois do tratamento que ele começou na APAE (terapia e hidroterapia) e na USP, ele melhorou muito. Antigamente ele gostava de ficar no cantinho dele, só brincando com os carrinhos. Hoje ele interage bastante e tem hobbies: adora assistir lutas de WWE e seriados na televisão.”

– Que tipos de cuidados você precisa ter?

“Principalmente atenção: estar sempre de olho em tudo. Em uma piscada de olhos, ele pode sumir para algum lugar.”

– O Otavio ainda é criança e estudante, porém, ele vai poder ingressar no mercado de trabalho? Ou vai precisar de uma ajuda especial?

“Recebendo ajuda e tratamentos desde cedo, ele vai poder trabalhar sim. Por enquanto, ele ainda vive no mundinho dele, na rotina dos tratamentos. Mas, acredito que no futuro, vai ser mais fácil para ele entrar no mercado de trabalho.”

– Você pode dar conselhos para outras mães?

“Eu fiquei sem chão quando descobri o que o Otavio era autista. Mas, o que aconselho é procurar ajuda e ir atrás de um especialista. É importante levar a criança a um neurologista e um psicólogo. Eu dei muitos conselhos para outras mães e também tive uma pessoa que me ajudou bastante: a mãe do Leo, que também é autista. Eu lutei, fui com coragem e procurei vários lugares para ele. Hoje o Otavio é uma criança incrível.”

 

Tags: , ,

Mais lidas