“Fui mãe cedo”

Avalie
Mãe e filho

Foto: Thinkstock e Getty Images

Descobrir que está grávida na adolescência não deve ser uma tarefa fácil. Ter que contar para os pais, encarar os olhares dos colegas de escola para o barrigão e planejar o futuro, ainda incerto, tendo que criar um filho. Um desafio e tanto, mas não impossível! Foi o que Vanessa Aparecida da Silva e Luisa Gaede mostraram para a gente. Vanessa, hoje com 22, engravidou aos 14 anos e é mão de Matheus. Luisa, hoje com 22, engravidou aos 16 anos, e é mãe de Samuel. Confira como foi a história dessas jovens mamães.

Como foi descobrir que estava grávida?
Vanessa: “Minha menstruação atrasou e eu comecei a desconfiar, mas não queria fazer o teste. Tive muito medo de ver o resultado e não saber como lidar com o que estava por vir.”
Luisa: “Fiz um exame de laboratório. Foi um misto de medo e insegurança, um momento de escuridão, mas não demorou a passar, já que tive muito apoio de amigos e familiares. Encarei a situação e curti a gravidez, pois naquele momento era a única coisa que se tinha a fazer!”

Como foi contar para a família sobre a gravidez?
Vanessa: “Meu parceiro ficou muito feliz porque ele sempre quis ter um filho e já era maior de idade. O que me deixava muito preocupada seria a reação da minha mãe, pois eu sabia que todas as pessoas iriam criticá-la por não ter me dado a devida orientação que uma adolescente precisava. Eu fiquei um bom tempo sem contar para minha mãe, até que um dia, enquanto eu a ajudava ela a arrumar casa, meu irmão mais velho acabou contando. Foi um choque total. Ela chorou muito e ficou decepcionada. Porém ela, com toda a sua sabedoria, me deu todo o apoio e me disse que sempre estaria comigo. Só me fez um pedido: que eu nunca parasse de estudar! Naquele momento ela passou a ser minha base, pois eu estava com muito medo de tudo o que estaria por vir. Além do mais, eu tinha muito medo das críticas que já estavam acontecendo.”
Luisa: “Ah, mãe é mãe! Ela me levou para fazer o exame e vimos o resultado juntas. Foi ela quem contou para o meu pai e irmãos e eu que mostrei o resultado do exame para o pai do meu filho. A situação foi tensa.”

Qual foi a reação do pessoal da escola?
Vanessa: “Minha mãe resolveu ir até a escola comunicar que eu estava grávida. Eu tinha apenas 14 anos e estava passando por um processo de muitas mudanças. Tinha que ter cautela com o bebê. A direção fez uma reunião com os professores e, um dia, no final de uma aula, foi revelado para a classe. Algumas pessoas ficaram surpresas, entre elas minhas melhores amigas. No outro dia foi o comentário da escola. Era assustador para muitas pessoas ter uma adolescente grávida na escola. A notícia ficou chocante por alguns dias. Pessoas se aproximaram de mim para saber se era verdade, como era, se eu sentia alguma coisa, e outras se afastaram, achando que eu seria uma má influência. Tudo isso passou e quando eu fiz os convites do meu chá de bebê. Fiquei surpresa, pois quase toda a escola quis participar! Alunos de outras séries me deram presentes e voltaram a falar comigo. Quando o Matheus nasceu, levei-o na escola e foi aquele chamego! Todos queriam pegá-lo no colo. Eu passei a ser reconhecida como ‘a mãe do Matheus’.”
Luisa: “Tive que me mudar de escola, pois uma menina começou a me perseguir. Na outra escola eu fui bastante paparicada por alguns amigos.”

Quais são os desafios de criar um filho na adolescência?
Vanessa: “Saber que estava grávida foi muito assustador. Eu não sabia como agir e se eu teria que abrir mão da escola. A fase em que todos nós temos que para conhecer novas pessoas e de namorar, eu não tive. Eu tive que amadurecer rápido, pois tinha uma vida que dependia de mim e dos meus cuidados e tive que abrir mão de muitas coisas: na época, eu amava jogar futebol (e olha que eu jogava muito), mas não pude prosseguir; tive que parar de sair com minhas amigas, de descobrir uma vida lá fora que eu sabia que existia; e o principal, tive que procurar um emprego. Infelizmente, não fiquei com o pai do meu filho, uma pessoa que eu tenho muita admiração. Hoje moro sozinha com meu filho e tudo na minha vida se resume ao Matheus. Agora que ele já está maior eu voltei a estudar e estou fazendo um curso superior, mesmo com muita dificuldade, mas jamais irei desistir!”
Luisa: “Não é fácil conseguir imaginar a sua vida com um filho aos 16 anos. Você pensa em várias coisas, principalmente que não vai conseguir superar essa mudança, mas me esforcei muito e tive um pensamento positivo. No fundo, sabia que ficaria tudo bem, talvez não aos 18 anos, mas quem sabe aos 22 anos, quando eu já estivesse estabilizada, tanto psicológica quanto profissionalmente. Com a ajuda da minha família e mesmo da família do pai do Samuel, eu me considero uma jovem adulta realizada, como mãe e como profissional. Não quero estimular ninguém a engravidar na adolescência, mas para mim, hoje vejo que foi sim, uma grande realização de crescimento emocional, ter meu filho faz com que a cada dia eu queira ir mais longe.”

Fica um recadinho…
“Engravidar na adolescência significa pular essa etapa da sua vida: você perde baladas, não pode sair de casa para estudar e perde um pouco o interesse por coisas que seriam comuns gostar nessa idade. Mas agora, com o filho mais crescidinho, tenta recuperar alguma coisa que teve que abrir mão e que seja realmente de grande importância, como por exemplo, a faculdade”, conta Luisa.
“Esse assunto é muito complicado, pois envolve nossos sentimentos. Espero que minha história de batalha possa servir de exemplo para muitas meninas”, finaliza a mamãe Vanessa.

♥ Esses aqui são os responsáveis por tanta mudança na vida das meninas, os filhos Samuel e Matheus.

Vanessa e Matheus

Foto: Arquivo pessoal

Vanessa e Matheus

Luisa e Samuel

Foto: Arquivo pessoal

Luisa e Samuel

Mais lidas