Como criar os filhos sem a presença do pai

Como criar os filhos sem a presença do pai

Foto: Thinkstock/Getty Images

No lar, elas têm a tarefa de deixar tudo perfeito: organizar o almoço, acompanhar a tarefa das crianças, controlar e pagar as despesas… E para isso, ainda batalham pelo salário que mantém a casa. Segundo levantamento do instituto Ibope Media, 37% das brasileiras que têm filhos não vivem com um companheiro e acabam sendo pai e mãe ao mesmo tempo. Embora seja desafiador, o psicólogo Alexandre Bez afirma que é possível criar uma criança feliz sem a presença do pai.

Criança feliz, sim!

“Essa é uma das questões mais delicadas que existem. A criança precisa de uma figura paterna para completar seu ciclo de desenvolvimento”, explica o psicólogo. Porém, Bez comenta que os filhos criados somente pela mãe podem se tornar adultos tão realizados quanto aqueles que pertencem a uma família tradicional. Para isso, é essencial preservar o contato frequente com tios e com o avô para contribuir positivamente na formação da personalidade dos pequenos.

O psicólogo orienta que não se deve ter uma preocupação excessiva para que o filho veja o parente todos os dias. O convívio natural, como em visitas aos fins de semana, são suficientes.

Cada caso é um caso

Tudo vai bem, até o dia em que seu herdeiro decide questionar suas raízes. Como explicar  a ausência de alguém tão importante como o pai? O especialista diz que respeitar a postura do homem na história, em casos em que os pais preferem não estabelecer vínculos com as crianças, é fundamental para evitar episódios de violência emocional. “Não insistir é a melhor saída. É claro que essa ausência irá causar uma lacuna, mas a mãe precisa resolver isso”, aconselha. Isso porque uma tentativa forçada de estabelecer uma relação de pai e filho pode gerar na criança a sensação de rejeição, já que o homem pode não estar satisfeito nesse vínculo.

O especialista afirma que ser transparente com as crianças é a melhor opção: se você vive uma situação como essa, seja sincera com seus filhos e preserve-os, pelo menos até que tenham condições de enfrentarem a situação sozinhos. O mesmo vale para aquelas mulheres que resolveram se distanciar do homem com quem tiveram um relacionamento no passado: é melhor deixar que a criança cresça e decida se quer encarar esse encontro.

Dizer “não” é bom

“Quem tem limites em casa, saberá lidar melhor com a frustração”, essa é a orientação do psicólogo para as mamães que tentam compensar a falta do pai mimando os pequenos além da conta. Não tenha medo de colocar regras em casa e saiba dizer “não”, sem peso na consciência: “quem sabe ouvir não, sabe dizer não, inclusive para o que não é bom, como violência e drogas”, ressalta.

Outra preocupação recorrente das mães diz respeito a um possível comportamento rebelde que as crianças podem desenvolver devido a essa ausência. No entanto, o consultor diz que isso está mais relacionado ao temperamento do que a um sentimento de rejeição. “Em alguns momentos, as crianças podem ficar mais chateadas, como, por exemplo, no Dia dos Pais. Mas o fato de se tornar rebelde é mais uma questão de personalidade”, define.

 

Consultoria: Alexandre Bez, psicólogo e escritor. Site www.clinicaab.com.br

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