Como melhorar o relacionamento no dia a dia

Altos e baixos fazem parte da vida de qualquer pessoa, e de qualquer romance também. Algumas fases são bastante estressantes mas, se forem bem resolvidas, acabam se convertendo em ainda mais entendimento, cumplicidade e amor. A psicóloga especialista em terapia de casais Solange Rosset, de Curitiba (PR), ensina você a resgatar o amor e a compreensão nos momentos mais difíceis.

Cooperação x competição

Para a especialista, a maior causa das crises no relacionamento é a dificuldade das pessoas em lidarem com as diferenças. “Quando surge um problema, cada um se apega ao seu jeito de resolvê-lo e, ao invés de cooperarem, passam a competir para provar que o seu modelo é o mais certo”, comenta. Confira o que fazer nos momentos mais tensos:

 

Casal deitado e separado na cama

Foto: Shutterstock Images

Convivência na mesma casa: durante o namoro, muita gente sonha com o esperado “enfim, sós”. Mas, quando ele chega, cada um tem uma forma de lidar com as situações cotidianas, o que fatalmente resulta em conflitos. “É preciso criar uma nova maneira de fazer isso, que seja específica do casal: diferente do jeito de cada um e de cada uma das famílias”, explica Solange. “Outra dificuldade é sair do idealizado e agir de acordo com os dados da realidade, que podem ser muito diferentes”, completa a psicóloga.

Problemas em família: dizem que as pessoas não se casam com o parceiro, mas com a família dele. Afinal, será necessário conviver com os novos parentes, com os quais nem sempre se tem tanta afinidade. “Se o casal compreender que a tarefa é criar um sistema novo, saberá colocar limites nas invasões das famílias de origem e lidar de forma cooperativa, de comum acordo, sem competir nem guerrear”, afirma a psicóloga.

Chegada dos filhos: é um momento que requer paciência e esperança, pois há muitas mudanças em curso. Se algumas questões práticas da convivência não forem resolvidas antes do casal ter filhos, corre-se o risco de usá-los como arma de guerra, o que precisa ser evitado.

Problemas financeiros: geram uma grande instabilidade na vida diária, o que provoca insegurança. Quando o casal já não está tão bem, esse costuma ser um fator agravante para a crise.

Mudanças com o tempo: os anos passam e, com eles, todo mundo erra, aprende, cresce e muda sua forma de viver. Ambições, expectativas e opiniões: tudo fica tão diferente que, em determinado momento, um não reconhece no outro a pessoa por quem se apaixonou. De acordo com Solange, reciclagem é a palavra certa. “Um relacionamento precisa ser recontratado de quando em quando para se adequar às mudanças”, afirma.

Crise dos 7 anos: ela existe?

Segundo a especialista, as crises são inevitáveis porque, a cada momento, o casal passa por situações novas que exigem muito jogo de cintura para lidar com os imprevistos. “No entanto, algumas das crises previsíveis do relacionamento podem se transformar em conflitos de intensidade maior”, explica, citando a crise dos 7 anos e a de vinda dos filhos.

Nesses momentos, outras crises em outros setores da vida podem estar em andamento, o que repercute na vida amorosa. “O casal passou por cima de outras dificuldades e agora traz tudo à tona”, diz Solange. Estão incluídos nesses casos os problemas profissionais, as crises familiares e até questões pessoais de cada membro do casal.

“A crise é um evento desagradável, mas que, se bem usado, será uma forma de crescerem como pessoas e como casal. Uma das aprendizagens é se organizar para não fazer durante a crise aquilo que não faria nos bons momentos, por exemplo, contar os problemas para os outros, ir para a casa da mãe, envolver os filhos ou ter um caso extraconjugal”, diz a psicóloga.

Lições para depois da tempestade

Converse com seu parceiro sobre a inevitabilidade das crises. “Sabendo que elas virão, os dois podem se preparar para elas e saber que não precisam se desesperar quando os conflitos acontecerem”, diz.

Combinem, nos momentos de paz, o que poderão e deverão fazer durante e depois da crise. O que foi acertado em comum acordo é sempre mais fácil de ser cumprido.

Programem avaliações da relação: o que correu bem, o que foi ruim, o que fizeram que auxiliou a superar os problemas, o que atrapalhou, o que precisa ser recontratado e o que ambos precisam aprender.

 

Consultoria: Solange Rosset é psicóloga, especialista em terapia de casais e família, de Curitiba (PR).

Site: www.srosset.com.br

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