Como parar de fumar

Como parar de fumar

Foto: Thinkstock/Getty Images

Restrições de venda e nas ações de propaganda, imagens de pessoas brutalmente doentes nas embalagens de cigarro, campanhas antitabagistas, leis proibindo o fumo em lugares públicos, discursos que promovem a saúde e colocam no banco dos réus o hábito de fumar. O cerco se fecha em torno do cigarro e, apesar de todos esses apelos, deixar de depender dele não é tarefa fácil. Mas abandonar o vício é possível, e a pneumologista Christina Pinho, do Hospital São Vicente de Paulo, do Rio de Janeiro (RJ), conta qual é o primeiro passo para isso: “Mobilizar-se de fato, mesmo que a pessoa ainda não se sinta 100% pronta para o processo”.

Querer é poder
O velho ditado é totalmente apropriado para quem quer se tornar um ex-tabagista. Alguns usam a palavra “determinação” para definir o tipo de atitude que se deve ter para alcançar o benéfico objetivo. Contudo, o terapeuta auricular Marat Fage, do Instituto Marat – Centro Especializado no Tratamento do Tabagismo, esclarece: “Determinação quer dizer que, pressionado por informações ou por pessoas, o indivíduo decide parar de fumar, mas sem ter vontade disso”. Assim, a postura mais adequada é uma autoanálise de prós e contras do cigarro na vida do próprio fumante. Um bom começo é listar em um papel as razões para fumar opostas aos motivos para parar. Depois de anotados, marque os itens mais relevantes em ambas as categorias e avalie a importância de cada um. Então, faça sua escolha, lembrando-se de que o desejo de fumar só irá embora quando você parar de consumir cigarro.

Identificando razões
“É importante investigar as razões que levam a pessoa a fumar, que variam de indivíduo para indivíduo”, diz a especialista em dependência química Mirelle Clarim, da Clínica Alamedas.Um terço das pessoas que experimentam cigarro tornam-se dependentes dele, sendo que alguns, com alto grau de dependência, chegam a consumi-lo até de 15 em 15 minutos. A maior responsável por essa fissura é a nicotina, substância presente no tabaco que causa compulsividade. Por isso, é comum ao fumante pensar ser impossível viver sem a droga. Contudo, passado o período de abstinência, resistir a ele fica cada vez mais fácil.

Muitas pessoas também sentem dificuldade em abandonar o fumo por razões psicológicas. Como a droga assume um caráter de escapismo diante das tensões cotidianas, o indivíduo julga (até inconscientemente) não ser capaz de enfrentar seus desafios sozinho. Mais do que isso, o cigarro parece ser maior do que o próprio dependente para provar que isso pode ser superado.

Associações de comportamento também são um entrave. A maioria dos fumantes acende um cigarro logo depois de tomar um café. Também tem aqueles que não conseguem ler sem tragar. E é por causa desses vínculos que alguns fogem do confronto de cessar o vício, temendo desestabilizar a rotina ou o estilo de vida já estabelecido.

Grupos de apoio
Além desses planejamentos que consistem basicamente em mudanças de comportamentos, ou seja, não dependem de investimento financeiro e são acessíveis a todas as pessoas, outros recursos também podem ser associados ou utilizados de maneira independente. “O ideal é que os tratamentos sejam individualizados, levando em conta as particularidades de cada paciente: a quantidade de nicotina consumida, os sintomas de abstinência experienciados, características como idade, presença de comorbidades clínicas ou psiquiátricas, classe socioeconômica, nível de escolaridade, etc”, explica Mirelle.

O aconselhamento individual ou em grupo é um recurso comum e bastante útil no tratamento de fumantes com grau leve de dependência. É possível encontrar, inclusive, na internet, grupos virtuais de apoio (www.fumantesanonimos.com.br), que têm semelhanças com os conhecidos Alcoólicos Anônimos. Estima-se que apenas entre 3 e 5% dos fumantes conseguem abandonar o hábito de modo independente.

Atenção especial
“Os dependentes químicos de grau elevado precisarão de intervenções mais intensas para conseguirem abandonar o cigarro”, ressalta a especialista. A internação em clínica, em alguns casos, é tão necessária ao dependente de nicotina, quanto aos que usam cocaína ou crack, por exemplo.  A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais eficazes para esse tipo de quadro e pode ser associada a outros recursos, como o uso de medicamentos.

 

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Consultoria: Marat Fage, terapeuta auricular do Instituto Marat – Centro Especializado no Tratamento do Tabagismo;
Mirelle Clarim, especialista em dependência química, da Clínica Alamedas / Fonte: Instituto Nacional de Câncer (INCA); Manual do participante Deixando de fumar sem mistérios: entender por que se fuma e como isso afeta a saúde, INCA, 2004

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