Conheça o transtorno de atenção e hiperatividade

Você já ouviu falar do TDAH? O transtorno de atenção e hiperatividade é caracterizado como um transtorno comumente diagnosticado na infância, que consiste, basicamente, em um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade acima do esperado para crianças ou adolescentes.

Se o seu filho sente muita dificuldade nas atividades escolares, não consegue se organizar e vive inquieto ou ansioso, ele pode sofrer de TDAH. Veja dicas da psicóloga e mestre em neurociências Juliana Fernandes e saiba como ajudar seu filho:

 

Mãe e filho estudando juntos

Foto: Shutterstock Images

Como descobrir o transtorno?

A psicóloga explica que a desatenção se manifesta principalmente na escola, mas também pode comprometer a vida social: “As crianças com déficit atencional não costumam prestar atenção a detalhes, cometem erros por distração e os trabalhos escolares não são realizados de forma cuidadosa, pois tendem a não finalizar as tarefas”.

Ela também completa que as crianças ou adolescentes desorganizados costumam perder muitos objetos com frequência: “Eles precisam empregar muito esforço para manter algum padrão mínimo de organização e para lidar com tarefas monótonas ou desagradáveis”.

A hiperatividade também pode estar presente no transtorno: “Crianças com hiperatividade apresentam inquietação, mexem-se com frequência na cadeira, podem correr em demasia, escalar móveis e apresentar irritação. Esses sinais podem e devem ser observados antes dos sete anos, porém, muitas pesquisas apontam a presença de TDAH em adultos”, afirma Juliana.

Também é importante ressaltar que algumas vezes o hiperativo tem déficit de atenção, outras não. Há alunos com déficit de atenção que não têm hiperatividade.

Existe tratamento?

“O tratamento para o TDAH deve ser multidisciplinar”, afirma a psicóloga. “A mãe deve levar o filho ao neuropediatra para realizar diagnóstico e, caso haja indicação, realização de intervenção farmacológica;  buscar psicoterapia para suporte familiar, avaliação e manejo comportamental e psicopedagogo ou neuropsicólogo para trabalhar com estimulação da função atentiva, função executiva e memória”, completa.

Vida comum na escola

A criança com o transtorno pode levar uma vida comum e frequentar a classe regular na escola, mas é necessário que os professores estejam cientes da situação. Caso haja necessidade, o professor pode adequar as tarefas à demanda da criança com TDAH, como por exemplo:

– Diminuir a quantidade de estímulos visuais/auditivos na sala;

-Solicitar que a criança sente próximo ao professor;

– Compreender o ritmo de produção da criança e trabalhar com a aprendizagem cooperativa (distribuição por pares ou sistema de monitoria);

“Existem portarias e projetos de lei que garantem o direito de crianças e adolescentes com TDAH para avaliação e suporte escolar diferenciado”, afirma Juliana.

Apoio dos pais

A ajuda dos pais é imprescindível para o desenvolvimento da criança ou adolescente. Paciência, compreensão e companheirismo são as melhores formas de auxiliar o filho que sofre com o TDAH.
“Os pais devem criar um ambiente seguro para realização das atividades escolares e sociais. É necessário também  estabelecer uma rotina previsível,  regras, limites e procedimentos devem ser claramente definidos, ensinados e praticados. Proporcionar maior encorajamento e retorno positivo. Não barganhar com a criança! Não trocar o bom comportamento ou bom resultado por presentes caros e sim, encorajar e reforçar bom comportamento através de elogios e presentes simbólicos, como a oportunidade de jogar videogame por algum tempo, fazer um passeio e assim por diante”, conclui a especialista.

 

Consultoria: Juliana Fernandes, psicóloga, mestre em neurociências e professora do curso de psicologia do Centro Universitário Celso Lisboa (UCL)

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