Dicas de segurança para quem tem filhos pequenos

Avalie

Ter filhos pequenos em casa é sinônimo de precaução. Tampar as tomadas, deixar as crianças longe do fogão, ficar de olho nas brincadeiras… é muito importante que os pais estejam sempre atentos ao comportamento dos filhos. Segundo a educadora e psicomotricista (especialista na ciência que estuda o corpo em movimento) Roberta M. De Simone, é imprescindível manter atenção redobrada, principalmente até os 10 anos de idade.

Veja dicas para evitar acidentes domésticos e deixar seus filhos sempre em segurança:

– Oriente seus filhos a brincar em locais seguros. Escadas, sacadas e lajes não são ideais.

Thinkstock/Getty Images

Thinkstock/Getty Images

– Nunca saia para soltar pipa perto de antenas, postes e fios elétricos, porque as crianças podem se machucar seriamente. Prefira locais abertos como parques ou campos e nunca vá empinar pipas em lugares altos, como telhados ou lajes. De tanto olhar para cima, a criança pode tropeçar e cair.

– Crianças até 6 anos não devem dormir em beliches e acima dessa idade devem ser colocadas grades de proteção, evitando quedas durante o sono.

– Nunca deixe remédios ao alcance de crianças.

– Não permita que crianças menores de 10 anos andem sozinhas nas ruas. Comece cedo a educação no trânsito, ensinando a atravessar sempre na faixa de pedestres e olhar bem antes de atravessar a rua. Lembre-se de que as crianças seguem o exemplo dos pais.

Cuidados com o bebê dentro de casa

Os bebês são ainda mais frágeis e, portanto, é de extrema importância que a casa seja adaptada ao novo integrante da família. “Para manter um ambiente seguro em volta da criança não é preciso gastar muito dinheiro nem complicar as coisas; é só nos habituarmos a respeitar algumas regras muito simples”, afirma a educadora.

Veja quais cuidados devem ser tomados desde o primeiro mês até o primeiro aninho da criança.

1° MÊS
Andar de carro é perigoso. E o lugar mais perigoso é o colo do adulto, mesmo no banco traseiro. “É por isso que existe uma Lei que obriga a transportar sempre o seu bebê numa cadeirinha própria, aprovada segundo as normas de segurança, desde a saída da maternidade”, diz Roberta.

Para dormir, o bebê deve ser deitado de costas, salvo indicação contrária do médico, e a roupa da cama não deve cobrir a cabeça do bebê. Para evitar o perigo de asfixia, não coloque almofadas, fraldas, brinquedos, gorros, laços ou fitas dentro da cama. A cama deve ser estável e sólida, e as grades devem ter no mínimo 60 cm de altura.

Antes de começar a dar o banho, sempre verifique a temperatura da água. Verifique com a ponta dos dedos e cotovelos se a temperatura está agradável para o bebê e não para você.

Para evitar queimaduras, mantenha os líquidos quentes – tais como a água, o café ou o chá afastados da criança.

2° e 3° MÊS

Mesmo não se virando ainda sozinho, o bebê se mexe bastante. Assim, para evitar quedas, mantenha sempre uma mão em cima do bebê quando trocar a fralda, não o deixe em cima de sofás, ou outros móveis. “No carrinho de passeio e na espreguiçadeira, prenda-o sempre com o cinto e trave o carrinho quando este estiver parado”, diz a especialista.

4° e 5° MÊS
Os bebês exploram com a boca os objetos que os rodeiam. Por isso, os brinquedos devem ser macios, facilmente laváveis e suficientemente grandes para que não possam ser engolidos ou aspirados para os pulmões.

Nunca deixe o bebê sozinho na banheira, mesmo que a quantidade de água seja pequena – basta meio palmo de água para uma criança se afogar. As “cadeiras de banho” para bebês são instáveis e podem voltar-se pelo que não devem ser utilizadas. Coloque um tapete antiderrapante no fundo da banheira e lembre-se de que os bebês ficam mais “escorregadios” com o sabonete e os óleos de limpeza.

6° MÊS
Em breve, o bebê vai conseguir deslocar-se sozinho. É aconselhável que você dê um passeio pela casa, mas com os seus olhos ao nível dos do bebê. Ponha-se de joelhos e tente detectar os perigos que podem ameaçar o bebê ao nível do chão.

Brevemente, o bebê começará a comer papas e purês de legumes. Antes de lhes dar, mexa muito bem, sem deixar pedaços que o possam fazê-lo engasgar, e certifique-se de que estão a uma temperatura razoável. Atenção aos fornos de micro-ondas: os alimentos ficam mais quentes do que os recipientes e podem provocar queimaduras na boca.

Use protetores de tomadas ou instale tomadas protegidas. Elimine todos os fios soltos e extensões ou proteja-os. Verifique regularmente se não estão danificadas ou com fios descapados.

Preste atenção nos objetos pequenos, como os botões na caixa de costura ou os brinquedos dos irmãos mais velhos espalhados pelo chão, assim como sacos plástico que podem sufocar a criança.

As pilhas, além de poderem ser engolidas ou aspiradas, podem também intoxicar. Proteja as lareiras, radiadores e outras fontes de aquecimento. Em escadas, coloque cancelas que cumpram as normas de segurança, no primeiro e no último degrau, para evitar quedas.

As janelas e as portas com acesso a varandas ou terraços precisam ser protegidas, colocando, por exemplo, cancelas, fechos de segurança ou redes de proteção.

Para arejar a casa, bloqueie as janelas com um dispositivo adequado ao tipo de janela, de forma que ela não abra mais do que 10 cm.

Coloque sempre o cinto no bebê quando o sentar na cadeira alta e nunca o deixe sozinho. A cadeira deve ser bem estável e estar sempre encostada a uma parede, para não poder cair para trás se outra criança se pendurar ou se o bebê tentar empurrar a mesa com os pés. Se usar uma cadeira de encaixar na mesa, esta deve ficar bem fixa, a mesa deve ser estável, pesada e sem tampo de vidro.

9° MÊS
Agora que o seu bebê já se desloca com relativa facilidade, o perigo de acidentes é ainda maior. Há coisas que julgamos que ele não é capaz de fazer mas que faz com grande facilidade, como puxar uma toalha de mesa ou o fio do ferro elétrico, ou alcançar objetos perigosos em cima de uma bancada.

Atenção ao fogão: o bebê pode queimar-se gravemente na porta do forno ou pode puxar panelas e frigideiras se estas ficarem voltadas para fora, podendo queimar-se com alimentos e líquidos muito quentes. Nunca deve-se cozinhar com o bebê no colo.

Proteja os cantos dos móveis e fixe bem objectos grandes ou pesados, como estantes ou a televisão, para que não possam tombar sobre a criança.

Para evitar intoxicações, sempre que comprar produtos tóxicos ou corrosivos, escolha aqueles que possuem tampa de segurança. Não guarde em casa produtos desnecessários. Mantenha sempre os medicamentos e os produtos químicos e de limpeza em segurança, bem rotulados e bem fechados, fora do alcance e do olhar das crianças.

“Criar um ambiente seguro não é ‘fechar o bebê a sete chaves’ ou mantê-lo ‘numa redoma’. O bebê precisa se desenvolver e explorar o mundo. Portanto, se houver mais de uma forma de aumentar a segurança, opte sempre por aquela que permita oferecer maior liberdade de movimentos ao bebê. Lembre-se sempre que, para as crianças, todas as coisas são brinquedos e tudo é brincadeira – e não são elas que estão erradas, mas sim o ambiente mal adaptado que construímos à sua volta”, finaliza a educadora.

Consultoria

Roberta M. De Simone, educadora, psicomotricista e diretora do Espaço Bimbo

Mais lidas