Células tronco: de onde vêm e como doar?

Do cordão umbilical ou da medula, elas são cada vez mais usadas

 

Células tronco: de onde vêm e como doar?

As células-tronco são aquelas que podem dar origem a um tecido ou órgão do corpo humano e, por conta disso, podem ser utilizadas no tratamento de várias doenças. Mas de onde elas podem ser retiradas? Pode ser feito pelo SUS? Malu conversou com Maria Helena Nicola, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Cryopraxis Criobiologia, o principal banco de sangue de cordão umbilical da América Latina, e traz as respostas para você.

  

De onde vêm?

*As células-tronco podem ser retiradas do sangue do cordão umbilical e placentário (SCUP), no momento do parto, ou da crista ilíaca da medula óssea de indivíduos de qualquer idade.

*Elas são muito semelhantes e podem ser usadas para o tratamento das mesmas doenças. Em geral, as células-tronco presentes em todos os tecidos fazem pequenos reparos quando há lesões nos mesmos.

*“Esta semelhança está na quantidade, diversidade e possibilidade de diferenciação: hematopoéticas – que dão origem a células do sangue; e mesenquimais – que dão origem às células de quaisquer outros tecidos”, explica a pesquisadora.

  

E o SUS?

*Atualmente, a retirada e o armazenamento de células-tronco do SCUP só são feitos por clínicas particulares.

*Mas há outro serviço oferecido pelo SUS que é muito importante para curar doenças de pessoas de todo o país: é a doação do cordão umbilical.

* “Não se trata de uma doação universal como ocorre com o sangue e que pode ser feita em qualquer hospital ou por qualquer pessoa, pois existem alguns controles no momento da coleta do sangue do cordão, necessários para um bom aproveitamento das unidades”, informa a especialista.

*A doação é realizada apenas em maternidades credenciadas do programa da Rede BrasilCord, que reúne os bancos públicos de sangue de cordão.

*As células-troncos presentes no sangue dos cordões doados servirão para serem utilizadas em transplantes para qualquer pessoa do Brasil, desde que haja indicação médica e compatibilidade.

 

A partir do momento em que o cordão é doado, alguns passos são seguidos pelo SUS:

– As unidades coletadas recebem um identificador numérico que passa a ser a identidade da bolsa. “Toda referência a ela passa a ser realizada com esse número, e não mais com o nome da gestante”, informa Maria Helena.

– O cordão é levado ao laboratório, no INCA (Instituto Nacional de Câncer), onde passará por diversas etapas.

– Inicialmente, é avaliado o número de células presentes na unidade. Caso o número destas seja suficiente para um transplante, ela é processada, tendo seu volume reduzido a 20ml, e congelada (criopreservada).

-Assim, a unidade fica aguardando os resultados dos exames realizados, inclusive exames maternos, que avaliarão a presença de marcadores para doenças infectocontagiosas do sangue.

 

Texto: Giovana Sanches
Consultoria: Maria Helena Nicola, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Cryopraxis Criobiologia. Site
www.cryopraxis.com.br
Foto: Thinkstock/Getty Images

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