Buchecha comemora 15 anos com novo trabalho e revela o sonho de cantar com Roberto Carlos

O cantor Buchecha está completando 15 anos de carreira e para festejar está lançando seu novo DVD. O Papo Feminino conversou por telefone com ele, que contou detalhes do trabalho e falou sobre os momentos marcantes da carreira. Confira:

 

Entrevista com o cantor Buchecha

Foto: Thiago Duran/AGNews

 

Acho que lançar esse DVD, fazer 15 anos de carreira, tudo isso deve fazer passar um filme na sua cabeça, não?
Sem dúvida. Até porque, quando eu comecei com o Claudinho, a gente jamais imaginava que tudo iria ter essa proporção. A gente participou de um festival de rap, tiramos o primeiro lugar e eu era o cara que desacreditava na veia artística da dupla.

Verdade?!
É, eu desacreditava totalmente. Eu jamais imaginei que fosse comemorar os 15 anos de carreira. Na verdade, estamos arredondando o número, são quase 17 anos. Mas arredondamos pro DVD porque fica uma data mais memorável, mais bonita. Mas jamais imaginei chegar nisso. Porque, quando lançamos a primeira música, diziam “ah, eles são artistas de uma música só”. Aí lançamos o primeiro CD e falavam “ah, vai durar só esse CD”. Então, a gente também ficava pensando nisso. E comemorar os 15 anos com esse DVD e duas participações tão honrosas quanto as do Belo e do Jorge Vercilo, que ficaram maravilhosas. Cristal, que é minha música de trabalho atual, tem a participação com o Belo. A outra é Andar Andar, do Jorge Vercilo. Ele havia feito pra dupla, mas não tinha mostrado pra nós. Aí nos bastidores de um programa ele cantarolou pra mim e eu adorei! Falei, “caramba! Quero gravar isso agora”. Fiquei muito feliz quando ele aceitou participar. Outra coisa que me deixa feliz ao longo desses 15 anos é que tiveram algumas celebridades, grandes artistas da nossa música que gravaram minhas músicas. Como a Paula Toller e o Kid Abelha que regravaram Só Love, Quero Te Encontrar, Adriana Calcanhoto, Teresa Cristina, Lulu Santos. Quando que eu ia imaginar isso? Eu faço um saldo muito positivo disso tudo.
Nós vendemos , logo no primeiro CD, 1 milhão e 250 mil cópias. O segundo, vendemos 1 milhão também. Pro movimento funk, que é uma coisa que surgiu nos anos 70 para os anos 80, aqui no Rio de Janeiro e até então só ficava transitando aqui na comunidade, isso foi muito bom. Quando eu e o Claudinho surgimos, pela inovação que colocamos na nossa música, fomos os precursores, os primeiros a colocar no funk violão, guitarra, baixo, teclado e outros instrumentos, isso não existia até então. A galera usava uma batida dos EUA e versava nela, mais ou menos como o rap de São Paulo. A galera usava o funk pra fazer protesto social e político. E nós trouxemos essa coisa do funk melody. Falar de amor, com a música dançante e a coreografia irreverente. Aquela da Conquista, lembra?

É um clássico! Claro que eu lembro!
É, né? (risos) Os jogadores faziam gol e comemoravam com essa coreografia. E ela expandiu pelo Brasil afora. Então, acho que quebramos esse preconceito que existia com o funk.

Verdade, suas músicas antigas viraram cult. Toda festa toca, todo mundo regrava…
É verdade, sempre tocamos pra galera elitizada. Mostramos que não é só música de gueto e foi pelo Brasil todo. Com essa intenção de mostrar que o funk não é do Rio, eu gravei o DVD em Porto Alegre. E vendo o DVD você percebe que a galera cantou do início ao fim. Uma reação maravilhosa e é isso que a gente tem que mostrar: que o funk surgiu no Rio de Janeiro, mas é do Brasil. É uma necessidade minha ver outros artistas do funk surgindo de São Paulo, do Espírito Santo, da Bahia, sabe? De outros estados. Pra mostrar que a galera também sabe fazer funk, não é só o Rio de Janeiro. Eles sabem fazer funk e sabem curtir, sabem dançar… É o funk sem preconceito, é o funk que hoje está na novela, está nas rádios entre as 10 mais, como é o meu caso com a Cristal, com o belo, que está em 4º lugar no Brasil inteiro. Na verdade, estou colhendo os louros do que eu plantei lá atrás com o Claudinho, a gente se arriscou a fazer um funk diferente, um funk pop, que ganhou o nome de funk melody. Eu fico muito feliz com o sucesso do Naldo, do Kuringa, da Anita e de tantos outros nomes que estão melhorando de vida também através do funk. E saber que eu fui um dos precursores com o Claudinho, porque o que está estourado não é o funk que faz menção ao sexo, é o funk melody. Isso me deixa muito feliz! Sem orgulho de puxar a sardinha, é satisfação mesmo.

Tem algum motivo pelo qual esperou tanto tempo pra lançar um DVD?
Então, na verdade eu estava nessa transição, não sabia se parava ou continuava. E quando chegou essa data dos 15 anos de carreira, meu empresário disse pra eu gravar um DVD pra ser comemorativo, pelo menos. Foi assim que surgiu tudo, até então eu não tinha nem imaginado. Hoje eu sei que o DVD é o produto mais importante do artista, as pessoas querem muito mais essa coisa do audiovisual. O YouTube é um grande empurrão. Foi assim com o Psy.

Demorou, mas valeu a pena!
(Risos) Valeu, né?

Eu li o release escrito pela Xuxa e fiquei emocionada com as palavras dela…
Poxa, imagine eu, então. Pra mim foi uma grata surpresa, não fui eu quem tentou aquilo, foi a gravadora. Aí quando eu recebi e li, eu falei “Meu Deus! Quem escreveu isso foi a Xuxa, a mulher cuja carreira eu acompanhei, que assisto sempre, vou ao programa dela!”.

E ela foi uma espécie de fada madrinha sua e do Claudinho no começo, não?
Sempre! Ela até tem uma frase que ela sempre diz quando vou ao programa dela: “eu sou funkeira. Mas antes de ser funkeira sou Claudinho e Buchecha”. Isso é uma honra, aí quando peguei o release na mão, veio um filme na minha cabeça. E deu pra imaginar o rosto dela falando cada frase do papel. Foi muito o coração dela sendo expresso no papel.

E qual o show mais emocionante da sua carreira?
Esse foi especial porque foi o primeiro DVD da minha vida. Dentro de mim, tinha todo aqule frisson, aquele medo porque era tudo novo pra mim. Também o que eu ia apresentar para o público. Eu tive receio porque até hoje subir no palco sem o Claudinho, pra mim, é um desafio. Aquela dor da perda, eu não sofro mais, mas dá saudade.

Saudade não tem jeito, né?
Eu sempre me lembro de nossas brincadeiras pré-palco, antes de subir, aquela zoeira, dar as mãos, sabe? A gente fazia uma oração. Todos os nossos momentos antes do show. Sempre vem a lembrança, eu tava muito nervoso na gravação. Mas depois que eu subo no palco, isso se esvai. E eu fico numa boa.

 

Entrevista com o cantor Buchecha

Foto: Thiago Duran/AGNews

A energia que vem do palco deve ser uma delícia…
É sim. Esse foi um show especial, mas teve um outro que eu queria citar, posso?

Deve!
A gravação do DVD da Ivete Sangalo. Porque foi num momento muito crucial pra mim, eu estava meio parado naquela época e ela me convidou. Achei de uma generosidade muito grande dela. E ela falou uma coisa que eu gravei: “cara, isso só é um reconhecimento do quanto você é importante porque eu só estou chamando aqui os caras que eu considero grandes artistas, grandes músicos”. Eu me senti muito feliz. Eu sempre fui ao Maracanã assistir aos jogos e ver 80 mil pessoas gritando meu nome foi demais e cantando minha música, porque a gente cantou Conquista, Nosso Sonho e Poder, que é dela. Ver a galera cantando do início ao fim foi muito marcante pra mim. Vou levar esse momento pra sempre na minha vida.

Você faz muito sucesso com as crianças, tem alguma explicação pra isso?
Não tenho! (risos) Também queria saber o porquê. É engraçado, as crianças de hoje em dia não acompanharam o trabalho que nós fazíamos, antes a gente estava sempre na tevê, no rádio… A criançada de agora não pegou isso. Vai ver é uma coisa que vai passando de pai pra filho. Outro dia, fui ao shopping com meus filhos e a criançada ficava lá falando “olha, mãe o Buchecha!”, aí cantavam ou Só Love, Só Love ou Eu não existo longe de você… (e ele canta mesmo no telefone) e paravam pra tirar foto e pegar autógrafo. Eu me sinto o cara mais felizardo do mundo porque criança é muito sincera. O fato de eles conhecerem meu trabalho me dá a pretensão de que eu tenho mais longos anos de trabalho pela frente na carreira.

Você conquistou muita coisa, mas ninguém para de sonhar… O que você ainda quer conquistar?
Posso sonhar alto?

Pode, lógico!
Eu queria fazer uma participação com o Rei. O Roberto Carlos é o cara mais importante da nossa música. Seria um prazer, ele já gravou funk, né? Com o Leozinho. E acabou de gravar um funk agora, chamado Furdúncio, que é bem legal. Minha filha vive cantando, ele é um cara que está bem presente na nossa música e no coração de todo brasileiro. Seria um prazer pra mim. Também quero dar continuidade, fazer uma nova turnê pela Europa, eu já fiz, mas quero voltar. Estar em palcos grandes. Rodar o Brasil inteiro e continuar o trabalho que eu venho fazendo. Quero dar manutenção no que eu já fiz. E tem essa coisa pessoal, de cantar com o Rei. Pra mim, isso seria de grande valor, gosto muito.

Eu vou torcer pra você participar do especial de fim de ano da Globo esse ano ainda!
Amém, tomara! Vamos profetizar isso (risos)

O seu filho é cantor, vi ele no Esquenta cantando Maroon 5 recentemente. Deve dar um orgulho danado…
Nossa, nem fala. Na verdade, eu coloquei esse menino na escolinha de futebol do Flamengo e eu queria que ele jogasse futebol. Aí teve um dia que ele caía toda hora. Ele cansou e falou assim “pai, sabe de uma coisa? Vamos trocar a chuteira por um violão?”. Eu falei, tá bom, vambora! Ele já estava me dando a direção do que queria fazer. Depois conversei com ele, pra saber se ele queria mesmo seguir a carreira de cantor. Falei pra ele “você não vê que o papai mal para em casa?”. Ele me disse “pai, ninguém vai me impedir, é o que eu quero”. Ele tá determinado, não quero ser pretensioso e dizer que vai dar certo, mas vamos ver! EU presumo e torço pra que sim. A Regina quis que ele ficasse indo lá direto, mas eu falei que ele tinha escola. Ela disse que teve um ótimo reconhecimento! Tem que dar uma frada e esperar o tempo certo.

O que você sente de mudança no cenário do Funk desde que começou com o Claudinho para hoje em dia? Você acha que é mais fácil para os cantores que começaram agora fazer sucesso?
Acho que sim. Eu diria que nós começamos com muito preconceito e uma sobrecarga em cima do funk. Tudo o que acontecia de ruim do RJ era porque alguém tinha saído do baile funk, era isso que era falado. Tinha toda uma demanda de coisas negativas sobre o funk. Quando surgiram Claudinho e Buchecha, as pessoas viram uma luz no fim do túnel, eram dois meninos que não estudavam e procuram falar bem, não falam gírias. A gente sempre evitou falar “é nóis” e “qual é, mano?”. Sempre procuramos falar com mais delicadeza pra mostrar que na comunidade tem gente educada, delicada, que trabalha, que rala. Gente que sabe falar, apesar da pouca escolaridade. Eu sou adepto do dicionário, totalmente. Componho com o dicionário, meu dicionário virou um grande parceiro. Digo que estou casado com ele, meu casamento é com o dicionário e não quero divórcio (risos). Tudo isso pra enriquecer meu trabalho e meu diálogo com as pessoas. Quebramos muito tabus . Hoje o funk é mais aceito e está melhor conceituado. Todas as classes cantam funk. Todo mundo que hoje fizer um trabalho bacana, que a família toda possa ouvir, vai ter espaço. Isso é inevitável.

Tem um bloco de carnaval no RJ em sua homenagem, não tem?
O nome do bloco é alusão a uma música nossa, Carrossel de Emoções. Tá maior febre aqui no Rio e eu apadrinhei eles. Vou fazer uma participação com eles no carnaval. É uma homenagem muito bacana, toca de tudo, Bem Jor, Claudinho e Buchecha…

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