Câncer de mama: Verdades que você precisa saber sobre essa doença

Realidade do problema
1- O câncer de mama é muito mais comum nas mulheres acima dos 55 anos. “Porém a incidência vem diminuindo nos últimos anos, provavelmente devido à queda no emprego da reposição hormonal”, avalia o médico Fernando Medina da Cunha.

2- Entretanto, um novo dado é preocupante: tem aumentado a incidência do problema entre mulheres com menos de 35 anos. “Não se sabe a causa, mas imaginamos que seja multifatorial: o estilo de vida da mulher brasileira tem mudado nos últimos anos. Com mais trabalho, ela tem deixado de ter filhos e se alimentado com uma dieta rica em proteínas e gorduras”, exemplifica.

Diagnóstico
3- Em alguns casos, os sintomas são claros: alteração na mama ou na pele, presença de nódulo, retração do mamilo e secreção sanguinolenta. Podem ocorrer ainda vermelhidão e inchaço. “Há também um grupo de mulheres assintomáticas. Por isso, é recomendada, anualmente, uma mamografia a partir dos 40 anos”, alerta o médico.

4- Um exame clínico da mama deve fazer parte do check-up da saúde feminina: a cada três anos para mulheres na faixa etária entre 20 e 30 anos e a cada ano depois dos 40 anos.

5- O autoexame é uma boa opção para notar alterações nas mamas, já a partir dos 20 anos. “Ele é importante porque mais de 70% dos casos de câncer de mama são descobertos pela própria paciente”, afirma.

“Nem todo nódulo palpável é câncer, principalmente em mulher jovem, quando a doença benigna da mama é muito comum”, esclarece. De qualquer forma, não tenha medo e procure um mastologista se perceber qualquer mudança nos seios.

7- As mulheres com maior fator de risco (histórico familiar, tendência genética e caso de câncer de mama), devem conversar com seu médico a respeito dos benefícios e das limitações para iniciar o rastreamento precoce e a frequência dos exames complementares, como ultrassom ou ressonância magnética.

8- É verdade que a mamografia é um exame um pouco desagradável para mulher devido à compressão dos seios. Porém, ele é rápido, não causa problemas posteriores e pode ser feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

9- De acordo com o especialista, uma das novidades no diagnóstico da doença é o uso da ressonância magnética. O exame é capaz de revelar com precisão pequenos nódulos, principalmente em mamas densas e de mulheres jovens, casos em que a mamografia ajuda pouco. “Também é excelente em mamas com próteses de silicone e na avaliação de resposta à quimioterapia, quando indicada antes da cirurgia” aponta Cunha.

Tratamento
10- Outra boa notícia diz respeito à cirurgia: foi notado um aumento nas intervenções com preservação da mama, além de maior número de reconstrução mamária imediata e tardia, diminuindo o trauma psíquico causado pela mastectomia (retirada da mama).

11- A computação gráfica possibilitou uma melhora nas técnicas de radioterapia, localizando com precisão a região afetada pelo tumor. Segundo o médico, isso aumenta a eficiência do tratamento e diminui os efeitos colaterais.

12- Cunha comenta que, recentemente, houve uma redução nos dias de tratamento com a ultramoderna radioterapia intraoperatória: ela pode ser realizada junto com a cirurgia em um único dia.

13- “Quanto ao tratamento sistêmico, estamos assistindo a uma verdadeira revolução. O entendimento da biologia da doença, diferenciando os diversos grupos de pacientes e a utilização de medicamentos alvodirigidos, que têm a capacidade de atingir células doentes, preservando as células normais, diminui os efeitos colaterais do tratamento”, enfatiza.
 
14- Para o oncologista, nos casos em que o tumor é pequeno e suas células são bem diferenciadas ou a paciente responde bem à hormonioterapia e à medicação oral, principalmente na pós-menopausa, a quimioterapia tem se tornado dispensável.

Recuperação
15- Um passo importante é a restituição das mamas. “A reconstrução mamária, quando é necessária a mastectomia radical, pode ser realizada imediatamente à retirada ou após todo o tratamento, o que inclui a radioquimioterapia”, orienta Cunha.

“Depois de viver uma experiência como o câncer de mama, muitas mulheres se dedicam a causas de prevenção e educação na área de saúde. Acreditamos que a participação destes grupos de apoio são fundamentais para o controle da doença no Brasil”, destaca.

17- O tempo para que a mulher volte a ter uma vida normal depende do apoio que ela recebe da família e dos amigos, além da sua capacidade para resolver os próprios conflitos. “Muitas vezes ela necessita do apoio de um psicólogo, fisioterapeuta e/ou nutricionista”, avisa.

18- Hábitos saudáveis como prática de exercícios físicos, perda de peso e alimentação à base de vegetais e frutas são fundamentais para proteger o tecido mamário e evitar o retorno da doença.

19- No Brasil, são quase 50 mil diagnósticos de câncer de mama por ano. Este é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres: representa, a cada ano, 22% dos novos casos da doença.

20- O risco estimado é de 51 casos para cada 100 mil mulheres. Na região sudeste, o número sobre para 68 a cada 100 mil pessoas.

 

Textos: Aline Mendes
Fernando Medina da Cunha, é médico, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica Regional São Paulo e diretor do Centro de Oncologia de Campinas.
Fonte: Instituto Nacional do Câncer (INCA).

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