"Meu cachorro não gosta de visitas. E agora?"

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Seu pet não gosta de receber pessoas em casa? Toda vez que chega alguém você precisa prender o bichinho ou pedir para a visita ter paciência? Veja dicas da médica veterinária Fabiana Simões Valverde e do adestrador de cães Rafael de Lima e saiba o que fazer nesse tipo de situação.

O papel do dono

Segundo Rafael, é de suma importância que os donos saibam quais são as necessidades dos bichinhos quando adotam ou compram um animal para conviver em sua casa. “Algumas pessoas infelizmente optam por ter animais, porém não se responsabilizam como deveriam, ocasionando, em grande parte das vezes, na anti-sociabilidade”, afirma. A solução está na maneira como a pessoa cria o animal desde o começo de sua jornada.

Ele ainda aponta que existe uma diferença muito grande entre confiança e respeito: “Dê ao cão apenas mimo e ele confiará em você, mas dê ao cão aquilo que ele realmente necessita e ele não só confiará, mas também respeitará você”. Isto é, assim que o dono tiver em mente a receita para conquistar a confiança do cachorro, poderá trabalhar com calma a sua sociabilidade.

Thinkstock/Getty Images

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O comportamento do animal

Segundo a veterinária, o animal encara a visita como uma invasão de território, portanto tenta defender seu espaço e seu dono a qualquer custo. “A agressividade vem da forma que o animal é criado. O natural é latir e rosnar até tomar confiança nesse ‘invasor’. À medida que o dono comporta-se seguro e sem medo, o animal também admite a visita sem maiores transtornos”, explica.

O adestrador também acrescenta que existe um período na vida de um cão em que ele se torna “rebelde” e esse período se estende em média dos seis meses de idade até mais ou menos um ano e dois meses. “Durante este período, ele testará bastante o dono e o mais importante é não se deixar levar pelas emoções”, afirma.

Em muitos casos, os donos ficam frustrados por não entenderem os motivos pelo qual o cão vem apresentando mau comportamento, e essa frustração pode fazer com que os donos sejam negligentes e não exerçam liderança ou – o que é ainda pior – agridam o cão.

“Diante disso, alguns cães passam a ter comportamentos agressivos, outros tornam-se extremamente submissos, com um medo fora do comum. Além disso, a convivência com outros cães agressivos e falhas no processo de sociabilização enquanto o cão ainda é jovem também contribuem com este desequilíbrio”, revela o especialista.

Como ensinar seu bichinho

O animal torna-se submisso ao dono se for criado pelo mesmo desde filhote, porque o considera como líder da matilha. “Para criar essa cumplicidade, além dos deveres de bom comportamento, o cão também precisa ser respeitado nas suas necessidades, como atividade física, um canto apropriado, boa ração e carinho”, diz Fabiana. Desde pequeno deve existir regras e controle do animal por meio do tom de voz: “Dessa forma, o comando para não avançar em uma visita será apenas mais uma das regras que o cachorro deve seguir”, acrescenta a veterinária.

A linguagem entre o dono e seu animal é aprendida desde filhote. “Portanto, na primeira vez que o cão se comporta de maneira exagerada diante de uma visita, a expressão corporal e tom de voz de repreensão do dono transmitirão a insatisfação do líder e o animal com certeza terá um controle maior na próxima ocasião”, ensina a médica.

Uma boa dica para que seu cão não apresente problemas de sociabilização, e dessa forma receba suas visitas sem grandes problemas, é expô-lo a pessoas, cães e situações diferentes enquanto ele ainda é jovem.

“Levar o cão a um parque para cães, ou para passear na rua são duas ótimas maneiras de sociabilizá-lo. No parque é ainda melhor, porque é um ambiente mais propício para interagir com outros cães e outros seres humanos. Repita estas experiências positivas até o seu crescimento e estará seguindo o caminho certo”, conta Rafael.

No entanto, ele alerta que não é aconselhável que um cão em fase de aprendizado tenha contato com cães agressivos, pois ele pode aprender a se comportar dessa forma e se tornar um animal desequilibrado.

Recebendo as visitas sem transtornos

“O dono precisa passar segurança do controle sobre seu animal para a visita. Caso seja um animal mais dominador, obviamente deve ser comunicado à visita. O importante é a consciência de quem está no comando. Nunca pode ser o animal, sempre o dono”, aponta a médica.

De acordo com Rafael, caso a família tenha um cão que não se sinta à vontade com estranhos, o mais indicado é agir com responsabilidade. “O dono deverá explicar para as visitas sobre o cão, solicitar para que não deem carinho a ele, afinal, não podemos obrigá-lo a aceitar. E em caso de agressividade, mantê-lo em um local que não haja acesso ao ambiente em que se encontram os visitantes, afim de evitar incidentes”.

Lembre-se: o melhor a fazer quando seu cão apresenta algum tipo de desequilíbrio é buscar a ajuda de um profissional habilitado para tentar reverter este quadro.

Dicas para adestrar seu cachorro

– Sempre que quiser ensinar um cão o que ele pode ou não fazer, o ideal é reforçar seu comportamento correto com bastante carinho relaxante e puni-lo com algum desconforto. Exemplos: algum barulho, um toque firme com a mão, representando uma falsa mordida ou um breve toque de guia quando a mesma estiver conectada à coleira em seu pescoço.

– Em alguns casos, os cães apelam para comportamentos indesejados, pois percebem que quando os praticam conseguem a atenção do dono. Sendo assim, ignorar estes comportamentos também será uma forma de punição.

– A melhor maneira da visita se portar diante do animal mais agressivo seria ignorá-lo até que ele se acostume com a sua presença. Ignorar um cão significa não manter contato visual, físico ou verbal com ele.

Consultoria

Fabiana Simões Valverde
 – médica veterinária e diretora da Tocca pet escola – escola de qualificação profissional para o mercado pet

Rafael de Lima – Adestramento de cães e Reabilitação
E-mail: rafinha.adestrador@gmail.com
Página do Facebook: https://www.facebook.com/Rafinhadestradordecaes

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