Cuidados com alimentação infantil

Antigamente, criança gordinha era sinônimo de criança saudável. Hoje em dia sabe-se que os quilinhos extras são prejudiciais ao organismo. Segundo pesquisa do IBGE, 33,5% das crianças entre 5 a 9 anos apresentam algum grau de sobrepeso e 14,3% delas estão obesas. Afinal, quais as consequências desse problema? Como os pais podem evitar que seus filhos passem por isso? Quem responde é Juliana de Lucca, nutricionista do Hospital Santa Virgínia.

Quais são as gorduras consideradas ruins?

“Gordura saturada e trans são as gorduras ruins. A saturada está presente em todos os derivados de animais: leites e derivados e carnes gordurosas. A trans é uma modificação industrial das gorduras. Além de aumentar o colesterol LDL (ruim), diminui o colesterol HDL (bom) e está presente em sorvetes, bolachas, chocolates, produtos de panificação, entre outros. Já as gorduras insaturadas, de origem vegetal, são consideradas gorduras boas para a saúde. Óleo de linhaça, azeite, óleos vegetais, abacate, castanha e nozes são exemplos de gorduras boas. Elas colaboram com o aumento de nosso colesterol bom e  não se depositam somente na região da barriga, colaborando com o nosso coração”.

Qual a recomendação máxima de consumo dessa substância na infância?

“A qualidade das gorduras consumidas durante a infância é importante não somente para promover crescimento e desenvolvimento adequados, mas também para garantir a saúde cardiovascular em longo prazo. Com base em estudos epidemiológicos, a OMS considera provável a evidência de que a gordura saturada aumenta o risco de doenças cardiovasculares em crianças e recomenda que a ingestão desse tipo de gordura seja inferior a 8% do Valor Calórico Total na faixa de 2 a 18 anos”.

Quais as principais complicações do excesso de consumo de gordura?

“Obesidade, aumento do colesterol ruim, infarto do miocárdio, aterosclerose (doença inflamatória dentro dos vasos sanguíneos) e hipertensão arterial (aumento da pressão sanguínea nas artérias)”.

Com relação ao açúcar, alguns estudos sugerem que o consumo excessivo pode piorar quadros de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Por quê?

“Embora não existam evidências conclusivas sobre o papel dos alimentos no desenvolvimento do TDAH, há a suspeita de que alimentos ricos em açúcar simples possam desencadear os sintomas pois, quando ingeridos, eles passam rapidamente para a corrente sanguínea, causando um aumento na produção de insulina que retira o excesso de glicose do sangue, acumulando-a no fígado. Assim, quando ingerimos carboidrato de digestão rápida (como os presentes em refrigerantes, pães brancos e doces), sujeitamos nosso cérebro ao aumento nos níveis de glicose – isso poderia ser incompatível com as necessidades de um cérebro que tem mais dificuldades em manter padrões estáveis de funcionamento. Para as crianças que têm TDAH a nutrição pode realmente ajudar a sua condição de ser um problema menor. Ela não substitui a medicação, na maioria dos casos, mas pode ser uma boa maneira de aliviar os sintomas. Existem alguns alimentos que devem ser evitados e outros que devem ser consumidos em grandes quantidades. Entre estes estão as proteínas e os carboidratos de digestão lenta (como produtos integrais)”.

 

alimentação infantil

Foto: Shutterstock

Capriche no cardápio!

Como balancear a alimentação das crianças?

“O segredo está na alimentação baseada nas ‘leis da boa nutrição’: qualidade, variedade e moderação.

Qualidade: significa comer mais alimentos que contêm vitaminas, minerais e fibras, como frutas e verduras, e diminuir o consumo dos que possuem calorias ‘vazias’, como biscoitos e refrigerantes.

Variedade: não existe um alimento que contenha todos os nutrientes necessários para uma boa saúde. Portanto, devemos variar ao máximo os alimentos, para que o organismo possa absorver os mais diversos nutrientes;

Moderação: todos os alimentos podem ser consumidos, desde que com muita moderação. É primordial uma boa distribuição entre os grupos de alimentos: carboidratos, proteínas e gorduras.

E como educar o paladar infantil assim que o bebê começa a comer?

Esse é o principal momento em que se criam os hábitos alimentares. O ideal seria começar a apresentar à criança uma maior diversidade de alimentos e preparações, priorizando os de boa qualidade nutricional como: frutas, legumes, verduras, sucos naturais, frango sem pele, carnes magras, peixes, leguminosas, arroz. Nos primeiros anos de vida, é recomendado evitar açúcar, pois é nessa fase que a criança desenvolve o paladar. Uma alimentação equilibrada e adequada fornece à criança suporte para um bom crescimento e desenvolvimento. Atitudes conscientes dos pais diminuem a chance da criança desenvolver distúrbios alimentares com riscos nutricionais. Então, pensem, façam as contas, reflitam como desejam acostumar o paladar de seu filho. E isso começa desde cedo!”.

 


 

Consultoria: Juliana de Lucca, nutricionista do Hospital Santa Virgínia em São Paulo.

 

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